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terça-feira, 8 de novembro de 2011

10% dos professores no país fazem 'bico'


Docentes procuram uma segunda ocupação mais do que padeiros, corretores de imóveis e PMs, segundo estudo

Para especialistas, média salarial não é única explicação para impulsionar o professor à dupla função

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

ELTON BEZERRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Semanalmente, a professora de ciências Sonia Maria de Barros Cardoso, 52, leciona 32 horas em duas escolas públicas no Rio. Seu salário é de R$ 1.800.

Para complementar, vende cosméticos, o que lhe rende R$ 1.000 mensais em oito horas semanais. "Em datas comemorativas, chega a ficar igual ao que ganho no magistério", afirma a docente.

Como Sonia, outros 266 mil professores da educação básica do país possuem uma segunda ocupação fora do ensino, um "bico", aponta estudo apresentado no mês passado pelos pesquisadores da USP Thiago Alves e José Marcelino de Rezende Pinto.

O número representa 10,5% do magistério nacional, índice bem acima do da população brasileira (3,5% têm uma segunda ocupação). O estudo usa a Pnad-IBGE e o Censo Escolar-MEC, ambos de 2009, e abrange as redes privada e pública.

Alguns dos mais frequentes "bicos" dos docentes são os de vendedores em lojas e os de funcionários em serviços de embelezamento.

Segundo a pesquisa da USP, os professores recorrem mais à segunda ocupação do que os padeiros, os corretores de imóveis e os PMs.

POLÊMICA SALARIAL
Para os autores do estudo, a maior incidência do "bico" entre os professores está relacionada aos baixos salários.

A média salarial dos docentes do ensino fundamental, segundo a pesquisa (entre R$ 1.454 e R$ 1.603 à época), é inferior ao que ganham, em média, corretores de seguro (R$ 1.997) e caixas de bancos (R$ 1.709).

"O professor, com isso, é obrigado a despender energia em ações que não têm a ver com aulas", diz Alves.

Para alguns especialistas, no entanto, a questão não é tão simples.

"Os salários não são uma maravilha, mas, se comparados à média da população, os professores não estão morrendo de fome", afirma Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade.

"Sempre que há concurso para contratação de professores para as redes públicas há uma grande concorrência. Se a profissão fosse tão ruim, não haveria fila", diz Samuel Pessoa, da FGV.


Gestores afirmam que situação dos docentes melhorou

DE SÃO PAULO

Tanto o Ministério da Educação quanto os secretários estaduais admitem que os salários dos professores estão longe do ideal. Afirmam, porém, que têm melhorado.

Na rede pública, os docentes são pagos pelos governos estaduais ou municipais. A União pode complementar.

Pré-candidato à Prefeitura de SP, o ministro petista Fernando Haddad (Educação) tem afirmado que professores recebem apenas 60% do que outros profissionais em carreiras de mesmo nível.
Segundo o MEC, a aprovação da lei do piso nacional do magistério, em 2008, hoje em R$ 1.187, foi "o primeiro passo" para mudar esse cenário. Até hoje, porém, há redes que não cumprem o valor.
Danilo de Melo Souza, vice-presidente do Consed (conselho de secretários estaduais de educação), afirma que três fatores dificultam aumentos ao magistério:

1) número de professores afastados; 2) pagamento de aposentados com recursos de desenvolvimento do ensino; 3) gastos com burocracia.

"O dinheiro que poderia ir para quem está dando aula vai sendo diluído", diz. (FT)


ANÁLISE

Só aumentar salários dos profissionais não é solução

ILONA BECSKEHÁZY
ESPECIAL PARA A FOLHA

Não podemos negar a importância social e a influência política dos professores da educação básica nas sociedades modernas.

No Brasil, entretanto, devido ao baixíssimo valor dado à educação, a classe profissional do magistério tem base no proletariado.

A maior parte dos profissionais vem de famílias com baixo nível educacional, são os piores alunos do ensino médio e recebem formação pífia. A consequência disso é a nossa permanência no clube de lanterninhas do Pisa.

Como estamos no início de enorme transformação populacional, haverá cada vez mais pressão para educar com equidade e excelência.

Como fazer isso com professores que já temos? Como transformá-los em profissionais de alto padrão, com status próximos aos de médicos e de engenheiros?

Simplesmente aumentar seus salários não é a solução. Um pacote de medidas centradas no interesse do aluno e da sociedade, que percebe o professor como profissional sério e que inclui abordagem de remuneração, talvez.

