Você encontra aqui conteúdos da disciplina História e Cultura Afro- Brasileira para estudos e pesquisas, como também, assuntos relacionados à Política, Religião, Saúde, Educação, Gênero e Sociedade.
Enfim assuntos sobre o passado e sobre nosso cotidiano relacionado à História do Brasil e do Mundo.








Seguidores


Visitantes

Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pré- História

Criacionismo e Evolucionismo

Criacionismo e Evolucionismo

Sem dúvida, um dos maiores mistérios da humanidade é a origem do homem e o porquê de nós sermos tão diferentes dos animais. O criacionismo e o evolucionismo são duas teorias que tentam explicar a criação e a evolução do homem.

A Bíblia Sagrada, mais especificamente no livro de Gênesis, narra toda a história da origem de tudo que há ao nosso redor, como Sol, estrelas e seres vivos, inclusive a do homem. O primeiro versículo da Bíblia já diz: “No principio criou Deus os céus e a terra”. Esta é a idéia central do criacionismo: Deus criou todas as coisas, inclusive o homem.

Diferentemente do criacionismo, o evolucionismo, fruto de um conjunto de pesquisas iniciadas pelo legado deixado pelo cientista Charles Darwin afirma que o homem é resultado de uma longa evolução iniciada há cerca de 5 milhões de anos, desde os Hominídeos até o Homo sapiens, o qual corresponde ao homem com suas características atuais.

Paleolítico

Paleolítico
Ilustração: o homem do Paleolítico caçando um gliptodonte.

O Paleolítico compreende o período que vai desde a origem do homem até 12 a 10 mil a.C. Nesta fase, o homem passou a utilizar a pedra lascada como instrumento principal. Isso foi de suma importância, pois é a partir desse momento que o mesmo passa a se diferenciar dos outros animais, usando sua capacidade racional para produzir suas próprias ferramentas.

Outro fator que marcou esse período da história foi o domínio do fogo. Se não fosse o calor do fogo, o homem não sobreviveria em um clima tão frio, já que essa fase foi marcada por intensas glaciações. Além do mais, isso permitiu um maior domínio sobre os animais e uma melhor condição de vida, uma vez que podia usar o fogo para assar a carne de animais.

Os homens desta época eram nômades e viviam em bandos. Tinham uma economia de subsistência, ou seja, caçavam, coletavam e pescavam para sobreviver. Havia certa organização e divisão de trabalho entre homens e mulheres. Os homens caçavam, já as mulheres eram responsáveis por atividades mais leves, como a coleta.

O homem do Paleolítico não acreditava em deuses, mas sim, em forças da natureza, sendo que existem indícios de rituais funerários nesse período. No final do Paleolítico, o homem já morava efetivamente em cavernas e caçava animais de grande porte, como mamutes e renas.

Neolítico

Neolítico
Durante o Neolítico se iniciou a divisão do trabalho e a diferenciação social. Os homens se dedicavam à caça e as mulheres, à agricultura e à educação das crianças.

O Neolítico, também denominado de Idade da Pedra Polida, é um período da Pré-História que compreende o espaço de tempo entre 12000 a.C. e 4000 a.C. O nome “Idade da Pedra Polida” é dado em referência ao fato de que, neste período, o homem aprendeu a polir a pedra e a fabricar instrumentos mais eficientes, como machados, lâminas de corte, serras, etc.

Neste período, o homem deu um dos passos mais importantes para seu desenvolvimento ao descobrir a agricultura. Assim, encontrou uma nova forma diferente e relativamente não-esgotável de obter alimentos, deixando de ser nômade para ser sedentário, ou seja, que possui um uma residência fixa. Os primeiros grupos e aldeias foram criados pertos dos rios, visto que as terras dessa região eram mais férteis.

O clima da Terra no Neolítico era bastante diferente doPaleolítico. De fato, a crosta terrestre se aqueceu, findando a Era Glacial. Isso permitiu a formação de rios e desertos. Foi nessa fase que se iniciou a divisão do trabalho e a diferenciação social. Os homens se dedicavam à caça e as mulheres, à agricultura e à educação das crianças. Surge também o comércio. O homem do Neolítico utilizava os métodos de trocas, uma vez que a moeda ainda não havia sido criada.

