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domingo, 1 de maio de 2011

A MASSAI BRANCA – A VERDADEIRA FACE DO AMOR INTER-RACIAL


Por Aidan Foluke
,
Acadêmica de Enfermagem.
MSN: vanessasoares13@hotmail.com
Skype: aidanfoluke


Cotidianamente nos deparamos com slogans que exaltam a miscigenação racial. Há mais ou menos um mês, ouvi um pesquisador, titular de uma grande Instituição Científica, afirmar que: “Quanto mais mistura melhor. Por isso o brasileiro é forte. Nem 100% branco, nem 100% negro, mas 100% vira-lata.”

A princípio, não fiquei tão indignada com tal afirmativa, pois meus ouvidos já funcionam como “peneiras” para estas propostas maliciosas e destruidoras, principalmente porque no local as pessoas pretas eram nitidamente contadas. Mas, ao ler um Best-seller escrito por Corinne Hofmann, “A MASSAI BRANCA – MEU CASO DE AMOR COM GUERREIRO AFRICANO” e assistir ao filme tive a certeza que o sinônimo de Demônio para os povos brancos, foi palavra extremamente bondosa e caridosa do Profeta Malcolm X. Pergunto-me: Como é possível um guerreiro de um grupo africano tão resistente, os Samburu, sujar e prostituir o seu corpo e sua comunidade com uma MULHER BRANCA? Por que a comunidade Samburu aceitou este ser estranho em seu meio? Durante o filme é bastante visível os conflitos culturais e raciais que uma relação dessa espécie pode trazer sendo os relatos escritos em seu livro mais deprimentes e repugnantes.


TRAILER DE A MASSAI BRANCA


O povo Samburu é originário de Nubia-Kush e se estabeleceram ao norte do Monte Quênia e ao sul do Lago Turkana, na área do Vale do Rift, desde o século XV. Possuem uma existência de semi-nomadismo e a sua economia é baseada no pastoreio - na criação de gado, ovelhas, cabras e camelos - que representa riqueza e status. O povo Samburu celebra os nascimentos, os rituais de iniciação e casamentos com muita pompa e cerimônia. O apogeu da vida de um Samburu é o ritual iniciático à vida adulta.

Os casamentos são estruturados por uniões poligâmicas, onde um homem pode casar-se com tantas esposas que for capaz de pagar o dote. Quanto mais animais possuir, mais fácil será obter uma esposa. O dote para a família da noiva é tipicamente pago com gado. Os casamentos intra-clãs são proibidos e os casais escolhidos pelas famílias.

Falam a língua Maa, e são primos dos Massai, sendo normalmente confundidos. Os Samburu possuem uma história de resistência singular, não aceitando as imposições culturais do colonizador inglês, apesar das missões católicas e protestantes estarem presentes em suas terras, para destruir a sua cultura e dominá-los mentalmente.

Glory Outreach in Samburu


Uma das vitórias do povo samburu é manter a língua Maa e preservar as tradições dos seus ancestrais, apesar de que muitos guerreiros tiveram de participar nas tropas inglesas na 2ª Guerra Mundial e outros trabalham nas forças policiais do Quênia.

SAMBURU DANCE Vol.1


O filme de Hermine Huntgeburth deveria ser THE WHITE SAMBURU,isto é, se a mesma não desestruturasse a comunidade. O marketing europeu divulga os massai, por serem mais conhecidos, abertos ao contato com os brancos e muitos falarem o idioma inglês. O filme conta de forma deturpado o que está escrito no livro, a dita paixão sentida pela protagonista do filme por um Guerreiro Samburu, não passava de promiscuidade comumente sentida por brancos pelo nosso povo. A masculinidade do homem preto africano e diasporico desperta além de fantasias sexuais a representação de virilidade e um troféu. O envolvimento deles leva ao rompimento de praticas ancestral, como o não beijo na boca, para os samburu a boca é feita para alimentação e não com fins eróticos. A comunidade altera sua vivência e rotina com a introdução de objetos, costumes e alimentos europeus. É fortalecido o etilismo e uso de ervas de maneira depravada, sendo essas ervas usada de maneira sacerdotal e curativa por grupos religiosos de forma equilibrada, e não como objeto de alienação, fuga da realidade. Corinne Hofmann uma viciada na maconha alimentou tráfico de drogas no Quênia, como a mesma relata no seu livro na página 361:
“De acordo com o seu ponto de vista, Edy naturalmente vem por causa de mim e certo dia ele me pega comprando maconha de Edy. Ele ralha comigo como seu fosse uma fora-da-lei perigosa e ameaça me denunciar a polícia. Fico parada, perplexa, e nem seque consigo chorar. Afinal preciso dessa coisa para poder agüentá-lo. Tenho de lhe prometer que nunca mais fumarei maconha, senão ele me denunciará”.

