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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Revolução Francesa


Introdução
A Revolução Francesa foi uma revolução burguesa, embora tivesse tido a participação de outras camadas sociais como camponeses e massas pobres urbanas, devido à liderança conduzida pela burguesia para realizar suas aspirações.

Aniquilando o absolutismo, a política mercantilista, os resquícios do feudalismo ainda existentes na França e o poder do clero e da nobreza, a revolução pôs fim ao Antigo Regime, sendo escolhida por estudiosos como fato determinante para o início da Idade Contemporânea.

Influenciados por ideias iluministas, os revolucionários franceses tinham como lema a “liberdade, igualdade e fraternidade”. Sua influência motivou revoltas em toda a Europa e os movimentos de independência na América Latina.

As causas
A Revolução Francesa foi provocada basicamente por três fatores principais:

Fatores Econômicos: A França no final do século XVIII era uma nação essencialmente agrária, com uma produção agrícola estruturada no modelo feudal. A grande maioria da população francesa era constituída de camponeses. E uma parte desses camponeses ainda estava submetida a obrigações feudais;

Fatores Sociais: A população, estimada em 25 milhões de pessoas, era dividida em três estamentos. O primeiro estado (clero) composto por aproximadamente 150 mil pessoas, o segundo estado (nobreza) com mais ou menos 350 mil pessoas e o terceiro estado (povo dividido em camponeses, burguesia e sans-culotes) com mais de 24 milhões de pessoas. O clero e a nobreza tinham vários privilégios como não pagar impostos, receber pensões do estado e exercer cargos públicos;

•Fatores Políticos: O absolutismo do rei francês Luis XVI, a crise econômica que passava a França em 1789, a fome e miséria da população causada pela seca e péssimas colheitas e o sistema político injusto como o da Assembleia dos Estados Gerais, exigiam reformas urgentes.

Antecedentes
A seca de 1788 diminuiu a produção de ali­mentos. Os preços subiram e os camponeses passavam fome. Havia miséria nas cidades. A situação do tesouro piorou depois que a França apoiou a Independência dos Estados Unidos, aventura que lhe custou 2 bilhões de libras. O descontenta­mento era geral. Urgiam medidas para sanear o caos.

Luís XVI encarregou o ministro Turgot de realizar reformas tributárias, mas os nobres reagiram e ele se demitiu. O rei então indicou Calonne, que convocou a Assembleia dos Notáveis, de nobres e clérigos (1787). O ministro propôs que esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários e pagassem impostos, para tirar o Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes.

O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembleia dos Estados Gerais, que não seja reunia desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembleia realizaram-se em abril dê 1789 e coincidiram com revoltas geradas pela péssima colheita desse ano.

Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuni­ram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578 deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja, tinha maioria absoluta.

O Início
O terceiro estado se rebelou na última Assembleia convocada pelo rei, elegeu representantes do povo e decidiram elaborar uma constituição que limitasse os poderes do rei e eliminasse os privilégios do clero e da nobreza. Formaram então a Assembleia Nacional Constituinte.

Embora o rei aceitasse a convocação da Assembleia no início, no mês de julho de 1789, logo ele voltou atrás demitindo os ministros que elaboraram uma ampla reforma, revoltando toda a população de Paris que, furiosa, invadiu e destruiu a fortaleza da Bastilha em 14 de julho de 1789, símbolo do absolutismo dos reis franceses.

O clima de revolta espalhou-se pelo país. Os camponeses invadiram as terras do clero e da nobreza assassinando os donos e saqueando a produção. Nas cidades a violência não era menor. Os líderes de revolução foram Danton, Marat e Robespierre, que chegou a governar o país após o guilhotinamento do rei Luis XVI.

Diante disso, a Assembleia Nacional Constituinte aprovou no mês de agosto de 1789 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

As fases da revolução foram:
•Assembleia Nacional Constituinte: 1789-1791;
•Monarquia Constitucional: 1791-1792;
•Proclamação da República e Convenção Nacional: 1792-1795;
•Governo do Diretório: 1795-1799.


Os revolucionários franceses criaram em 1792 um calendário novo caracterizando os nomes dos meses baseados nas condições climáticas e agrícolas das estações em cada mês na França. O ano começava no equinócio de outono. O primeiro mês chamava-se vindimário (em referência a Víndima ou colheita de uvas), seguiam-se o brumário (relativo à bruma ou nevoeiro), o frimário (mês das geadas ou frimas em francês), o nivoso (referente à neve), o pluvioso (chuvoso), o ventoso, o germinal (relativo à germinação das sementes), o floreal (mês das flores), o pradial (em referência a prados), o messidor (nome originário de messis, palavra latina que significa colheita), o termidor (referente ao calor) e o frutidor (relativo aos frutos); como cada mês tinha trinta dias sobrava cinco dias no final do ano (de 17 a 21 de setembro): eram os dias dos sans culottes, considerados feriados nacionais.

Vários foram os símbolos da revolução como a bandeira de três cores (azul, branca e vermelha), o hino a Marselhesa, o barrete frígio (gorro vermelho), a guilhotina, o lema liberdade, igualdade e fraternidade.

Conclusão
Depois de 10 anos de lutas, no dia 10 de novembro de 1799 (18 brumário no calendário revolucionário) o general Napoleão Bonaparte, com o apoio de influentes políticos burgueses, dissolveu o Diretório e estabeleceu um novo governo denominado Consulado.

A revolução Francesa espalhou os ideais iluministas ao mundo como a república, divisão em três poderes, eleições, luta por liberdade, sistema métrico universal, fim dos privilégio feudais, do absolutismo monárquico, dos poderes ilimitados da nobreza e da igreja e o início da idade Contemporânea.

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