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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Revolta da Vacina

Gostaria de começar este artigo relembrando o que já vimos sobre a “variolização”. Com a adoção deste procedimento, muitas pessoas que estavam saudáveis passavam a adquirir a doença. Isso causou, por toda a parte, um enorme pânico, que por muitas vezes se mostrou generalizado, quando as autoridades de saúde, já de posse das primeiras vacinas, e não mais da técnica da variolização, obrigavam as pessoas a se vacinar. Para o povo as imagens das mortes causadas pela antiga variolização ainda estavam muito presente, e por isso, uma vacinação em massa estava fora dos objetivos, e dos desejos, desta mesma população.

Esse era o impasse. Os resultados com a vacinação já se mostravam promissores por todo o mundo. Mas quando Oswaldo Cruz resolveu estabelecer esse procedimento para a população do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, para a erradicação da varíola, as pessoas não quiseram aceitar a vacinação. Com isso, a República que acabara de nascer em 1889 já enfrentava mais uma revolta popular.

O Rio de Janeiro no começo do século XX

A Situação do Rio de Janeiro era extremamente precária. Por todo o lado existiam cortiços onde as condições de vida e de higiene beiravam ao caos total. Isso pode ser visto, por exemplo, na obra de Aluísio de Azevedo “O Cortiço”, onde o autor demonstra toda essa violência sofrida pelo povo pobre do Rio de Janeiro. Além do mais, sabemos muito bem hoje, que condições de higiene precárias levam, inevitavelmente, a um crescimento exponencial das doenças na comunidade. E assim encontrava-se a capital do Brasil: Suja, doente e miserável! Era necessário, segundo os ideais republicanos que nasciam, fazer algo para sanear aquela cidade.

Preocupado com esta situação, o então presidente Rodrigues Alves colocou em prática um projeto de saneamento básico e reurbanização do centro da cidade. Para que isso acontecesse, ele designou o médico e sanitarista Oswaldo Cruz para a chefia do Departamento Nacional de Saúde Pública. É neste momento que o problema começa.

A população do Rio vai enfrentar naquele momento, e de uma só vez, mudanças drásticas em sua vida. De um dia para o outro, a reurbanização do Rio vai levar a destruição para inúmeros cortiços. Com isso, a população pobre, que não poderá pagar pelas novas casas da “nova capital”, vai ter que se mudar para a periferia. Acontece que a periferia do Rio de Janeiro é o morro! Nasciam assim as primeiras favelas. Esse processo violento, que já estava em prática desde 1902, vai sofrer um acréscimo de tensão quando, em novembro de 1904, a campanha de vacinação obrigatória é colocada em prática. Esse decreto era extremamente arbitrário, pois impunha o método de extirpação da varíola de modo extremamente rígido! Aqueles que não aceitassem a vacinação eram presos, vacinados à força, pagavam multas e até perdiam os empregos. Estava montado, assim, o palco da “guerra”.

A elite brasileira viu em todo esse processo um grande avanço, afinal o Brasil estava sendo saneado e deixava finalmente as suas raízes coloniais para traz, entrando, assim, de vez na Modernidade. Mas o povo que sofria com todas estas imposições não estava nada feliz. Então, em novembro de 1904, o povo sai para as ruas e resiste ao decreto! Com isso, as manifestações populares e conflitos espalham-se pelas ruas da capital brasileira. Populares destroem bondes, apedrejam prédios públicos e espalham a desordem pela cidade. Em 16 de novembro de 1904, o presidente Rodrigues Alves revoga a lei da vacinação obrigatória, colocando nas ruas o exército, a marinha e a polícia para acabar com os tumultos. Estes vão utilizar da repressão brutal contra a população; repressão esta que vai durar por meses antes de arrefecer. Com isso, a cidade do Rio voltava, na “marra”, a “calma e a ordem”, mas não sem antes mostrar para a elite que o povo também pode lutar!

Referências:
A Revolta da Vacina - Nicolau Savcenko - Editora Scipione

Complemente sua leitura com este vídeo:

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Programação Atividade CONEN/BA- Malês, Uma Outra Revolta


Lançamento da campanha

Implantação de Símbolos Referenciais

da Revolta dos Malês na Bahia

“MALÊS, UMA OUTRA REVOLTA !!!”