O homem desenvolveu técnicas de tecelagem e moagem. Também descobriu a roda e a tração animal, facilitando bastante sua vida. Uma vantagem desses avanços tecnológicos foi a utilização de roupas de lã negra e de pele de cabra.

Idade dos Metais

Idade dos Metais
Armas e ferramentas criadas durante a Idade dos Metais.

A Idade dos Metais é o último período da Pré-História. Tal fase compreende os dois últimos milênios antes do surgimento da escrita, em 3.500 a.C. A Idade dos Metais é majoritariamente caracterizada pela substituição das ferramentas de pedra por aquelas de metal. O primeiro metal utilizado foi o cobre; posteriormente, através da mistura do cobre e do estanho, o homem obteve o bronze, utilizado para fazer armas mais poderosas; finalmente, passou a utilizar o ferro em 1500 a.C.

O uso dos metais representou um grande avanço para o homem daquela época. As novas e mais eficientes ferramentas permitiram o desenvolvimento da agricultura e da criação de animais.

Com essa melhora, o homem começou a se deparar com o excedente, ou seja, aquela quantidade de alimentos que era produzida além de sua necessidade. Foi a partir daí que se iniciaram as primeiras disputas entre os homens, para ver quem ficaria com esses excedentes.

Os indivíduos vencedores dessas disputas passaram a impor seu domínio para com os outros, nascendo assim, a propriedade privada e a desigualdade social. Neste momento também, surgia a necessidade de um agente regulador das relações entre os homens e que garantisse a propriedade privada: o Estado.

Fonte: http://www.historiadetudo.com/pre-historia.html

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Os Flintstones - A Máquina do Tempo - 01 de 04


O desenho animado Os Flintstones criado pela dupla Hanna-Barbera foi ao ar pela primeira vez nos anos 60. Trata-se de uma História divertida que nada nos ensina sobre a Pré-História. Porém, o sucesso desse desenho indica o quanto a Idade da Pedra despertou cada vez mais interesse nas pessoas na segunda metade do século XX.
Os autores de Os Flintstones fizeram uma grande brincadeira ao lidar com o cotidiano e com os costumes da vida moderna ambientados na Pré-História.

Escreva sobre como isto ocorre neste vídeo..

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Os brasileiros precisam conhecer a história dos negros -


Responsável pelo parecer do Conselho Nacional de Educação que instituiu, há alguns anos, a obrigatoriedade do ensino da história da África e de seus descendentes nas escolas brasileiras, a gaúcha Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva é titular de Ensino-aprendizagem-Relações Étnico-Raciais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e coordenadora do Grupo Gestor do Programa de Ações Afirmativas da mesma universidade.

Com vasto currículo acadêmico, a professora possui, ainda, graduação em Português e Francês (1964), mestrado em Educação (1979) e doutorado em Ciências Humanas-Educação (1987), pela Universidade Federal do Rio grande do Sul. No exterior, cursou especialização em Planejamento e Administração no Instituto Internacional de Planejamento da UNESCO, em Paris (1977), e fez estágio de Pós-Doutorado em Teoria da Educação, na University of South Africa, em Pretória, África do Sul (1996).

Com toda essa bagagem, tornou-se uma das maiores especialistas em Educação Étnico Racial no Brasil e a primeira negra a pertencer ao Conselho Nacional de Educação. Com exclusividade à RAÇA BRASIL, Petronilha fala sobre os rumos da educação e da Lei 10.639, além do polêmico caso do livro Caçadas de Pedrinho, do escritor Monteiro Lobato. “Ele é um grande literato, mas era racista”, afirma.

Como nasceu a ideia de criar uma lei para ensinar nas escolas a história da Àfrica e seus descendentes?

Em 2002, fui conduzida ao Conselho Nacional de Educação por indicação do Movimento Negro. Aí, começaram a chegar algumas denúncias, como a acorrida num desfile de 7 de setembro, no Tocantins. Não me lembro o nome da cidade, mas não foi na capital. No evento desfilaram crianças de colégio. Um grupo desfilou andando no asfalto com os pés descalços como escravizados e uma menina branca, loura, carregada numa cadeirinha por dois meninos negros. Diziam que estavam contando a história dos transportes. Essa situação toda foi fotografada e fizeram uma exposição na prefeitura da cidade. O movimento negro local pediu para que fosse retirada. Como não o fizeram, o caso foi parar no Conselho.

