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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Ponto Fraco do Ensino Forte

Final do ano quase chegando e já começamos a perceber a preocupação dos pais em qual escola matricular seu filho. Muitos acreditam no Ensino Tradicional e desejam que seus filhos entrem nas melhores escolas, nas mais tradicionais com o objetivo de proporcionar um ensino que acreditam ser de qualidade!

Não vou discutir aqui a qualidade de ensino dessas escolas, mas gostaria de refletir com vocês sobre a importância de se conhecer bem o seu filho e quais as chances dele ser feliz (sim, eu quero uma escola onde minha filha seja feliz e não apenas que a entupam de conhecimentos abstratos)!

Para reflexão, colocarei trechos da matéria divulgada na Revista Época com o título: "O Ponto Fraco do Ensino Forte" de Martha Mendonça.

"Consideradas as melhores do país, quase sempre campeãs nas provas nacionais de avaliação, as Escolas de Ensino Tradicional representam, na mente de muitos pais, uma esperança de sucesso para a vida dos filhos num mercado de trabalho competitivo. Apesar de seus resultados inquestionáveis e da procura crescente por escolas desse tipo, esse modelo agora começa a ser mais e mais questionado por seus efeitos colaterais.

O Ensino Tradicional surgiu na Europa do século XVIII como um modelo em que os alunos são ensinados e avaliados de forma padronizada. Ele se inspira na idéia de que a mente das crianças é uma tabula rasa, um espaço em branco sobre o qual os diversos conteúdos - Gramática, Matemática, Ciências, História etc. - devem ser inscritos seguindo um método rigoroso de exposição e avaliação. Mais do que qualquer outra aptidão, valoriza o acúmulo de conhecimento: quanto mais fatos e fórmulas o aluno aprende, mais bem avaliado ele é.

Há anos, os colégios mais tradicionais e rígidos ocupam o topo da lista. "É comum hoje em dia pais e mães compararem as posições das instituições em que seus filhos estudam. Se os resultados das escolas não são bons, bate o sentimento de que se está fazendo algo errado". A competição já começa entre os pais, que se sentem bem ao dizer que seu filho está no melhor colégio!

Os educadores têm visto com ceticismo cada vez maior o sucesso desse modelo. Eles alertam sobre vários problemas que decorrem da estratégia convencional, baseada na combinação de competitividade e pressão por notas. A primeira limitação é a seleção natural que põe em prática. Esses colégios selecionam os alunos na hora da matrícula - com os famosos "vestibulinhos" - e, depois disso, acabam selecionando, pelo grau de dificuldade em acompanhar o ritmo, aqueles que ficam.

A pressão por boas notas pode causar estresse e doenças emocionais. E não garante sucesso no futuro.

São escolas que, naturalmente, funcionam para os melhores. E os melhores, por motivos óbvios, não são todos. Nem sequer são a maioria. "No caso das escolas tradicionais e seus vestibulinhos, não são os pais que escolhem a escola. É a escola que acaba escolhendo os alunos que quer", diz Victor Paro, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Para ele, essa situação põe em xeque a própria qualidade desse tipo de ensino. Essas instituições têm as melhores médias de desempenho por terem a melhor pedagogia ou porque os alunos que passam pelo funil são os mais inteligentes, portanto serão os melhores, independentemente do método de ensino? "Certamente, elas têm valor. Mas é fato que, para entrar, os alunos já têm de ser bons", diz Paro.

Uma das grandes dificuldades dos pais é aceitar que a maioria dos filhos não se enquadra ou não tem condição de acompanhar o grau de exigência das escolas mais competitivas. Alguns pais acreditam que tirar o filho da escola mais conceituada é sinal de fracasso. Insistem nela - e isso acaba pesando ainda mais sobre os ombros do estudante. "A criança sofre porque não tem o perfil para aquele tipo de colégio", diz Fábio Barbirato, chefe do setor de Neuropsiquiatria da Infância e da Adolescência da Santa Casa, no Rio de Janeiro. "Os pais precisam conhecer o perfil de seus filhos."

A política de seleção dos melhores não pode servir para educar a média das crianças, uma exigência social. Não há nada a opor a uma política de seleção rigorosa. Mas um país que precisa oferecer educação de qualidade para todos precisa se preocupar com aqueles que não passam por esse funil - a ampla maioria.

O ambiente de alta pressão tem ainda um custo emocional para aqueles que não se adaptam. Em geral, aumenta o nervosismo da criança, que fica exposta a um grau elevado de exigência antes de ter amadurecido. Os sintomas são noites maldormidas ou mesmo crises nervosas antes de algumas provas. Em alguns casos, o peso da cobrança pode gerar traumas. O médico Barbirato tem promovido uma cruzada contra os transtornos de ansiedade causados pela vida escolar. Diz que, diariamente, na clínica e em seu consultório particular, atende crianças em sofrimento decorrente da pressão dos estudos. Para Jorge Harada, chefe da área de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria, o estresse dessas escolas desencadeia um processo orgânico que pode levar à perda da imunidade e causar até anemia. "Vivemos numa sociedade competitiva, mas a escola não pode ser uma fábrica de pessoas em série. É preciso respeitar as singularidades de cada um", diz.

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