Observa-se o quanto foi, é e será perigoso o envolvimento racial entre pessoas brancas e pretas, pois sempre a comunidade africana estará prejudicada. Como foi escrito no titulo do livro e do Filme:MEU CASO DE AMOR COM GUERREIRO AFRICANO, amor este destruidor, violento e egoísta. Realmente foi um caso, um momento na vida da mulher branca que volta para seu país de origem e lá continua sua vida sem maiores problemas ou alterações, mas para aquele homem preto que quebrou laços ancestrais, que negou sua forma de olhar o mundo e de se relacionar com ele foi simplesmente um iniciar de uma história catastrófica e irreparável, que não terá um fim tão breve, pois diferente dos brancos e seus atos egocêntricos, nós pretos compartilhamos com a nossa comunidade tudo a nos ofertado. Um provérbio africano diz assim: “A ruína de uma nação começa nas casas de seu povo”.

O Guerreiro Samburu Lektinga iniciou a destruição de seu povo no momento que olhou para aquela mulher branca de espírito prostituto e demoníaco e a deu valor de uma mulher. Não é possível amar alguém que bagunça nossa casa e nos leva a cometer delitos brutais contra si mesmo e aos seus. Manter laços afetivos com o estranho é suicídio e genocídio. O maior problema neste tipo de relacionamento é o fruto gerado, no caso deles uma filha chamada Napirai. Um ser mestiço é a peça mais perigosa dentro de uma comunidade, com certeza a crise existencial dessas pessoas, as torna uma arma de autodestruição, pois podem assumir a identidade do povo preto tanto quanto do povo branco e até mesmo formarem outro grupo pró mestiçagem. É relatado no livro que ao retornar da Suíça, Napirai chora ao olhar os rostos pretos da comunidade dos Samburu. O filme também não relata a sua carta de despedida na página 364, onde em um trecho ela escreveu:

"Mas, agora, depois da última chance que tivemos em Mombaça, reconheço que você não é feliz e eu muito menos. Nós ainda somos jovens e não poderemos continuar assim. Agora você não me entenderá, mas depois de algum tempo você também verá que vai poder ser feliz com outra. Para você é fácil achar uma nova mulher que viva no mesmo mundo. Mas dessa vez procure uma mulher samburu, não uma branca, somos diferente demais. Um dia você terá muitos filhos".

Corine tenta impor a sua cultura européia a um Guerreiro Samburu e à sua comunidade, como sempre o europeu projeta suas concepções de superioridade e de conquistas. Ela é oriunda da Suiça-Alemã. Os alemães, nesse período da história recente, construíram um legado de destruição e genocídio no continente africano. Nunca podemos esquecer o massacre dos Hereros e Nama, na Namíbia em 1905.

Clique aqui e leia mais sobre O GENOCÍDIO ESQUECIDO – A REVOLTA DOS HEREROS E NAMA NA NAMÍBIA


Assista ao filme e leia o livro que estão disponíveis em diversos sites. Veja com os seus próprios olhos e reflita sobre os fatos que acabei de relatar.


Informações Técnicas
Título no Brasil: A Massai Branca
Título Original: Die Weisse Massai
País de Origem: Alemanha
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 132 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Estreou no Brasil: 21/09/2007
Site Oficial: http://www.dieweissemassai.film.de
Estúdio/Distrib.: Europa Filmes
Direção: Hermine Huntgeburth

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