Assim como a denúncia do livro de Monteiro Lobato?

Sim, mas chegavam casos dos mais variados. Lembro- me, por exemplo, do pai de um menino negro. A criança não queria ir à escola e o pai, querendo saber o motivo, descobriu que era por causa de um livro com uma representação negativa em imagens. Talvez as pessoas tivessem uma intenção, digamos, boa, só para dar um exemplo. Esse segundo caso chegou por meio do MEC.

O primeiro caso, do Tocantins, encaminhamos para a Secretaria do MEC de Educação Fundamental que, por sua vez, tomou providência. Isso para lhe dar um exemplo do tipo de demanda que chegava ao Conselho. Ao mesmo tempo, a gente sabia que havia uma expectativa, claro, do Movimento Negro. Eu propus que houvesse alguma manifestação do Conselho. Convidei militantes que estavam em Brasília para, quando estivéssemos em reunião do Conselho, participássemos paralelamente da reunião. Assim, vários militantes passaram a companhar as reuniões do Conselho. Surgia o embrião que resultaria na Lei 10.639.

Mas antes disso já havia professores e ativistas negros que trabalhavam a questão racial dentro das escolas em todo o Brasil.

Sim, havia um entendimento no Movimento Negro e professores que já trabalhavam com história e cultura afro-brasileira e africana, mas tinha que haver uma mudança nas relações entre negros e não negros, e isso exigiria a elaboração de diretrizes. Então, reunimos um grupo por, praticamente, dois anos.

Nessa comissão é que nos organizamos, de uma maneira informal, sem a oficialização do Conselho, e fizemos também uma programação, porque haveria mudança de governo. No mês de dezembro, apresentamos para a comissão que cuidava da transição uma proposta do que seria importante nos diferentes níveis de ensino, relativamente à população negra para um governo bom. Voltando às diretrizes, fizemos uma consulta, um questionário, que foi distribuído via internet para pessoas do movimento negro, professores, secretarias de educação, estudantes… Muitas discussões foram feitas.

Ou seja: o tema foi amplamente discutido com a sociedade. Houve resistência?

E muita. Houve quem ponderasse, na época, que isso poderia acirrar o racismo, e até hoje há quem ainda diga isso. Quando a lei foi aprovada, houve manifestação de diferentes intelectuais contrários a ela. “DIGO QUE ALGUMAS IDEIAS E SENTIMENTOS PRÉ-CONCEBIDOS CONTRA A POPULAÇÃO NEGRA INFLUI, SIM, NO FATO DE AS PESSOAS, POR EXEMPLO, ACHAREM QUE É DESNECESSÁRIO ENSINAR E EDUCAR AS RELAÇÕES RACIAIS NA ESCOLA, PORQUE ACHAM QUE ESTÁ TUDO BEM”

Entre os professores, também existe resistência em acatar a lei?

Não tenha dúvida, pois as leis de diretrizes exigem uma mudança de mentalidade do professor, uma mudança de mentalidade da relação do professor, inclusive com pessoas negras e da imagem que o professor tem das pessoas negras. Eu pergunto em cursos e palestras e peço para as pessoas pensarem: O que eu penso das pessoas negras? De onde vem o que eu penso sobre elas? Aprendi onde? Aprendi quando criança, brincando, ou aprendi estudando? De onde é que vem, qual é a raiz, a origem? Pergunto para as pessoas se darem conta de que elas, às vezes, se comportam sem ter muita clareza de onde vêm a origem e a raiz do seu comportamento.

A senhora diria que a resistência de alguns professores em não querer aplicar a lei se deve também a certo racismo?

