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sexta-feira, 1 de abril de 2011

O primeiro descobrimento do Brasil






















Durante a década de 20 havia uma acentuada tendência de se debater sobre a descoberta da América. Na sessão do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, a 12 de dezembro de 1926, Alcides Bezerra chegou a fazer uma conferência fazendo reparos sobre a influência de Paulo Vascarelli, o físico, preparador do feito de Colombo.
Dois anos antes, esteve na sede do IHGP o cientista Ludovic Schwenhagen, incansável pesquisador da origem ariana dos povos tupis, fazendo uma palestra sobre suas pesquisas pelo nordeste brasileiro. Em sua memorável conferência ele relatou suas idéias sobre o que vira pelo Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte e pela Paraíba. Seguiu depois para Sergipe e Bahia, passou também pelo Mato Grosso.
A memorável conferência de Ludovic Schwenhagen impressionou o seleto corpo de associados do Instituto Histórico, tanto que o assunto foi bastante debatido na sessão ordinária de 27 de março de 1927. Ali foram discutidos os diversos pontos dos estudos de etnografia brasileira postos em foco pelo professor Schwenhagen e o presidente Flávio Maroja nomeou uma comissão para se manifestar sobre esses estudos. A comissão ficou constituída pelos consócios José Rodrigues de Carvalho, Monsenhor Pedro Anísio Dantas e João Rodrigues Coriolano de Medeiros. Nos arquivos do Instituto não foi possível localizar se a Comissão chegou a oferecer um relatório sobre a matéria.
A Revista n° 10, ano 1953, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, nos dá conta que o professor Ludovic Schwenhagen, acompanhado do engenheiro francês Sr. Frot, descobriu na Bahia grandes obras de viação, as quais ele atribuía aos fenícios e egípcios, em uma época de mais de mil anos antes de Cristo.
Ainda impressionado com a receptividade e destaque que lhe deu nosso Instituto Histórico, o professor Schwenhagen dirigiu carta ao nosso consócio Paulo de Magalhães relatando suas pesquisas e andanças, que lhe convenceram que a América fora descoberta pelos fenícios há 1100 anos A. C. Modernamente, muitos autores se filiam a essa corrente, mas alguns têm optado pela invasão da América pelo Estreito de Behring.
O professor Schwenhagen se fixou na idéia da descoberta da América pelos fenícios e nesse sentido escreveu longa missiva ao nosso confrade Paulo de Magalhães, que foi 2° Secretário do Instituto no período 1926/27 e como jornalista era bastante atuante.
Pelo interesse que assunto poderá despertar, transcrevemos na íntegra o teor da missiva do professor Schwenhagen ao confrade Paulo Magalhães:

“Aracaju, 9 de janeiro de 1926
Mui prezado sr. Paulo de Magalhães
Demorei-me muito tempo na Bahia, em cujos sertões viajei com o engenheiro Apollinaris Frot, e copiei muitas inscrições importantes, que tratam todas de explicações de minas. Minhas teorias expostas na Paraíba ficam então um tanto alteradas, mas, parece-me, ganharam em base. Ainda não havia eu encontrado a chave do grande segredo.
Hoje, porém, opino de ter chegado ao ponto final, baseado nas indagações importantes que tive a de felicidade fazer no interior dos Estados da Bahia e de Sergipe. Encontrei ali as provas, que a maior parte das antigas inscrições e letreiros que se acham nos rochedos de todos os Estados do Norte e Nordeste são escritas pelos fenícios e engenheiros egípcios que construíram longas estradas terrestres, através do Brasil, e organizaram ali a exploração de minas.
Quase todas as grutas, furnas, corredores subterrâneos e escavações verticais são os restos do antigo trabalho de mineração.
A cronologia dos fatos históricos é a seguinte:
Em 1250 A. C. fundaram os fenícios, com o consentimento dos tartésios, a estação marítima de Gades, hoje, Cadix, para dominar a estrada do Mar Mediterrâneo. O acordo estipulou que os fenícios podiam fundar colônias e benfeitorias nas costas atlânticas da África e Europa, enquanto os tartésios reservaram para si a navegação às ilhas do Oceano, inclusive os Açores e as Antilhas.
Na época de 1250 a 1100 A. C. colonizaram os fenícios a costa africana até Dakar, que significa “Casa do Kar”, sendo Kar o progenitor e organizador dos povos cários.
Em 1100 A. C. saiu uma grande frota dos fenícios de Dakar para as ilhas do Cabo Verde e atravessou de lá o Oceano, para o Brasil. O historiador grego Diodoro Sicuto, que vivia durante muitos anos em Cartago e escreveu a história das navegações fenícias e cartaginesas, narra o fato do descobrimento do Brasil assim:

Quando os fenícios já tinham fundado muitas cidades e colônias na costa da África, saiu uma frota deles de lá para as ilhas (do Cabo Verde) onde os navios foram levados por fortes ventos e correntezas do Oceano (uma mentira diplomática, por causa do contrato com os cartésios!). Os navegantes andaram durante muitos dias ao alto mar e, depois eles encontraram uma grande ilha com praias lindas, com muitos rios navegáveis, com um clima ameno e uma população pacífica, que vivia nas aldeias em casas bonitas, como nossa gente rica no estio. A ilha era tão grande que os fenícios gastaram muitos dias para circunvagá-la.

