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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Escola Zumbi dos Palmares é inaugurada em Camaçari



A escola Zumbi dos Palmares foi entregue hoje (21/02) à comunidade do Parque Real Serra Verde, em Camaçari. Espaço público destinado à educação, a escola venceu a barreira do preconceito e ainda homenageia um mártir da luta do povo negro.

Ao entregar a unidade à população, o prefeito Luiz Caetano citou que o atual governo é laico e feito para todos. “Aqui não há espaço para o preconceito. Isso é coisa de gente ultrapassada do ponto de vista da moral e da cultura”.

A escola é fruto de uma parceria firmada entre a Prefeitura de Camaçari e da Associação Beneficente Cultural e Religiosa do Terreiro de Lembá, que cedeu o terreno para construção. A unidade de ensino vai atender as crianças que estudavam na extensão da unidade da Colônia Montenegro. De acordo com o secretário da Educação, Luiz Valter Lima, há ainda um projeto de construção de uma outra escola na localidade para atender a comunidade do Parque Real Serra Verde.

Em discurso, o prefeito Caetano informou aos pais e alunos que a Prefeitura vai entregar um kit com material didático, contendo uma mochila, um par de tênis e duas camisas da farda. O material integra o projeto municipal Mochila Amiga e não utiliza o dinheiro do repasse obrigatório à educação, de 25% da renda municipal. Por fim, ele salientou que a escola é o segundo lar das crianças e a participação dos pais é muito importante.

A moradora Luziete Conceição Souza, 29 anos, não perdeu tempo e matriculou o filho João Lucas de 4 anos. “A escola está muito bonita e acredito que o ensino também seja de boa qualidade”, comentou. Quanto à resistência de algumas pessoas em relação à unidade funcionar em uma área cedida por um terreiro de candomblé, ela foi taxativa: “Para mim, isso é preconceito puro. Felizmente vivemos em um país democrático e eu matriculei meu filho porque quero que ele estude e evolua. Eu o trouxe para cá, como levaria para uma escola nas igrejas ou em qualquer outro lugar”.

Feliz com a inauguração, o presidente da Associação Beneficente Cultural e Religiosa do Terreiro de Lembá, Táta Ricardo Tavares, falou que cedeu o espaço diante da necessidade da comunidade. Ele credita também a contribuição dos movimentos sociais para tornar a escola bonita e harmoniosa. “A escola é um espaço laico que visa promover a educação, elevar a auto-estima da população e possibilitar um futuro promissor às crianças”.

Durante a inauguração, o vereador Alfredo Andrade (PSB) parabenizou o prefeito Caetano pela obra, e a comunidade por interagir com o projeto. O vereador José Marcelino (PT), salientou que a escola é o elemento mais forte que existe na sociedade. Ele ressaltou ainda que as crianças vão poder contar com uma escola mais próxima de casa.

Participaram da cerimônia o deputado estadual Bira Coroa (PT), o ouvidor do Estado, Jones Carvalho, os secretários municipais da Administração, Ademar Delgado, da Saúde, Camilo Pinto, da Cultura, Vital Vasconcelos, de Relações Institucionais, Ademar Lopes, da Fazenda, Paulo Cézar Gomes, o diretor presidente da Limpec, Domingos Barbosa, e o superintendente interino da STT, Orlando Gomes.

Também marcaram presença os vereadores Bispo Jair (PRB) e Carmem (PTB), além de Rosa Oliveira, representante de Vanda Sá Barreto, secretária estadual da Promoção da Igualdade (Sepromi), e representantes dos movimentos negros de Camaçari.



A ESCOLA

Um ambiente alegre e acolhedor, a unidade de ensino conta com parque infantil, horta comunitária, duas salas de aula, direção, cozinha, refeitório, além da dispensa, depósito e banheiros. Todos bem coloridos e decorados com temas infantis.