Ao longo das últimas décadas a profissão docente foi se transformando em colcha de retalhos de concessões que permitem, por exemplo, excesso de faltas e de autonomia pedagógica dos próprios professores.

Algumas mudanças estruturais podem contribuir para a valorização do magistério. Em primeiro lugar, as equipes de professores devem ser alocadas por escola e em período docente integral (mesmo que em atividades complementares).

O preparo desses profissionais para a sala de aula deve se tornar uma obsessão, com uso maciço de materiais didáticos de alta qualidade que dê conta de um currículo nacional espelhado no dos países desenvolvidos.

Para completar, os professores devem voltar a ser modelo de comportamento para seus pupilos -um rígido código de ética urge.

Ooops! Muito complicado. Mais fácil convivermos com greves para pedir aumento de salário pura e simplesmente.

ILONA BECSKEHÁZY é diretora de qualidade de educação da Fundação Lemann.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mapa Mundi interativo online–IBGE

O mapa-múndi interativo traz dados comparáveis de indicadores econômicos, sociais, demográficos e geográficos de 196 países.

Mapa Mundi IBGE

O site Países@ ou mapa-múndi interativo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) permite acessar dados dos países reconhecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas), através de seus principais indicadores demográficos, sociais, econômicos, ambientais e de desenvolvimento, com opções para imprimir e baixar textos e dados.

Apresenta os seguintes tópicos, com fontes de informação e links:

> Sintese
> População
> Indicadores Sociais
> Economia
> Redes
> Meio Ambiente

Acessem: http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lula, os nordestinos, Wanessa e a Chola – Como o humor do CQC está desfigurando a face do Brasil

Por Gustavo Castañon(*)

Qual a natureza do humor? Essa é uma pergunta filosófica profunda, mas sub-valorizada. Ninguém leva a sério o humor. Mas ele é muito importante. Primeiro porque dá imenso prazer. Segundo porque sabemos que é uma das chaves da saúde psicológica e mesmo social.

Eu não tenho uma boa hipótese sobre a natureza do humor. Mas acho que o que quer que ele seja, tem a ver com o amor. É assim que, ao relatar um acontecimento que te constrangeu ou enfureceu um dia, você ri e aceita, de outro ponto de vista, sua ridícula imperfeição ou destino. Ao pensar no que na vida real pareceria grotesco, você acha graça. É como se o riso fosse um acesso de aceitação instantânea do outro, do grotesco, do infortúnio.

O irmão Caim do humor é o deboche. O deboche tem a ver com o ódio. É difícil ver essa linha divisória. Mas ninguém que debocha ri de si mesmo, como ao contrário faz o humorista. Ele só escarnece da inferioridade presumida do outro. Ele se compraz com seu sofrimento e constrangimento, sua situação de fragilidade. Ele é sádico.

Acho que a primeira vez que ficou clara pra mim essa diferença foi numa viagem de ônibus pelo interior do Perú. Quando embarquei em Puno, um grupo de jovens argentinos subiu no ônibus quebrando as cadeiras que não reclinavam, e escarnecendo da miséria daquele país. No meio da noite, entrou uma nativa peruana no ônibus. Ela vinha de um dia de trabalho, com sua filhinha pequena debaixo do braço, suada e suja. Os argentinos passaram os vinte minutos seguintes escarnecendo da mulher, chamando-a de “Chola” (nome que os nativos se dão), suja, fedorenta, dizendo que o lugar dela era no porta malas e coisas do gênero. Ela não reagia. Eles riam, riam muito enquanto se drogavam e a maltratavam. Não adiantou nada eu e minha esposa enfrentá-los. Eles passaram a chutar nossas cadeiras e rir compulsivamente. Assim, o motorista finalmente parou o ônibus num posto policial pra deter aquela escória. E foi nesse momento, com a presença do policial, que ela pediu pra descer do ônibus e falou, baixinho: “Una Chola ya no puede más ni viajar con su hija en su país”. Naquele dia os opressores riram muito. Mas só eles. Aquilo não era humor.

Quem ri de tudo, inclusive do sofrimento humano? Não aquele já superado, mas o atual, em curso? Só as pessoas completamente desprovidas de valores e compaixão, que acham que nada tem importância, nada é digno de amor, nem um filho que se carrega no ventre.