ATO DE LANÇAMENTO

25 JANEIRO / 2011 (TERÇA – FEIRA)

PRAÇA DO CAMPO DA PÓLVORA - FORUM RUI BARBOSA - BAIRRO DE NAZARE

PROGRAMAÇÃO

DAS 14:00 ÀS 14:30 - RECITAL DE POESIAS NEGRAS.

DAS 14:30 ÀS 15:00 - PERFORMANCE DE DANÇA CONTEXTUALIZADA.

DAS 15:00 ÀS 15:30 - PERFOMANCE TEATRAL.

DAS 15:30 ÀS 16:00 - PRONUNCIAMENTOS.

DAS 16:00 ÀS 16:30 - AULA PÚBLICA SOBRE A REVOLTA DOS MALÊS.

DAS 16:30 ÀS 17:00 - APRESENTAÇÃO DE MUSICAS SOBRE A REVOLTA DOS MALÊS.

DAS 17:00 ÀS 17:30 - HOMENAGEM A LUIZA MAHIM COM LEITURA COLETIVA DO POEMA ”MINHA MÃE” DO SEU FILHO LUIZ GAMA.

DAS 17:30 ÀS 18:00 - LETURA COLETIVA DO MANIFESTO DE LANÇAMENTO DA CAMPANHA.

DAS 18:00 ÀS 18:30 - EXALTAÇÃO A PRESENÇA ESPIRITUAL DOS LIDERES DA REVOLTA FUZILADOS NA PRAÇA.

Revolta dos Malês- Rebelião de escravos muçulmanos em Salvador




Reprodução

Negro muçulmano, em gravura de Jean-Baptiste Debret

Uma revolta de escravos africanos ocorreu em Salvador, na madrugada de 25 de janeiro de 1835. O movimento envolveu cerca de 600 homens. Tratava-se, em sua imensa maioria, de negros muçulmanos, em especial da etnia nagô, de língua iorubá. Vem daí o nome que a rebelião recebeu: Revolta dos Malês. A expressão "malê" provém de "imalê", que no idioma iorubá significa muçulmano.

O primeiro alvo dos rebeldes - inicialmente um grupo de 60 homens - foi a Câmara Municipal de Salvador, em cujo subsolo localizava-se uma prisão onde estava preso o velho Pacífico Licutan, um dos mais populares líderes malês. Entretanto, o ataque à prisão não obteve sucesso, devido à reação conjunta dos carcereiros e da guarda do palácio do governo, situada na mesma praça (a atual praça Tomé de Sousa).

Esse primeiro grupo de rebeldes espalhou-se então pelas ruas da cidade, convocando os outros escravos a se unirem a eles. Durante algumas horas, a revolta expandiu-se por diversas regiões de Salvador, traduzindo-se em confrontos violentos entre os revoltosos e as forças policiais. Os malês foram duramente reprimidos e, afinal, vencidos. Mais de 70 rebeldes e cerca de dez soldados morreram nos combates.

Não se conhecem os planos dos revoltosos no caso de uma vitória do movimento. O historiador João José dos Reis, estudioso do episódio, afirma que "há indícios de que não tinham planos amigáveis para as pessoas nascidas no Brasil, fossem estas brancas, negras ou mestiças. Umas seriam mortas, outras escravizadas pelos vitoriosos malês".

Morte, prisão e desterro

Dezesseis dos acusados pela revolta foram sentenciados à morte, mas, posteriormente, 12 deles conseguiram ter sua pena comutada. Quatro foram executados no Campo da Pólvora, no dia 14 de maio de 1835, por um pelotão de fuzilamento. Os outros malês receberam diversos tipos de punição: prisão simples, prisão com trabalho, açoite e deportação para a África.

Para se ter uma idéia do rigor do castigo, convém mencionar que a pena de açoites variava de 300 até 1.200 chicotadas, que foram distribuídas ao longo de vários dias. O idoso Pacifico Licutan recebeu 1.200 chibatadas e outro condenado à mesma sentença morreu em decorrência disso.

