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sexta-feira, 6 de maio de 2011

O que é ser homem no mundo cristão?

(O texto abaixo foi enviado pelo jovem escritor pernambucano (e pai de três meninas) Gabriel Brito e mesmo que suas opiniões não expressem discordâncias ou não sejam ipsis verbis a ideologia da GRIF Maçãs Podres, acreditamos em seu direito de expressá-la e decidimos publicá-lo como um importante documento paterno que ousa abertamente questionar a masculinidade estabelecida e sua tentativa de superação da condição machista. O texto servirá de breve introdução sobre uma publicação posterior sobre homofobia no Brasil)
Javé - o Pai:
O que é ser homem?
Nascemos numa sociedade masculinizante; quando crianças, nossos pais se preocupam intensamente com a delicada questão, quando não sabem o nosso sexo, pois ainda estamos no útero de nossa mãe – que cor usar nos “mijãozinhos”, rosa, ou azul; droga, espero que dê pra saber o sexo na próxima ultrassom, porque se não, o bebê ficará sem roupas!
Se for homem, vai ser azul; vai jogar futebol, etc.; se for menina, vai ser a cor rosa, vai brincar de “Barbie”, e vai ajudar a mãe na casa, etc., De um lado o macho, do outro a fêmea.
O padre fala no casamento, “que a mulher seja submissa ao homem”; quando João chega em casa, a sua mãe, Dona Cruz, briga com a nora, Maria, para ver quem serve a janta primeiro.
Antônio vai ao trabalho todos os dias e odeia sofrer chacota por que usa camisa babyluck, dizem que é coisa de gay. Ele está tendo um caso com Wanessa, recepcionista; mas no domingo ele vai a missa e agradece a Deus, por sua família e por sua esposa fiel – amém.
Então ser homem significa ser hipócrita e reger a família, como aquele que sustenta a família e é chefe, aquém seus filhos dizem "sim senhor"?
Ser homem significa não ser homossexual e também ser mais forte que os outros machos?
Ser homem significa preservar os valores morais e tradicionalistas da sociedade: cada ideologia criada pela classe dominante; é perpetuar o statos quo e preservar as segregações sociais. É marginalizar tudo que não é tradicional. Ser homem é ser ferramenta da classe dominante para a preservação das falsidade sociais.
As influencias religiosas na formação da masculinidade.
Deus é homem, seja ele Alá, Cristo ou Javé, ah esse Javé, primeiro pai, Buda, Zoroastro, ou o Dragão de Ébano.
A crença na Deusa Mãe ,concepção primitiva de determinados povos, foi sobrepujada por Iavé, as Amazonas são um “mito”. Sendo assim, cada homem deve representar uma parte do huno: ser o alicerce, como pai, de toda família. É dever do homem, perante a Deus, proteger a família, sustentá-la e dar-lhe os bons costumes, ensinar-lhes os valores religiosos, para que cada filho siga o caminho do “Pai” e que cada esposa seja virtuosa, como foi a mulher que pariu virgem, Maria – a mãe do Pai.(para cristãos).
Para o homem, é obrigatório que ele seja exemplo para seus filhos, seja um elemento do reprodutivismo social. Na família é o homem, como chefe de família, que deve guiar seus filhos para o ideal de que para cada homem, existe uma mulher, e pra cada casal, existirá ao menos um filho. Seus filhos aprenderão que na sociedade, deve-se constituir família, um homem para cada mulher, e vice-versa, com o tempo eles aprenderão que no caso do homem, ele primeiro, normalmente, será um garanhão e de vez em quando pulará a cerca; esses pecados são tolerados, Deus perdoa a fraqueza da carne; mas mulher nenhuma deve se portar como uma meretriz, não uma dona de casa. No entanto, se não existirem objetos-mulheres, para aliviar a macheza, como sobreviveria essa sociedade? Afinal, os cabarés são tão antigos, e tão importantes para as sociedades, quanto foram as igrejas e outros templos religiosos.
A religião é o farol – fálico – da sociedade, Eva é a precursora do pecado, os homens foram fracos e cederam, e sedem até hoje, mas deus perdoa, foi “a” cobra que desvirtuou o homem.