E quem não ri de nada? O fundamentalista religioso ou político é uma pessoa séria. Ele condena à morte quem ri de Maomé. Ele nunca ri de nada nem de si mesmo. Um exemplo disso é o horrível movimento do ‘politicamente correto‘, que é só um nome politicamente correto para o fascismo. Sim, não rir de nada é um perigo. Foi por isso que, num primeiro momento, a maioria dos brasileiros recebeu com um certo sentido de libertação programas como o Pânico e o CQC.

Quem não queria ver celebridades constrangidas e políticos humilhados? Pouca gente. O “Pânico”, tenho que confessar, me rendeu no início algumas boas risadas. O CQC nunca achei engraçado, mas parecia relevante. Aquele “humor” importado da Argentina, baseado na agressão e humilhação (eventualmente de gente que parecia merecer), não me fazia rir.

Mas esse formato logo começou a incomodar. Lembro de quando foram escarnecer dos jogadores da seleção italiana que acabava de ser eliminada da Copa. Ouviram de Camoranesi uma resposta lacônica: “São todos putos, os brazucas. Como diz Maradona”. Alguma coisa estava muito errada. Ele estava mesmo falando de nós, brasileiros?

Começou a saltar aos olhos o vazio de grande parte das “matérias” do CQC (com a exceção de algumas denúncias relevantes), baseadas na humilhação pura de figuras públicas. Filhos bem alimentados e bem educados da elite paulistana humilhando alguns políticos corruptos sim, mas também políticos ignorantes, celebridades, cidadãos comuns.

O sucesso tornou-os ainda mais ousados. Principalmente Rafael Bastos. Ele, em nome da liberdade de expressão, começou a fazer “piada” com mulheres estupradas, órfãos no dia das mães e finalmente pedofilia. Ele podia tudo, afinal de contas, conta com uma poderosa rede de proteção social e é o homem “mais influente do Twitter”.

O “humor” do Pânico, CQC, Rafael Bastos e Danilo Gentili não difere em nada do processo de bullying que é tão combatido nas escolas. O sofrimento da vítima só compraz ao perverso. Exemplo típico de “bullying” televisivo era o quadro “sandálias da humildade”, que a atriz Carolina Dieckmann, com coragem e dignidade, enterrou. Hoje até acho uma pena, pois o Pânico tinha que estar agora atrás de Bastos, para fazê-lo calçá-las e pedir desculpas a Wanessa Camargo. Mas ele simplesmente não é capaz disso.

Só podia dar no que deu. Esses “humoristas” se tornaram porta vozes de uma parte da juventude brasileira de classe média alta que é terrivelmente egoísta e insensível. Gente que papagaia “corrupto”, “corrupto” mas não tem qualquer tipo de ativismo político ou social. Gente que usa as redes sociais para dizer que nordestino tem que ser afogado porque tira o seu lugar na universidade, que faz proselitismo do deboche e escarnece de graves doenças. Não a de Rafael Bastos, claro, mas do câncer de Lula, um homem que dedicou sua vida a lutar pelos humilhados e a tentar melhorar a vida dos outros.

O que há de comum entre Lula, Wanessa, os nordestinos do ENEM e a Chola, é que eles vêm de um estrato social diverso daquele desses jovens. Eles estão cruzando fronteiras que as pessoas de bem desse continente, como Lula, estão ajudando a apagar. Eles estão ocupando um espaço que esses adolescentes não se sentem capazes de ocupar por valor próprio.

Sou totalmente a favor da liberdade de expressão, e contra qualquer tipo de crime de opinião. É claro que liberdade de opinião não é liberdade de calúnia. As pessoas têm o direito de falar tudo o que querem. Mas tem também o dever de escutar tudo o que não querem. E democracia é ainda mais que isso. É se engajar na vida cotidiana para defender o que acha certo nos seus cinco metros de chão. Debochar, não é defender um ponto de vista. Debochar é ser o vilão que humilha o gordo na escola, o trabalhador no ponto de ônibus, a Chola em seu próprio país.

Esse humor importado está desfigurando o rosto do Brasil, do humor brasileiro, de nossa benevolência e cordialidade natural. E não para mudar as coisas, mas só para fazer dinheiro e rir da desgraça alheia. O nível de degradação moral em que estamos é realmente muito profundo. E para nossa sociedade ter alguma chance de sobrevivência, essas pessoas, que não parecem ter a capacidade de aprender a ser boas, têm ao menos que aprender a ter vergonha de serem más.

*Gustavo Arja Castañon é doutor em Psicologia e professor de Filosofia na Universidade Federal de Juiz de Fora. Colabora com o “Quem tem medo da democracia”, onde tem a coluna “Non abbiate paura“.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de Outubro Dia do Saci Pereré!!!