Na época da revolta, Salvador contava com aproximadamente 65 mil habitantes, dos quais cerca de 40 % eram escravos. No entanto, incluídos homens livres e alforriados, os negros e os mestiços representavam 78 por cento da população. De qualquer modo, a identidade étnica e religiosa teve grande importância no movimento. Os negros nascidos no Brasil, por exemplo, não participaram da revolta. Ela se deveu exclusivamente aos africanos islâmicos, em especial de origem nagô.

O medo de uma nova revolta se instalou durante muitos anos entre os habitantes livres de Salvador, bem como nas demais províncias brasileiras. Em quase todas elas, principalmente no Rio de Janeiro, sede do Império do Brasil, os jornais noticiaram o ocorrido na Bahia. Por isso, as autoridades passaram a submeter a população africana a uma vigilância mais cuidadosa, bem como, muitas vezes, a uma repressão abusiva.

Fonte: João José Reis, "Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835", São Paulo, Companhia das Letras, 2003.

Vídeo Revolta dos Malês

sábado, 22 de janeiro de 2011

MALÊS, UMA OUTRA REVOLTA !!!


Implantação de Símbolos Referenciais

da Revolta dos Malês

NO CAMPO DA PÓLVORA

O ATO HERÓICO DA REVOLTA DOS MALÊS, OCORRIDO NO DIA 25 DE JANEIRO DE 1835, NESTA CIDADE DO SALVADOR, SE CONSTITUI EM UM REFERENCIAL DE ALTO GRAU DE SIMBOLISMO PARA A O NECESSÁRIO GRIFO HISTÓRICO, POLÍTICO E CULTURAL DA PARTICIPAÇÃO DO POVO NEGRO NAS LUTAS DESDE ÁFRICA ATÉ O BRASIL CONTRA O PODER ASSASINO E OPRESSOR, UMA CONTRIBUIÇÃO À ELEVAÇÃO E CONSOILIDAÇÃO DA AUTO – ESTIMA DE PERTENCIMENTO NA DIÁSPORA AFRICANA.

ESTE FATO HISTÓRICO, QUE ENVOLVEU NEGROS E NEGROS ESCRAVIZADOS, DE DIVERSAS ORIGENS DO CONTINENTE AFRICANO, MARCOU SITIOS, PRAÇAS LADEIRAS, RUAS E BECOS DA CIDADE DO SALVADOR, HOJE PARA NÓS SITIOS HISTÓRICOS REVOLUCIONÁRIOS DAQUELE MOMENTO DE REBELIÃO A EXEMPLO DA LADEIRA DA PRAÇA, BAIXA DOS SAPATEIROS, PELOURINHO, TERREIRO DE JESUS, PRAÇA MUNICIPAL, PRAÇA CASTRO ALVES, BARROQUINHA, PALMA, PREGUIÇA, CAMPO DA PÓLVORA, SÃO BENTO, ÁGUA DE MENINOS, ETC.

TANTO QUANTO A REVOLTA DOS BÚZIOS OCORRIDA NO FINAL DO SÉCULO 18, ESTA REBELIÃO MALÊ OCUPA PAPEL SINGULAR NA HISTÓRIOGRAFIA DA PARTICIPAÇÃO DO POVO NEGRO NA LUTA CONTRA O PODER OPRESSOR NO BRASIL COLONIAL.

NÃO TEMOS DÚVIDA QUE, CASO TIVESSEMOS SIDOS VITORIOSOS(AS) NAQUELA BATALHA, A SOCIEDADE ATUAL TERIA SEU TECIDO SOCIO – POLÍTICO COM JUSTIÇA SOCIAL.