Digo que algumas ideias e sentimentos pré-concebidos contra a população negra influi, sim, no fato de as pessoas, por exemplo, acharem que é desnecessário ensinar e educar as relações raciais na escola, porque acham que está tudo bem. De um lado é a necessidade de troca de mentalidade, de outro, um fato das normas legais que são adotadas. Os professores não têm ainda o hábito de lerem e interpretarem as leis de diretrizes, então, fica a cargo de uma coordenadora, de uma supervisora, que diz o que tem que ser feito. Fica nas mãos de um e de outro que pode até, por preconceito, fazer vistas grossas na aplicação da lei.

Em relação à lei, a maior crítica que se faz é quanto ao despreparo do professor para ensinar a matéria na sala de aula.

Os brasileiros precisam conhecer a história dos negros. O que acontece é que a lei de diretrizes de bases é, até certo ponto, explícita, mas tem muitos detalhes, trata de muitos níveis de ensino, e um artigo não dá toda a explicitação. Qual é o papel do Conselho Institucional de Educação diante disso? Interpretar as determinações legais, criar e oferecer elementos para que sejam implantadas. Quero dizer o seguinte: o termo, o artigo da lei é lacônico, mas as diretrizes curriculares que regulamentam para que se possa implantar são detalhadas. Uma das coisas que ela diz é que é preciso criar condições para que os professores implantem entre eles, recebendo informações, fazendo cursos, criando materiais. Mas isso cabe a quem? Cabe à Secretaria de Educação e aos próprios estabelecimentos de ensino, cabe às mantenedoras.

Existe alguma punição para a escola, professor ou secretaria que não esteja cumprindo a lei?

Por iniciativa do próprio Ministério Público, no Rio de Janeiro tem um grupo de advogados que estimulou essa cobrança. A minha universidade, por exemplo, já recebeu. O Ministério Público foi perguntando: Existe uma lei. O que vocês fizeram? Como universidade, tem cumprido o que está determinado? Recentemente, o Ministério Público da região de São Carlos chamou as secretarias municipais de educação e perguntou: O que vocês têm feito? Vocês têm um setor da secretaria ou uma seção para cuidar disso? Se não tem, tem que ter! Chamou a nossa universidade também para dizer: Eles precisam criar condições e vocês têm que ajudar a criar essas condições. O Ministério Público é que tem se encarregado e faz esse controle.

E qual tem sido a resposta?

Para você ter uma ideia, no Rio Grande do Sul, o Ministério Público fez uma cartilha para que não chegassem com a grande e maior desculpa que é: Não temos material!

Logo que foi promulgada a lei e que saíram as diretrizes curriculares, a gente até poderia dizer que os materiais eram muito escassos. Não é que eles fossem de fato inexistentes, mas acontecia que grande parte deles era produzida pelo movimento negro, por pessoas, individualmente. O número das publicações para divulgação era muito restrito, era apenas para aquele universo. Existia tanto que as professoras ligadas ao Movimento Negro ou, sabendo da existência dele, e que se deram ao trabalho de ler as diretrizes que indicavam que o Movimento Negro deveria ser consultado, fizeram isso e tinham material.

Mas, hoje, não dá para dizer que não há material. A Secretaria de Educação e o MEC publicaram muito coisa e compraram também.

Então, quem não aplica a lei atualmente, é mais por falta de vontade?

Eu acho que sim. Diria que é má vontade, na medida em que o projeto de sociedade inclui uma sociedade elitista, onde há discriminação. As pessoas vão ter que revisar as suas posições em relação às outras. Esse é o grande Brasil. Não é só saber algumas coisas. Então, o que acontece, as escolas estão fazendo ainda atividades pontuais.

O que a senhora achou da polêmica com o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato?

O que está em questão no parecer do Conselho, com muita clareza, não é a qualidade literária da obra, que não está dizendo que ele é um mau autor.

Está dizendo que ele escreveu, em uma época, coisas que desqualificam a população negra, ele teve atitudes racistas e que isso vai reforçar essas atitudes nas crianças que lerem e vão fazer com que as crianças negras se sintam discriminadas, sofram e tenham vergonha de serem negras. É isso que está dizendo o parecer. É importante que o próprio livro chame a atenção do professor para este fato e que se faça um encaminhamento para saber como os professores lidam com isso. Há muito tempo não leio Monteiro Lobato e me dei conta do por quê chamam tanto as crianças negras de macacas. “Ah! O Monteiro Lobato está chamando!”A Emília é uma boneca, é o personagem preferido do … Seja uma boneca, uma árvore, um rato, não importa, esse personagem traz essa mensagem. Nas escolas chamam as crianças negras de macacas, mas o Monteiro Lobato está ensinando.