31 de Outubro Dia do Saci Pereré!!!

Em 2005, foi instituído o Dia do Saci no Brasil, comemorado no dia 31 de outubro, a fim de restaurar as figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao Halloween.

A mitologia Africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, sendo esta a imagem que prevalece nos dias de hoje. Ele herdou também da cultura africana, o pito, uma espécie de cachimbo. A função desta "divindade" era o controle, sabedoria e manuseios de tudo que estava relacionado às plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chá, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.

Vale lembrar que o Saci Pereré NÃO foi criado pelo Monteiro Lobato, ele apenas pesquisou sobre o mito e recriou em sua historias em 1917, assim como o Ziraldo levou o Saci Pereré para os quadrinhos em 1958, ou seja, o Saci é nosso!

Nesses dias em que a mente colonizada celebra o Dia das Bruxas (que é uma bonita festa nos EUA), nós, recuperando nossos velhos mitos, celebramos o Dia do Saci. E para quem não conhece a história desse negrinho de uma perna só, que carrega o barrete vermelho da liberdade e fuma um petenguá, segue a belíssima produção de Rudá K. Adrade e Sylvio do Amaral Rocha:

Somos todos Sacys.

Vale a pena ver o filme inteiro... é bonito demais! Viva o saci!!!

http://vimeo.com/11609651

A Confraria Produções em co-produção com a Rede SESCSENAC de Televisão apresenta o documentário que mostra a vida, paixão e morte do mito na tradição oral e suas re-significações nos dias atuais. Sendo este mito a alegoria de nossa cultura antropofágica, a relevância para o debate em torno do Sacy se faz pela motivação de pensar e redescobrir o Brasil.


Você já viu um Sacy? Acredita em Sacy? Como é o Sacy?


Por dois anos, os diretores desse documentário percorreram o interior de São Paulo formulando essas perguntas aos paulistas. Desse passeio encantado originou-se um filme lúdico e poético, tipicamente brasileiro, recheado de iconografias e desenhos, amparado numa pesquisa de tirar o fôlego.

Direção e roteiro: Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha / Montagem: Felippe Brauer, Rudá K. Andrade e Sylvio do Amaral Rocha / Animação: Érica Valle / Arte: Marcelo Comparini / Edição e Finalização: Felippe Brauer/ Locução: Tereza Freire / Produção de Campo: Jaime Soares / Músicas de: Batuque de Umbigada interpretado por Batuque de Tietê, Capivari e Piracicaba - Anecide Toledo, Duo Portal, Grupo Cachoeira!, Ivan Vilela, Kiko Carneiro, Gustavo Barbosa e Quarteto Perêrê.

MinC promove oficina para elaboração de políticas públicas para Povos Tradicionais de Terreiros


Por Vilhena Soares
Criação da Marca: Alessandro Naves Resck / FCPSão Luís (MA) será sede da primeira Oficina Nacional de Elaboração de Políticas Públicas de Cultura para Povos Tradicionais de Terreiros, entre os dia 27 e 30 de novembro. A Oficina pretende subsidiar a construção de políticas culturais para o segmento, com o objetivo de promover e consolidar as tradições.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cidadania Cultural, Fundação Cultural Palmares, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) , Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), além da Comissão Nacional de Povos de Terreiros, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (SECMA), a Secretaria da Igualdade Racial do Maranhão (SEIR/MA) e a Prefeitura de São Luis (FUNCMA).
Serão reservadas 140 vagas exclusivas para representantes dos povos tradicionais de Terreiros, sendo 40 para participantes do Maranhão e 100 para pessoas de outros estados do país. Também haverá vagas destinadas a gestores públicos, acadêmicos, movimentos sociais e entidades afins. As inscrições poderão ser realizadas no site do MinC, até o dia 31 de outubro, mediante preenchimento de formulário.
Ao fazer a inscrição, deverão ser anexadas cópias dos seguintes documentos: comprovante de residência, CPF, RG, currículo (ou breve histórico de vida) e carta de indicação da liderança do terreiro ao qual o candidato pertence. A inscrição será validada apenas se forem preenchidos todos os campos solicitados. Os inscritos serão avaliados e selecionados pela Comissão Nacional Organizadora. Confira o manual de inscrição nesse link.