Diodoro conta ainda muitos pormenores. Os navegadores encontraram ali abundância em peixe, animais de caça, frutas, aves belas, madeiras pintadas e cheirosas, ouro, prata e pedras preciosas. Esta ilha era o Brasil, pois os geógrafos antigos denominavam ilha qualquer terra ou continente, que estava fora do Oceano.
Em 1100 A. C. ofereceu o rei Hiram de Tyros, capital da Fenícia, aos reis David e Salomão da Judéia, uma aliança para explorar as riquezas do Brasil. Nos anos 995 e 992 navegaram as frotas aliadas dos fenícios e judeus no rio Amazonas, onde elas fundaram uma colônia hebraica, no rio Solimões, chamado assim por honra do rei Salomão. Esse fato prova que os fenícios já tinham circunavegado, entretanto, toda a costa do Brasil e subido todos os rios. Eles procuraram a aliança dos hebraicos, pois eles mesmos, como nação muito pequena, não tinham elementos suficientes para colonizar tão vasto país.
A decadência do império hebraico, porém, que se deu logo depois da morte de Salomão, frustrou esse plano.
Em 950 entraram os fenícios numa aliança com os povos tupys, que moravam nas Antilhas e no país Caraibia, hoje afundado no Mar Caraibico. Durante 50 anos imigraram os tupys, que eram um ramo dos povos cários e pertenciam à raça branca atlântico-européia, em navios fenícios para o Norte e Nordeste do Brasil.
Em 850 proibiu o Senado de Cartago a imigração para a grande ilha do Oceano, porque ele receava a despovoação do território cartaginês. Esse fato prova que naquele tempo o estado econômico do Brasil era tão florescente, que atraiu muitos imigrantes dos países mediterrâneos.
Com o auxílio dos tupys e aproveitando os indígenas tapuyos como trabalhadores, os fenícios e os por eles contratados engenheiros egípcios fizeram trabalhos extraordinários, no interior do Brasil. Como indicam as inscrições escritas em letras fenícias e egípcias, ficou estabelecida a estação marítima principal perto do Cabo S. Roque, na costa do Rio Grande do Norte. Ali existe um lago, hoje chamado de Extremoz ou dos Touros, que é ligado com o mar por um canal, antigamente bem navegável. Dali saíram duas estradas para o interior, uma rumo ao Sudoeste, que foi prolongada até o Paraguai, onde estava o ponto final da navegação dos fenícios, no rio da Prata, e onde agora o coronel Fawcett está procurando as ruínas de uma grande cidade. Esta estrada central, desde Rio Grande do Norte até o limite de Mato Grosso, está indicada por mais de cem inscrições, dando as distâncias com a medida egípcia, como provou o engenheiro francês Apollinaris Frot, que trabalha há 20 anos no interior da Bahia. Esta estrada central tem muitos ramais para as diversas zonas da mineração e era ligada com os portos dos rios Paraíba e S. Francisco. A grande inscrição da pedra lavrada, na Paraíba, representa um mapa da grande estrada com indicações minuciosas, a respeito do rumo, das distâncias e da posição das minas.
A outra grande estrada, saindo do Cabo S. Roque no rumo do poente, passa Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão e Pará e ia até o Acre. Grandes trechos dessa estrada existem hoje ainda e ficam aproveitadas pelos sertanejos dos respectivos Estados. As grandes inscrições do Ceará, do rio Jaguaribe, de Quixadá e de Urubu-Retama são itinerários dessa estrada, da qual um ramal ia às minas de cobre de Viçosa. A estrada principal atravessou a serra da Ibiapaba, na altura de Ipu, onde os engenheiros construíram uma estrada em serpentinas, para subir o alto barranco da serra. Os restos dessa obra foram encontrados, quando a nova estrada ali ficou construída por ordem do dr. Epitácio Pessoa.
De lá passa a estrada o Piauí e o rio Parnaíba na altura de União; de lá ia a estrada através o Maranhão até o alto Mearim e de lá, pelas cabeceiras do Pindaré, Gurupy e Capim até a confluência do Tocantins e Araguaia, continuando até o Acre. Os delegados das 14 cidades dos Tupynambás do Pará, que chegaram em São Luís, para convidar o padre Antônio Vieira, explicaram bem o rumo dessa antiga estrada.