Bem, o cristianismo é “aquilo que reforça a posição social masculina na sociedade ocidental”. É importante salientar que não temos só o cristianismo como justificador do “machismo”; as duas outras religiões monoteístas que possuem o maior numero de devotos, também fazem parte desse monólito fálico; mas não nos convém prosseguir o raciocínio a cerca da influencia Sacra na construção dos torturadores homens de honra do exercito, dos executivos consumistas de pornografia infantil ou dos desempregados que violentam mulheres no nordeste brasileiro. (Do grego, amén – que assim seja).
O que convém é notar que as ideologias machistas conservam valores que tornam o homem intolerante e preconceituoso; em detrimento dos próprios pressupostos cristãos serem amor, paz e justiça – ah justiça de Javé!
A luta de classes não terminou, e é importante notar que a primeira divisão de classes foi a de homem e mulher, e não exatamente entre trabalhadores e a classe ociosa – essa representada por aristocratas, susseranos e/ou burgueses – a primeira divisão se deu entre homem e mulher, com a ruptura com a Mãe, iniciada com o inicio das ideologias Patriarcais, com a ruptura com a Deusa e assim sendo, o império do homem se estabeleceu, baseado na força.
Algumas pessoas às vezes acham que é natural que a força tenha determinado que a situação fosse essa: o homem historicamente como soberano, como determinante das leis e normas sociais; isso logicamente é um absurdo, mas para aqueles que dizem tais asneiras, perguntamos: isso é justo cristão?
Como transcender a macheza...
Um homem pode romper com a macheza de várias formas, mas a abertura atual em relação a homossexualidade, deve ser salientada; doravante, precisamos saber que a homossexualidade é uma arma contra o statos quo – enquanto não for cooptado; o sexo também, desprendido nega valores cristãos; as propagandas de prevenção a DSTs, também contribuem para questionamentos pois tratasse da dessacralização do corpo; as propagandas feministas em relação ao aborto, visto que se sou “dona do meu corpo, e tenho o ‘livre-arbítrio’, então, não posso ser obrigada gerar em Meu ventre, um embrião de um estuprador” como determina o Estado; ou seja, como donas de seu próprio corpo, assim como o homem não é obrigado a ter relações sexuais com outro homem, também é um elemento em que questiona-se a moral sacro-machista. Portanto, há veículos a serem explorados para que se questione o machismo de forma solida e construtiva.
Pessoalmente, no entanto, precisamos encarar que para que o individuo, não falando de coletivo, possa superar ideologias machistas, é necessário que ele seja educado de forma desprendida e ‘a-moral’; ou seja, é necessário que se tenha em mente que tudo aquilo que nos é dado socialmente, faz parte de uma intricada teia de condicionamentos que tornam o homem o que ele é hoje. O desprendimento religioso, talvez seja o primeiro passo: quando se percebe que a religião é um elemento determinante na construção da ideologia machista, então é fato que deve ser combatida; o elemento sexual é outro ponto, mas está ligado a questões morais e religiosas também; quando o sexo é encarado somente como prazer e culto a Eros,(hedonismo não machista, liberdade sexual), temos uma nova perspectiva sexual: se é prazer, não importa se acontece entre homem e mulher ou homem com homem e mulher com mulher; em outras palavras, não precisamos amar somente o outro sexo, mas podemos amar a todos, “amor ao próximo”(que irônico). Portanto, a moral é que condiciona o homem a ser o que ele é e que somente quando se quebra a moral, é que se pode enxergar além.
Não existe fórmula para a superação do machismo, seja individualmente ou socialmente, mas seguindo a celebre frase: “Toda evolução no pensamento começa como uma heresia e má conduta”.

Gabriel Brito
Fonte: Blog Maças Podres

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