Fonte: Fundação Palmares

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Desigualdades entre mulheres na educação brasileira são discutidas na OEA


Informe nacional questiona o entendimento de setores governamentais e da sociedade civil de que no Brasil os desafios da garantia dos direitos das mulheres e, de forma mais ampla e relacional, a equidade de gênero (entre homens e mulheres) na educação já foram “resolvidos”


Foi terça-feira, dia 25, apresentado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington o Informe Brasil – Gênero e Educação. A audiência pública da Comissão tratará das desigualdades entre mulheres na educação brasileira e de outros países da América Latina. A partir da audiência, serão propostas recomendações da Comissão aos governos dos países do continente.
O informe brasileiro foi produzido no marco da Campanha Educação Não Sexista e Antidiscriminatória pela organização Ação Educativa, com colaboração da organização Ecos – Comunicação e Sexualidade, do Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae (CNRVV-SP). O documento é organizado por Denise Carreira, coordenadora de educação da Ação Educativa e Relatora Nacional para o Direito Humano à Educação da Plataforma DHESCA Brasil.
A Campanha Educação Não Sexista e Antidiscriminatória http://educacion-nosexista.org/
é uma articulação plural de organizações e pessoas da sociedade civil latino-americana em defesa dos direitos humanos e por uma educação pública, laica e gratuita para todas e todos. Coordenada pelo Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM), a Campanha está presente em 14 países[ii] buscando dar visibilidade aos desafios das relações sociais de gênero na garantia do direito humano à educação.
O documento brasileiro integra o Informe Regional desenvolvido em todos os países latino-americanos que compõem a Campanha e será lançado em 2012. No Brasil, a Campanha está sendo desenvolvida em parceria com Ação Educativa, Ecos – Comunicação e Sexualidade, Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero e Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação (Plataforma DHESCA Brasil).

Educação e gênero no Brasil: desafio superado?

O Informe nacional questiona o entendimento de setores governamentais e da sociedade civil de que no Brasil os desafios da garantia dos direitos das mulheres e, de forma mais ampla e relacional, a equidade de gênero (entre homens e mulheres) na educação já foram “resolvidos”. Tal visão é reforçada por diversos relatórios produzidos pelo Estado brasileiro nas últimas décadas, que apontam a maior escolaridade e melhor desempenho das mulheres na educação como resposta definitiva às metas internacionais referentes às inequidades de gênero na educação.
O documento problematiza essa perspectiva e apresenta uma contribuição ao debate sobre gênero e educação a partir da geração, sistematização e análise de um conjunto de informações que traçam um panorama dos desafios atuais.
O documento é constituído por sete seções: 1) Informações gerais sobre o país; 2) A Organização do Sistema educativo no Brasil; 3) Legislação nacional e políticas públicas em educação; 4) Desigualdades na educação; 5) A educação em sexualidade na educação pública (elaborada pela organização Ecos – Comunicação e Sexualidade); 6) Escola e violência sexual (elaborada pelo Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientae (CNRVV-SP)) e 7) Conclusão: rumo a uma agenda política.
Visando o seu aprimoramento, a versão preliminar foi submetida a cinco reuniões com leitoras e leitores críticos de São Paulo e Recife, pesquisadoras (es) e ativistas vinculados a diferentes aspectos do debate sobre relações de gênero e equidade na educação brasileira.
Em síntese, o Informe Brasil Gênero e Educação aponta que as problemáticas de gênero na educação brasileira se relacionam a seis grandes desafios, profundamente interligados:

• as desigualdades persistentes entre as mulheres brasileiras: o avanço nos indicadores de acesso e desempenho é marcado pelas desigualdades entre mulheres de acordo com a renda, raça e etnia e local de moradia (rural e urbano), com destaque para a situação das mulheres negras e indígenas;
• a situação de pior desempenho e de maiores obstáculos para permanência na escola por parte dos meninos brasileiros, em especial, dos meninos negros;
• a manutenção de uma educação sexista, homofóbica/lesbofóbica, racista e discriminatória no ambiente escolar;
• a concentração das mulheres em cursos e carreiras “ditas femininas”, com menor valorização profissional e limitado reconhecimento social;
• a baixa valorização das profissionais de educação básica, que representam quase 90% do total dos profissionais de educação, que – em sua gigantesca maioria – recebem salários indignos e exercem a profissão em precárias condições de trabalho;
• o acesso desigual à educação infantil de qualidade.
Ao final do Informe, é apresentada uma proposta de agenda política em gênero e educação contendo treze recomendações, com repercussões diretas no campo das políticas públicas.