Um ramal, dentro do território maranhense, saiu do Mearim para os rios Tury-Assu, Maracassumé e Gurupy, para encontrar a zona aurífera entre Maranhão e Pará. Os denominados Montes Áureos e as minas de ouro, hoje usurpadas pelo Sr. Guilherme Linden, já foram descobertos pelos fenícios. Essa estrada existe hoje ainda e foi usada, no tempo do Império, como estrada militar. Eu vi mesmo os restos das colônias militares, organizadas por ordem de D. Pedro II, para policiar aquela antiga estrada de minas, indicada pelas inscrições fenícias.
Os Tupys escolheram para sua residência as terras férteis da Ilha do Marajó, o litoral do Maranhão com o centro na Ilha de S. Luís, antigamente Tupaón, a Serra da Ibiapaba (o paraíso brasileiro), as serras do Rio Grande e da Paraíba e as serras do baixo rio S. Francisco. Além disso, eles fizeram colônias, tabas fortificadas ao longo das grandes estradas, para segurar as comunicações e os comboios de mercadorias.
Os fenícios tinham sempre até 1000 tupy-guaranys (guerreiros da raça tupy) à sua disposição. A ortografia guarany é uma forma moderna. Assim, se explica a larga espalhação dos tupys e a implantação da língua tupy até Paraguai e Bolívia.
Os tupys, guiados pelos fenícios e ensinados pelos engenheiros egípcios, fizeram grandes obras de utilidade pública; na ilha de Marajó, na costa do Ceará e nas praias de Sergipe encontrei os longos aterros, para deter as águas do mar. Chama-se sambaqui; mas as acumulações de conchas era só um meio auxiliar. Em muitos lugares encontrei as conchas queimadas, cuja cal dava a ligação do concreto. Na serra da Ibiapaba encontrei dúzias de cascatas artificiais, que levavam a água da serra para abaixo, para irrigar o sertão. No Piauí e Ceará existem muitas antigas represas de água, algumas de grandes dimensões, mas hoje inutilizadas. O Dr. Epitácio, que mandou fazer tantas obras contra as secas do Nordeste, já tinha antecessores há 2500 anos. Na margem do baixo S. Francisco existem restos duma larga irrigação no sistema dos egípcios.
Os fenícios fundaram numerosas cidades marítimas: Macapá, na foz do Amazonas, Tupaón (S. Luís), Tutoya (corruptela de Troja), Camocim e Jericoara, no norte do Ceará, Aracaty na foz do Jaguaribe, Macau, Touros, no Rio Grande (o nome de Touros deve ser corruptela de Tyros), Paraúba e Mamanguape, onde existem tantos subterrâneos, Marim (Olinda), Piaçaba, na foz do S. Francisco, e Aracaju. Os portos do sul não pude eu ainda verificar. Todas essas cidades receberam um certo número de habitantes de origem tupy e trabalhadores da raça tapuya.
Em 332 A. C., a cidade de Tyros, a grande metrópole dos fenícios,foi destruída por Alexandre Magno, que mandou, em 326, uma grande frota para apoderar-se do império colonial fenício sul americano. Essa frota naufragou na entrada do Rio da Prata. O almirante grego foi enterrado na costa do Uruguai e seu túmulo foi descoberto no século passado. A espada e o escudo desse general de Alexandre Magno acham-se no museu de Montevidéu; as letras gregas, indicando o nome e grau do general são bem legíveis.
Em 146 A. C. a cidade de Cartago foi destruída pelos romanos e ficou aniquilado o intercâmbio político e comercial entre o Brasil e o Mar Mediterrâneo. Somente ligeiras comunicações com as ilhas Canárias e do Cabo Verde conservaram-se, durante alguns séculos.
Em 58 depois de Cristo, chegou o apóstolo S. Thomé na costa atlântica da África e pregou o evangelho nas cidades e colônias fenícias, até chegar à grande ilha, denominada em sua honra S. Thomé.
De lá o apóstolo atravessou o Oceano e chegou, cerca do ano 60, no Brasil, onde ele ganhou muitos adeptos e morreu na idade de 70 anos.
Dos chefes e engenheiros fenícios e egípcios, sendo cortados da ligação com sua terra natal, alguns procuraram um novo terreno de sua atividade nas costas da América Central, onde eles foram os iniciadores da civilização mexicana. Já antes, foram estabelecidas comunicações e relações intelectuais entre os engenheiros egípcios, no alto Amazonas, e os povos Anichuas e Anthis do Peru. Assim se deu a origem da antiga civilização peruana.
Eis a marcha do trabalho intelectual dos povos americanos.”

:: Luiz Hugo Guimarães
www.luizhugoguimaraes.com.br

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