“A CRIANÇA NEGRA TEM QUE LER SABENDO QUE ESSA PESSOA ERA UMA PESSOA RACISTA, QUE NÃO GOSTAVA DE NEGROS. SE GOSTASSE, NÃO ESCREVERIA NEM SE REFERIRIA A ELES DESSA FORMA”

Qual a sua opinião sobre Monteiro Lobato?

Ele é um grande literato, mas era racista, tinha uma posição dentro de sua época e isso tem que ser pontuado. Eu vou fazer a crítica de uma obra literária? Vou sim, se essa obra faz mal para alguém. A criança negra tem que ler sabendo que essa pessoa era uma pessoa racista, que não gostava de negros. Se gostasse, não escreveria nem se referiria a eles dessa forma. E as crianças têm de ser reforçadas para não sofrerem. Elas têm que conhecer Monteiro Lobato e as crianças brancas têm que saber que ele era racista e que isso faz sofrer, desqualifica as pessoas e a gente quer uma sociedade democrática.

Como uma família deve agir se perceber que a escola de seu filho não obedece à lei?

Se o pai e a mãe perceberem que na escola de seus filhos estão contempladas somente imagens e histórias de crianças brancas, devem pegar o parecer e ir até lá dizer: “Olha, está escrito, foi o Conselho Nacional de Educação, quero ver quando vão obedecer a essa lei”. Tenho certeza que o dia em que os pais entrarem na escola com os pareceres, cobrando da escola, as coisas vão mudar.

TEXTOS E FOTOS MAURÍCIO PESTANA
Fonte : Revista Raça

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Carnaval e Sua História

Nestes dias em que toda a folia é permitida, muitos esquecem que o carnaval é hoje uma festa “controlada” pela Igreja Católica! Isso mesmo, apesar de não parecer toda esta festa faz parte do calendário católico. Tanto é verdade que a data do carnaval é marcada com base na Páscoa, uma das mais sagradas festas cristãs, já que comemora a ressurreição de Jesus Cristo. É importante lembrar que a Páscoa católica não é a mesma Páscoa judaica. A data da Páscoa cristã foi fixada pelo Concílio de Nicéia (325 d.C.) convocado pelo imperador Constantino.

A coisa é bem complicada. Primeiro é necessário se determinar oequinócio da primavera, que ocorre entra os dias 21 e 22 de março no hemisfério norte. Observando a lua nova que antecede o equinócio, o primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março, é entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode ser entre 22 de março e 25 de abril. O domingo de carnaval é sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa. Ufa !! É assim que a Igreja pode determinar qual será a data tanto da Páscoa como do Carnaval.

Vale também lembrar que a Igreja estabeleceu no Sínodo de Benevento (1091), que os cristãos deveriam jejuar de carne durante os 40 dias antes da Páscoa, a exemplo de Jesus, que jejuou por 40 dias no deserto. Foi então instituída a Quaresma, que será o período que vai começar na quarta feira de cinzas e terminará no domingo de Páscoa.

Mas, você pode estar se perguntando, como surgiu esta festa tão popular aqui no Brasil? Existem algumas versões que ajudam a explicar como ela nasce, basicamente todas tratam o assunto mais ou menos assim:

A origem do Carnaval é anterior à era Cristã tendo se iniciado na Itália com o nome de Saturnálias (festa em homenagem a Saturno). As divindades da mitologia greco-romana BACO e MOMO dividiam as honras nos festejos, que aconteciam nos meses de novembro e dezembro. Durante as comemorações em Roma, acontecia uma aparente quebra de hierarquia da sociedade, já que escravos, filósofos e tribunos misturavam-se em praça pública. Com a expansão do Império Romano, as festas tornaram-se mais animadas e freqüentes.