Meta de equalização

Uma das principais recomendações se destina ao novo Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso Nacional brasileiro e se refere à chamada meta de equalização. Tal meta propõe que ao longo dos próximos 10 anos o Brasil não somente avance na melhoria dos diversos indicadores educacionais para o conjunto da população, mas preveja uma diminuição das desigualdades existentes entre grupos sociais em decorrência da renda, do sexo, da raça/etnia, da localização no campo/cidade, da origem regional, da orientação sexual e da presença de deficiências.
Tal proposta, além de outras recomendações do Informe brasileiro, foi transformada em emenda e apresentada para apreciação do Congresso Nacional por meio da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, articulação da sociedade civil que lidera o movimento “PNE pra Valer”. A meta de equalização proposta ao Congresso estabelece que o Brasil diminua em 60% as desigualdades educacionais existentes entre os diversos grupos nos próximos dez anos.

“O Brasil conquistou avanços importantes nos indicadores educacionais na última década, mas marcados por profundas desigualdades. Fenômeno que impacta a situação das mulheres, em prejuízo, sobretudo, das mulheres negras, indígenas e rurais. É necessário que as políticas educacionais intervenham de forma mais precisa nessa realidade não somente com relação ao acesso à educação, mas ampliando o que se entende por qualidade educacional, rumo a uma educação que supere o sexismo, o racismo e outras discriminações ainda presentes nas creches, escolas e universidades”, afirma Denise Carreira, coordenadora do Informe brasileiro.
O Informe estará disponível a partir de segunda-feira nos sites da campanha não sexista e discriminatória
Plataforma DHESCA Brasil. A audiência pública da Comissão Interamericana da OEA poderá ser assistida na terça, a partir das 15h de Washington, por meio do link:

Fonte texto: UNIFEM

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pergunta sobre Lei 10639 cai no Enem 2011

Colegas Professores e Historiadores, pergunta sobre Lei 10639 cai no Enem 2011

Questão 32

A referida Lei representa um avanço não só para a Educação Nacional, mas também para a Sociedade Brasileira, porque:

A) legitima o ensino das ciências humanas nas escolas.

B) divulga conhecimentos para a população afro-brasileira.

C) reforça a concepção etnocêntrica sobre a África e sua cultura.

D) garante aos afrodescendentes a igualdade no acesso à educação.

E) impulsiona o reconhecimento da pluralidade étnico-racial do país.

A tendência atual da educação brasileira, de incluir conhecimentos sobre História e Cultura Africanas no currículo visa resgatar o conhecimento relativo aos povos de origem não europeia, que é fundamental para a compreensão da diversidade do povo brasileiro.

Resposta: E

A Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, inclui no currículo dos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira e determina que o conteúdo programático incluirá o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil, além de instituir, no calendário escolar, o dia 20 de novembro como data comemorativa do “Dia da Consciência Negra”.

sábado, 22 de outubro de 2011

JOGO: Trilha da África


Esse jogo foi indicado por um colega, professor Marino,
do Curso de Aperfeiçoamento em História da África (UFC)
e está disponível para utilização


É um jogo de tabuleiro, baseado no jogos de trilha e tem como objetivo chegar ao centro dessa trilha. Para isso os jogadores (entre 2 a 8) jogam os dados e avançam nas "casas" de acordo com o número tirado nos dados, ao para em uma "casa" com imagem uma carta é sorteada e a pergunta contida nela deve ser respondida. Só avança no jogo quem responder corretamente.


Há a opção de jogar on-line ou de fazer o download do jogo para recortar e jogar.
Antes de entrar no jogo é preciso escolher a quantidade de pessoas que irá participar do jogo e também o nível de ensino: Fundamental ou Médio, pois isso irá definir o nível das perguntas.


Para jogar clique na imagem do jogo (a primeira, logo abaixo do título do post) ou então clique aqui.

Para fazer o download do jogo é só ir no site da Unidade na Diversidade, selecionar (na barra que fica do seu lado esquerdo) a opção Material Didático e depois Jogos.

Divirta-se e aprenda.

Dia da Consciência Negra poderá ser feriado nacional


Projeto aprovado ontem dia 20 no Senado, passou pela Câmara e agora segue para sanção da presidenta Dilma Rousseff .

