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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Ouro da África Oriental

Tal como sucedeu na África Ocidental, também na África Oriental
o ouro foi um motor decisivo no desenrolar da vida econômica
das velhas comunidades mercantis, como representará uma das principais motivações do estabelecimento português


Cruzado Português de 1755; Foi cunhado para remediar a falta
de numerário que havia na África Oriental, principalmente
para pagar aos empregados e tropas que a guarneciam.

No final do século XV (1490), Pêro da Covilhã mandava notícias sobre Sofala para a corte de D. João II, referindo-a como um dos centros de comercialização do metal amarelo, do "ouro do Monomotapa" e como um dos pontos de escala obrigatórios dos portugueses na sua jornada para a Índia das especiarias. O ouro, no entanto, também chamará a atenção dos nossos exploradores de Quinhentos. Ao litoral moçambicano chegava o ouro do Monomotapa, ou seja, das regiões de Butua, Mokaranga e Manica (entre a Rodésia do Sul, Manica e o Transvaal).

O ouro apresenta-se em quatro formas: em fino pó, em grãos mais ou menos pequenos, em lascas mais ou menos espessas (o mais valioso), ou em pedras (o mais vil).


Rinoceronte de ouro de Mapungubwe; Tem 22
centímetros de comprimento, foi feito em madeira
maciça, recoberta com folhas flexíveis de ouro.

O comércio e a exploração do ouro estava nas mãos do rei - o Monomotapa; ninguém o podia extrair sem a sua autorização, sob pena de morte. No entanto, não havia grandes imposições (embora, de uma maneira geral, o rei e os poderosos se assenhoreassem das minas, com os seus acostados e escravos, quando elas mostravam dar bom rendimento) e, quando o soberano pretendia algum ouro, distribuía algumas dádivas pelos régulos cafres em troca do metal. Por outro lado, a exploração era difícil, quer pelas condições do terreno e das minas, quer pela falta de mão-de-obra (população dizimada pelas fortes mortalidades infantis, pestes, pragas... e sobretudo pela caça ao homem para alimentar os mercados de escravos que despovoava largas regiões), quer pelo pouco interesse pelo ouro em si por parte dos nativos.

Ao abrir o século XVI, o grosso da produção escoava-se através dos portos marítimos e toda a exportação por mar estava nas mãos dos muçulmanos. Os mercadores mouros viajavam também pelo sertão, mas nunca com intenções de exercer qualquer domínio sobre o processo produtivo. Apenas vendiam "de antemão" aos nativos os artigos que os incitariam a ir trabalhar. A exploração das jazidas auríferas é estruturada num período desconhecido, certamente anterior ao século VI.


Fortaleza portuguesa de Kilwa (Quíloa), Tanzânia.

Vários centros costeiros do Índico estariam envolvidos na comercialização deste metal precioso e, quando os portugueses aí se estabelecerem, o trato vai continuar. Foram os mercadores do mar Vermelho que abriram e traçaram esta grande rota marítima do ouro, e ao longo de todo o seu percurso, nos lugares de escala de navegação dos ligeiros zambucos ou de naus mais grossas, ou de realização de feiras, edificaram-se grandes cidades marítimas, cujas construções de pedra e taipa com janelas e açoteias à maneira ibérica se alinham em ruas regulares.

Assim nasceram e se desenvolveram Mogadíscio, Melinde, Mombaça, Quíloa, Angoxa, Sofala, etc. Neste circuito participarão persas (presença atestada por louças e vidros do Levante), chineses (encontrou-se também louça e porcelana chinesa dos séculos XIII e XV), árabes e portugueses. Nestes lugares, onde se realizavam outras tantas feiras prósperas, as naus e zambucos dos mercadores do Índico (árabes, na sua grande parte) traziam nos seus porões os panos de algodão de Cambaia, as contas de vidro e as louças do mar Vermelho, Guzerate ou China, levando, em troca, o ouro, os dentes de elefante ou os escravos.

Fonte: Infopédia

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