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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Carnaval e Sua História

Nestes dias em que toda a folia é permitida, muitos esquecem que o carnaval é hoje uma festa “controlada” pela Igreja Católica! Isso mesmo, apesar de não parecer toda esta festa faz parte do calendário católico. Tanto é verdade que a data do carnaval é marcada com base na Páscoa, uma das mais sagradas festas cristãs, já que comemora a ressurreição de Jesus Cristo. É importante lembrar que a Páscoa católica não é a mesma Páscoa judaica. A data da Páscoa cristã foi fixada pelo Concílio de Nicéia (325 d.C.) convocado pelo imperador Constantino.

A coisa é bem complicada. Primeiro é necessário se determinar oequinócio da primavera, que ocorre entra os dias 21 e 22 de março no hemisfério norte. Observando a lua nova que antecede o equinócio, o primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março, é entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode ser entre 22 de março e 25 de abril. O domingo de carnaval é sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa. Ufa !! É assim que a Igreja pode determinar qual será a data tanto da Páscoa como do Carnaval.

Vale também lembrar que a Igreja estabeleceu no Sínodo de Benevento (1091), que os cristãos deveriam jejuar de carne durante os 40 dias antes da Páscoa, a exemplo de Jesus, que jejuou por 40 dias no deserto. Foi então instituída a Quaresma, que será o período que vai começar na quarta feira de cinzas e terminará no domingo de Páscoa.

Mas, você pode estar se perguntando, como surgiu esta festa tão popular aqui no Brasil? Existem algumas versões que ajudam a explicar como ela nasce, basicamente todas tratam o assunto mais ou menos assim:

A origem do Carnaval é anterior à era Cristã tendo se iniciado na Itália com o nome de Saturnálias (festa em homenagem a Saturno). As divindades da mitologia greco-romana BACO e MOMO dividiam as honras nos festejos, que aconteciam nos meses de novembro e dezembro. Durante as comemorações em Roma, acontecia uma aparente quebra de hierarquia da sociedade, já que escravos, filósofos e tribunos misturavam-se em praça pública. Com a expansão do Império Romano, as festas tornaram-se mais animadas e freqüentes.

No início da era Cristã, começaram a surgir os primeiros sinais de censura aos festejos mundanos na medida em que a Igreja Católica se solidificava. Querendo impor uma política de austeridade, a Igreja determinava que esses festejos só deveriam ser realizados antes da Quaresma.

A festa chegou a Portugal nos séculos XV e XVI, recebendo o nome de Entrudo, isto é, introdução à Quaresma, através de uma brincadeira agressiva e pesada. Foi exatamente esse Entrudo violento que aportou no Brasil.

Na segunda metade do século XIX, o jornal Diário da Bahia e a Igreja Católica criticavam e pediam providências às autoridades policiais contra o Entrudo. Neste, os participantes molhavam quantos andassem pelas ruas, invadiam as casas para molhar as pessoas e não se importavam que fosse gente doente ou idosa.

Em 1853 o Entrudo passou a ser reprimido com força policial. Foi exatamente neste período que o carnaval começou a surgir com um formato diferente. Esse nasce dividido em duas classes distintas: o Carnaval de Salão, com a participação de brancos e mulatos da classe média, e o Carnaval de Rua, que contava com a participação de negros e mulatos pobres.

Em 1860 o Teatro São João (BA) começou a realizar arrojados bailes de mascarados, na noite de sábado, iniciando as festas como músicas baseadas em trechos da ópera italiana “La Traviata”. Em seguida, eram tocadas Valsas Polcas e Quadrilhas.

Na época, havia o perigo do homem formado e do negociante serem vistos mascarados. Em razão disso, casas de fantasias e cabeleireiros mantinham especialistas em disfarces.

Como os bailes carnavalescos não estavam ao alcance de todos, nem de acordo com o conceito de muitos, era necessário estimular a sua ida para as ruas. Por isso, os subdelegados foram autorizados a distribuir gratuitamente máscaras a que quisesse brincar o carnaval. Os comerciantes logo aderiram à idéia de olho no melhor faturamento, e começaram a adotar o Carnaval em substituição ao Entrudo.

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