Por Monica Aguiar

O Senado Federal aprovou ontem dia 20, o projeto que institui o dia 20 de Novembro - Dia da Consciência Negra como feriado nacional. Sendo sancionado pela Presidenta Dilma, será o primeiro feriado do país conquistado através da luta do Movimento Negro Brasileiro e social.
O dia 20 de Novembro é Dia de Luta da Consciência Negra, surgiu na segunda metade dos anos 70, dentro de um conjunto de revendicações elaborada pela militância negra , tendo como tema principal as Reparações.
O 20 de Novembro é o dia que também homenageia Zumbi, símbolo da resistência , no Brasil, morto em uma emboscada, no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas.
Desde 1995, Zumbi faz parte do panteão de Herois da Pátria.
A partir de então o movimento negro brasileiro, tem se dedicado em reforçar o diálogo com a sociedade, denunciando nas manifestações nesta data a falta de : igualdades e oportunidades, acessos aos direitos fundamentais, políticas públicas específicas , os índices de desigualdades na educação dentro o acesso e permanência, saúde da população negra, história da particiapação do povo negro na construção da sociedade brasileira de forma prepositiva, dentre outras pautas .
Com este processo de denúncias das desigualdades pelo movimento negro brasileiro crescer anualmente sendo um número cada vez maior, significativo e representativo, de entidades da sociedade civil que se juntam no combate ao racismo , a toda as formas de discriminações ao preconceito e contra a intolerrância religiosa.


* Projeto Original

O projeto original que institui o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra (PLS 520/03), de autoria da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), previa apenas a data, mas não o feriado. Na justificação da matéria, Serys argumenta que sua proposta visa criar uma oportunidade para a reflexão sobre o preconceito ainda existente na sociedade brasileira.
Aprovado pelo Senado, o texto foi enviado à Câmara dos Deputados e apensado a outra proposta (PLS 302/2004), que propunha o dia 20 de novembro como feriado nacional.

* Feriados
Uma vez sancionado, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra será o nono feriado nacional, juntamente com as seguintes datas: 1º de janeiro (Confraternização Universal), 21 de abril (Tiradentes), 1º de maio (Dia do Trabalho), 7 de setembro (Independência do Brasil), 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida), 2 de novembro (Finados), 15 de novembro (Proclamação da República) e 25 de dezembro (Natal).

Fonte : Portal do Senado
Ftos créditos : Monica Aguiar

Nova República


Após o fim da Ditadura Militar começa um novo período da História do Brasil que recebeu o nome de Nova República. O povo estava eufórico com a nova era, muitos faziam planos de um futuro melhor, a felicidade reinava e a esperança era grande em 15 de março de 1985, data da posse do presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, o mineiro Tancredo Neves. Porém na véspera, a poucas horas da posse, Tancredo foi hospitalizado às pressas.

O estado de saúde de Tancredo causou grande comoção nacional. Um número grande de populares fez vigílias nos hospitais onde ele esteve internado. Mas seu estado de saúde piorou, passando por sete cirurgias e veio a falecer em 21 de abril de 1985, aos 75 anos de idade, de infecção generalizada.