No início da era Cristã, começaram a surgir os primeiros sinais de censura aos festejos mundanos na medida em que a Igreja Católica se solidificava. Querendo impor uma política de austeridade, a Igreja determinava que esses festejos só deveriam ser realizados antes da Quaresma.

A festa chegou a Portugal nos séculos XV e XVI, recebendo o nome de Entrudo, isto é, introdução à Quaresma, através de uma brincadeira agressiva e pesada. Foi exatamente esse Entrudo violento que aportou no Brasil.

Na segunda metade do século XIX, o jornal Diário da Bahia e a Igreja Católica criticavam e pediam providências às autoridades policiais contra o Entrudo. Neste, os participantes molhavam quantos andassem pelas ruas, invadiam as casas para molhar as pessoas e não se importavam que fosse gente doente ou idosa.

Em 1853 o Entrudo passou a ser reprimido com força policial. Foi exatamente neste período que o carnaval começou a surgir com um formato diferente. Esse nasce dividido em duas classes distintas: o Carnaval de Salão, com a participação de brancos e mulatos da classe média, e o Carnaval de Rua, que contava com a participação de negros e mulatos pobres.

Em 1860 o Teatro São João (BA) começou a realizar arrojados bailes de mascarados, na noite de sábado, iniciando as festas como músicas baseadas em trechos da ópera italiana “La Traviata”. Em seguida, eram tocadas Valsas Polcas e Quadrilhas.

Na época, havia o perigo do homem formado e do negociante serem vistos mascarados. Em razão disso, casas de fantasias e cabeleireiros mantinham especialistas em disfarces.

Como os bailes carnavalescos não estavam ao alcance de todos, nem de acordo com o conceito de muitos, era necessário estimular a sua ida para as ruas. Por isso, os subdelegados foram autorizados a distribuir gratuitamente máscaras a que quisesse brincar o carnaval. Os comerciantes logo aderiram à idéia de olho no melhor faturamento, e começaram a adotar o Carnaval em substituição ao Entrudo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

História da África

Cultura africana, povos, história, Bérberes, Bantos, Império de Gana, civilizações antigas, economia, arte, religião, trabalho e sistemas de produção, alimentação, saúde, comércio

história da áfrica e cultura africana

Bérberes: os nômades do deserto

Nas escolas e nos livros, costumamos estudar apenas a história de um povo africano: os egípcios. Porém, na mesma época em que o povo egípcio desenvolvia sua civilização, outros povos africanos faziam sua história. Conheceremos abaixo alguns destes povos e suas principais características culturais.

O povo Bérbere

Os bérberes eram povos nômades do deserto do Saara. Este povo enfrentava as tempestades de areia e a falta de água, para atravessar com suas caravanas este território, fazendo comércio. Costumavam comercializar diversos produtos, tais como : objetos de ouro e cobre, sal, artesanato, temperos, vidro, plumas, pedras preciosas etc.

Costumavam parar nos oásis para obter água, sombra e descansar. Utilizavam o camelo como principal meio de transporte, graças a resistência deste animal e de sua adaptação ao meio desértico.

Durante as viagens, os bérberes levavam e traziam informações e aspectos culturais. Logo, eles foram de extrema importância para a troca cultural que ocorreu no norte do continente.

Os bantos

Este povo habitava o noroeste do continente, onde atualmente são os países Nigéria, Mali, Mauritânia e Camarões. Ao contrário dos bérberes, os bantos eram agricultores. Viviam também da caça e da pesca.

Conheciam a metalurgia, fato que deu grande vantagem a este povo na conquista de povos vizinhos. Chegaram a formar um grande reino ( reino do Congo ) que dominava grande parte do noroeste do continente.

Viviam em aldeias que era comandada por um chefe. O rei banto, também conhecido como manicongo, cobrava impostos em forma de mercadorias e alimentos de todas as tribos que formavam seu reino.

O manicongo gastava parte do que arrecadava com os impostos para manter um exército particular, que garantia sua proteção, e funcionários reais. Os habitantes do reino acreditavam que o maniconco possuía poderes sagrados e que influenciava nas colheitas, guerras e saúde do povo.

Os soninkés e o Império de Gana

Os soninkés habitavam a região ao sul do deserto do Saara. Este povo estava organizado em tribos que constituíam um grande império. Este império era comandado por reis conhecidos como caia-maga.