APESAR DE REPRIMIDO, TORTURADO E EXECUTADO PELO BRAÇO ARMADO DO ESTADO, AQUELE MOVIMENTO FOI CERTAMENTE O MAIS IMPORTANTE NAS AMERICAS E IMPACTOU SIGNIFICATIVAMENTE A SOCIEDADE BRASILEIRA DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 19, TAMANHA FOI A OUSADIA REVOLUCIONÁRIA, CONSIDERANDO TAMBEM A FURIA DA PUNIÇÃO APLICADA PELO PODER OPRESSOR RESPONSÁVEL PELO SENTENCIAMENTO DE 231 PESSOAS E CONSUMAÇÃO DO FUZILAMENTO DE QUATRO LIDERES NA PRAÇA DO CAMPO DA PÓLVORA.

COM BASE NO CONJUNTO DE SIMBOLISMOS E REFERÊNCIA HISTÓRICA PARA TODO ESTADO DA BAHIA, A PARTIR DA REALIDADE DO INEGAVEL FATO DE SER O MESMO, UM ESTADO E UMA CAPITAL DE INQUESTIONAVEL MAIORIA NEGRA, É QUE NÓS ESTAMOS CONCLAMANDO TODA A SOCIEDADE BRASILEIRA, PARTICULARMENTE A BAIANA E EM ESPECIAL A POPÚLAÇÃO NEGRA , BEM COMO TODAS AS INSTITUIÇÕES COMPROMETIDAS, PARA ENGROSSAREM AS FILEIRAS DESTA CAMPANHA “IMPLANTAÇÃO DE SÍMBOLOS REFERENCIAIS DA REVOLTA DOS MALÊS NA BAHIA” TENDO COMO SÍTIO A PRAÇA DO CAMPO DA PÓLVORA, LOCAL ONDE, DEVIDO SUA LUTA POR JUSTIÇA SOCIAL, FORAM EM 14 DE MAIO DE 1935, FUZILADOS QUATRO HEROIS, TENDENCIOSAMENTE CONDENADOS À PENA CAPITAL : JORGE, PEDRO, GONÇALO E JOAQUIM.

EM COMPLEMENTO AOS SÍMBOLOS REQUERIDOS, ESTA CAMPANHA DEFENDE TAMBÉM, QUE A ESTAÇÃO DO METRÔ DAQUELA PRAÇA, COMO FORMA DE JUSTA HOMENAGEM REFERENCIAL AO SITIO HISTÓRICO, ACRESCENTE A PALAVRA MALÊS AO SEU NOME, PASSANDO A DENOMINAR-SE “ESTAÇÃO CAMPO DA PÓLVORA – MALÊS”.

MOVIMENTO ESTE, QUE EXIGE DAS AUTORIDADES GOVERNANTES E LEGISLATIVAS, TODAS AS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS À CONSECUÇÃO DA INSTALAÇÃO DESTES JUSTOS E HONROSOS REFERENCIAIS, EM UMA CIDADE CUJAS PRAÇAS E RUAS SÃO, NA SUA ESMAGADORA MAIORIA, GRIFADAS POR ESTATUAS, BUSTOS, MONUMENTOS, SIMBOLOS E DENOMINAÇÕES, EM HOMENAGEM AOS REPRESENTANTES, NÃO POR ACASO BRANCOS, QUE OCUPARAM O PODER, AO LONGO DA TRAJETÓRIA HISTÓRICA, DENTRE OS QUAIS, DIVERSOS ORIUNDOS DE FAMILIAS, AS QUAIS FORAM SUSTENTADAS POR PROCESSOS DE EXPLORAÇÃO, VIOLENCIAS, TORTURAS E ASSASINATOS CONTRA AQUELES E AQUELAS QUE CONSTRUIRAM, AINDA QUE INVOLUNTARIAMENTE, AS BASES ECONÔMICAS E CULTURAIS DESTE PAIS.

SALVE OS HERÓIS E HEROÍNAS DA REVOLTA DOS MALÊS ! ! !

SALVE A REVOLTA DOS MALÊS: UMA ATITUDE QUE DÁ ORGULHO A NOSSA AFRICANIDADE ! ! !

DETERMINAÇÃO DO PASSADO LIÇÃO PARA AS LUTAS DOS DIAS ATUAIS ! ! !

COORDENAÇÃO NACIONAL DE ENTIDADES NEGRAS - CONEN

FÓRUM CONEN - BAHIA