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terça-feira, 29 de março de 2011

O deputado do DEM, o racismo e seus equívocos conceituais.

Racismo é palavra impositiva carregada de significados, gentes, modos e ideologia.

Há séculos que o povo afro descendente vive condicionado a uma leitura estreita da identidade étnica, a partir dos estereótipos construídos e naturalizados pelas palavras composta de intenções malévolas.

As terras de Cabral, por excelência, não permitem a quebra da hegemonia eurocêntrica no centralismo do poder, como a querer abdicar de uma história incômoda, visando a desafricanização da sociedade brasileira.

O ministro Joaquim Barbosa incomoda muita gente e ter a história de Áfricas na pele, em um país extremamente racista como o Brasil, incomoda muito mais.

A condição que o ministro Joaquim Barbosa hoje ocupa na hierarquia política do país etnicista, possibilita, no imaginário social, a mobilidade do povo de pele preta para além dos navios negreiros.

É como um novo grito de independência. Sim, nós chegamos vamos ocupar o nosso lugar! São dias de fico. Como já bem o disse o imperador. Sim, nós podemos! Como reafirma o presidente negro.

O empresário e deputado federal Júlio Campos (DEM) ao se referir a um ministro do Supremo Tribunal Federal de “ilustre-magistrado-moreno-escuro”, além de corroborar com a veiculação de conotações racistas, mostra um flagrante desrespeito a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

O DEM é o mesmo partido do deputado Demóstenes Torres (DEM-GO), que afirmou que o estupro das mulheres negras e indígenas na colonização das terras de Cabral “se deu de forma muito mais consensual”.

Casa Grande x Senzala?

“O racismo tem sempre a desculpa de não-é-isso-que-quis-dizer”, mas diz em fartas, contundentes e pontiagudas expressões com alvo certo.

Já pensou se o nobre deputado esquece o nome da presidenta?

A raiz do preconceito é o medo de perdermos espaços para o outro que consideramos desigual
O racismo é invejoso dos lugares de poder que o povo de pele preta ou parda vem sistematicamente e persistentemente ocupando. Mesmo que ainda sejamos só um.

O ministro Joaquim Barbosa ocupa lugares reservados freqüentemente a elite dita branca nas terras de Cabral, e continuadamente tem recebido recados cifrados ou nem tanto: Este não é o seu lugar!

Para a Sua Excelência “aquele-que-disse-por-não-lembrar-naquele-momento-o-nome –do-magistrado”, as amplas maiorias minorizadas, dentre elas a população de pele parda ou preta, resume-se a uma coletividade anônima fulanizada por essa invisibilidade.

Joaquim Barbosa arca com o peso de ter rompido com a colonização de espaços secularmente construídos para abrigar personagens determinados pela história.

Precisamos de mais gente para reger essa orquestra.

Teremos?

Arísia Barros

Fonte: http://www.cadaminuto.com.br/blog/raizes-da-africa

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