Viviam da criação de animais, da agricultura e da pesca. Habitavam uma região com grandes reservas de ouro. Extraíam o ouro para trocar por outros produtos com os povos do deserto (bérberes). A região de Gana, tornou-se com o tempo, uma área de intenso comércio.

Os habitantes do império deviam pagar impostos para a nobreza, que era formada pelo caia-maga, seus parentes e amigos. Um exército poderoso fazia a proteção das terras e do comércio que era praticado na região. Além de pagar impostos, as aldeias deviam contribuir com soldados e lavradores, que trabalhavam nas terras da nobreza.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

XXVI SIMPÓSIO NACIONAL HISTÓRIA


ANPUH 50 anos
São Paulo, 17 a 22 de julho de 2011.
Universidade de São Paulo (USP)
Cidade Universitária

ANPUH 50 ANOS: Comemorações

Em 1961, em reunião na cidade de Marília, foi criada a ANPUH - Associação Nacional dos Professores Universitários de História, hoje transformada na Associação Nacional de História, pois a entidade se abriu para a filiação de todos os profissionais de História, inclusive aqueles que atuam no Ensino Fundamental e Médio, e nas instituições voltadas ao Patrimônio Histórico. Esta entidade, portanto, está completando no ano de 2011, 50 anos de existência, que serão comemorados quando da realização de seu XXVI Simpósio Nacional de História, evento tradicionalmente promovido por esta Associação, o qual ocorrerá entre 17 e 21 de julho de 2011, na cidade de São Paulo, nas dependências do campus da Universidade de São Paulo.

A palavra comemorar vem do latim commemorare e significa trazer a memória, fazer recordar, fazer lembrar, solenizar recordando. A comemoração, portanto, se relaciona com o campo da memória, da memória voluntária, aquela em que se convoca à lembrança, em que um evento, uma solenidade convoca à recordação de um fato, de um feito, de um evento, de um acontecimento, de uma data, de um personagem. A comemoração tem, pois, a finalidade de provocar a recordação e de, solenizando uma ocasião, forçar a lembrança, fazer lembrar algo que seria individual ou coletivamente relevante, que deveria ser inesquecível.

Nós, historiadores, costumamos lidar com os artefatos da memória, por isso, as comemorações nos interessam, também estão afeitas ao nosso campo. Como sabemos, a historiografia se relaciona de uma maneira crítica com as diversas formas e versões das memórias, entre elas os eventos comemorativos. Assim, faremos da oportunidade em que comemoraremos os 50 anos de fundação da entidade máxima de representação acadêmica e política dos historiadores, um momento privilegiado de reflexão sobre os vários sentidos, significados e, inclusive, implicações políticas do comemorar, em nossa sociedade e em nosso tempo, bem como em outras sociedades e em outros momentos históricos.

Convidamos a todos os profissionais da área da história ou nela interessados para, de modo solene, durante o próximo Simpósio Nacional, lembrar o percurso de nossa Associação, suas lutas, conquistas e derrotas e nos debruçar sobre sua memória, sempre de modo crítico e questionador, para que ela possa dar novos passos no sentido de sua consolidação institucional.

Comemorar significa a elaboração de uma dada versão do passado, daquilo ou daquele que é lembrado (e esquecido); o ato de comemorar implica fazer escolhas por dadas versões, por dados significados daquilo que se comemora; implica também, como toda atitude de memória, a produção de esquecimentos, de silêncios, de omissões. Convidamos, portanto, a que venham a São Paulo comemorar o cinquentenário de nossa entidade, mas que venham fazê-lo do melhor modo, que é exercendo a nossa própria atividade, não abrindo mão de nossa obrigação social de sermos analistas críticos das memórias em todas as suas formas de elaboração e difusão. Enfim, comemorar indagando sobre os sentidos políticos e sociais desta prática, nos diferentes contextos e nas diferentes temporalidades em que se deram e em que se dão esses atos de evocação. Festejar, solenizar sem abrir mão da atividade de reflexão sobre as implicações do ato comemorativo. Portanto, vamos todos juntos festejar e pensar!

Fonte: ANPUH