A unidade tem capacidade para atender 100 alunos com idade entre 4 e 8 anos que estudam no pré-escolar e nos três primeiros anos do ensino fundamental I. As aulas iniciam amanhã (22/02) e o secretário da Educação, Luiz Valter, garantiu que às 800 horas/aulas e os 200 dias úteis previstos na legislação serão cumpridos mediante programa de reposição, uma vez que as aulas da rede começaram no último dia 7.

A construção da unidade representou investimento de R$ 180 mil.


Fonte: http://www.camacariacontece.com.br/detalhe.php?cod_noticia=9449&titulo=a

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Demétrio Magnoli - O pensamento racista e a discriminação racial na escola


Nesta entrevista, o professor, sociólogo e doutor em Geografia Humana Demétrio Magnoli fala sobre a formação do pensamento racista no Brasil e sobre como a escola deve tratar a questão da discriminação racial.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mulheres são maioria entre jovens fora da escola e do mercado de trabalho

Amanda Cieglinski

Da Agência Brasil

Em Brasília
Parte da população de 18 a 24 anos do país faz parte de um grupo que nem estuda nem trabalha. São cerca de 3,4 milhões de jovens que representam 15% dessa faixa etária. Um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostra que as mulheres são mais afetadas por esse problema, muitas vezes em função da maternidade e do casamento.
Do total de jovens fora da escola e do mercado de trabalho, 1,2 milhão concluiu o ensino médio, mas não seguiu para o ensino superior e não está empregado. A proporção de jovens nessa situação aumentou de 2001 a 2008, segundo o Inep, e quase 75% são mulheres. Uma em cada quatro jovens nessa situação tinha filhos e quase metade delas (43,5%) era casada em 2008.
Para Roberto Gonzales, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o estudo reflete que a desigualdade de gênero ainda persiste não apenas na diferença salarial, mas no próprio acesso ao mercado de trabalho. “Isso tem muito a ver com a divisão do trabalho familiar, seja doméstico ou de cuidados com o filho. É uma distribuição muito desigual e atinge em especial as mulheres, por isso você tem tantas meninas fora do mercado e da escola”, diz.
Entre as mulheres de 18 a 24 anos que estão na escola e/ou no mercado de trabalho, o percentual daquelas que têm filhos é cinco vezes menor. Segundo o estudo, os dados comprovam que “existe forte correlação entre casamento/ maternidade e a saída, mesmo temporária, da escola e do mercado de trabalho observada para as mulheres”.
Uma vez que o processo de escolarização foi quebrado, o retorno aos estudos é bem mais difícil. Para Gonzales, esse afastamento do jovem do mercado de trabalho ou dos estudos pode não ser apenas uma situação “temporária”, como sugere o estudo. Um dos fatos que corroboram essa teoria é a queda da matrícula entre 2009 e 2010 nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), segundo dados do último censo escolar.
“A baixa escolaridade não é uma barreira absoluta ao mercado de trabalho, mas é um problema porque há a possibilidade de criar-se um círculo vicioso. A mulher não terá acesso a bons empregos que dariam experiência profissional e poderiam melhorar sua inserção no futuro”, alerta.
Gonzales afirma ainda que as políticas públicas precisam ser mais flexíveis e acompanhar os “novos arranjos” da sociedade para garantir mais apoio a esse grupo de jovens mães. “As pessoas costumam ter uma ideia mais tradicional de educação em que os pais provêm o sustento para que o filho termine a escolaridade, depois ele segue para o ensino superior e entra no mercado de trabalho. E, na realidade, esses eventos não acontecem necessariamente nessa ordem. Assim como temos muitos jovens casais, também temos famílias monoparentais chefiadas por mulheres com filho e isso, muitas vezes, abre espaço para outras trajetórias de vida”, explica.
Uma das estratégias básicas para garantir que a jovem consiga prosseguir com seus estudos ou ingressar no mercado é a ampliação da oferta em creche. Atualmente, menos de 20% das crianças até 3 anos têm acesso a esse serviço no país. “Essa é uma das principais barreiras alegadas pelas mulheres inativas”, indica Gonzalez.