Sua morte antes de tomar posse gerou um impasse. Segundo a Lei, seu vice só poderia assumir o poder depois da posse do presidente. Todos os brasileiros temiam que novamente os militares voltassem ao poder e consequentemente o fim da democracia. Mas a união de todos os políticos foi fundamental para que isso não viesse a acontecer e com um apoio forte como esses. O vice-presidente José Sarney, assumiu o governo.
Plano Cruzado
Governo José Sarney (1985 – 1990): Em seu governo foram restabelecidas as eleições diretas para todos os cargos e os partidos políticos puderam se organizar e atuar livremente. O mandato presidencial foi estendido para 5 anos, foi criado o 2º turno nas eleições para governadores, presidentes e prefeitos de cidades com mais de 200 mil habitantes e voto facultativo entre 16 e 18 anos, além do fim da censura a radio, TV, cinema e etc. No campo econômico, o governo adotou uma medida de impacto no dia 28 de fevereiro de 1986, quando foi lançado o Plano Cruzado. No começo a população apoiou a medida, mas logo começaram a surgir os problemas. Começara a faltar mercadorias que estavam à espera de aumento de preços. Os empresários começaram a modificar os produtos para elevar seu preço, os fazendeiros se negaram a vender bois pelo preço de tabela e o valor dos aluguéis disparou. O governo se mostrou incapaz de enfrentar a situação, provocados pelos interesses dos poderosos. No fim desse ano, a inflação voltou a subir. O ministro da Fazenda, Dílson Funaro demitiu-se. Seu substituto, Luís Carlos Bresser Pereira, tentou sem êxito, acabar com a crise, e demitiu-se em 1987. Seu sucessor, Maílson da Nóbrega, também não obteve sucesso. Em janeiro de 1989, foi decretado o Plano Verão, que congelou os salários e preços, mas também não deu resultado. No fim do governo Sarney, a inflação era de mais de 70% ao mês. O fator mais importante de seu governo, porém, foi a promulgação de uma nova Constituição em 5 de outubro de 1988. Ela foi mais favorável ao trabalhador, que conseguiram muitas vantagens graças aos seus representantes;
Confisco
Governo Fernando Collor (1990 – 1992): As atenções nesse governo se concentraram no plano econômico. Zélia Cardoso de Melo, ministra da economia, passou a ser o ponto das atenções do governo Collor. Ela anunciou as novas medidas econômicas que chocaram o país. Todo o dinheiro dos brasileiros depositados em bancos ficou congelados por um período de 18 meses. Ninguém poderia sacá-lo por motivo algum. Graças ao choque, a inflação baixou a níveis inferiores a 10% nos primeiros meses da nova gestão. Mas a principal consequência que o Plano Collor causou foi a recessão, com queda nos salários e aumento da miséria e desemprego. Diante disso, a ministra Zélia Cardoso demitiu-se em maio de 1991, sendo substituída por Marcílio Marques Moreira. No final de 1991, além da recessão, a inflação voltava a superar níveis de 20% ao mês e continuou a crescer em 1992. Crescia a insatisfação dos brasileiros ao seu governo. A mídia lançou a Campanha "Fora Collor". Collor fez exatamente o contrário do que havia prometido. Acusou Lula de querer confiscar a poupança, mas ele mesmo confiscou não só a poupança, como também as contas correntes e outras aplicações; disse que iria acabar com os marajás, mas instaurou-os no Palácio do Planalto. Disse que acabaria com a inflação com um só tiro, mas após uma pequena queda, a inflação voltou a crescer a todo vapor; disse que acabaria com a corrupção, mas participou da maior rede de corrupção já vista no país. No seu governo, o salário mínimo foi o mais baixo de todos os tempos e obrigou os aposentados a saírem nas ruas para exigir respeito aos seus direitos. Após a denúncia de seu irmão, Pedro Collor, foi instalada pelo Congresso Nacional uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), para investigar as denúncias. Após o depoimento do motorista da secretária de Collor, ficou se sabendo de todo o esquema de corrupção. Milhares de jovens saíram às ruas (caras pintadas), para pedir a cassação de Collor. "Fora Collor" era o grito que tomou conta do país. No dia 29 de setembro, a Câmara dos Deputados autorizou ao Senado de julgar e processar Collor. De acordo com a Constituição, Collor ficou afastado durante 180 dias, assumindo o vice, Itamar Franco. Após três meses de julgamento, Collor renunciou. No mesmo dia Itamar foi empossado novo presidente. Apesar da renúncia, o Senado continuou o julgamento, e considerou o presidente culpado, cassando seu mandato por 8 anos;

Plano Real
•Governo Itamar Franco (1992 – 1995): Assumindo a presidência após o Impeachment de Fernando Collor de Mello, o novo presidente se concentrou em arrumar o cenário que encontrara, como recessão prolongada, inflação aguda e crônica, desemprego, etc. Itamar procurou realizar uma gestão transparente. Para fazer uma gestão tranquila, sem turbulências, procurou o apoio de partidos mais à esquerda. Em Abril de 1993, cumprindo com o previsto na Constituição, o governo fez um plebiscito para a escolha da forma e do sistema de governo no Brasil. O povo decidiu manter tudo como estava: escolheu a República (66% contra 10% da Monarquia) e o Presidencialismo (55% contra 25% do Parlamentarismo). No governo de Itamar Franco foi elaborado o mais bem-sucedido plano de controle inflacionário da Nova República, o Plano Real. Montado pelo seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, o plano visava criar uma unidade real de valor (URV) para todos os produtos, desvinculada da moeda vigente, o Cruzeiro Real. Desta forma, cada URV correspondia a US$ 1. Posteriormente a URV veio a ser denominada “Real”, a nova moeda brasileira. O Plano Real foi eficiente, já que proporcionou o aumento do poder de compra dos brasileiros e o controle da inflação. Mesmo tendo sofrido as consequências das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional, entre 1993 e 1994, em virtude de denúncias de irregularidades no desenvolvimento do Orçamento da União, Itamar Franco terminou seu mandato com um grande índice de popularidade. Uma prova disso foi o seu bem-sucedido apoio a Fernando Henrique Cardoso na sucessão presidencial;
Privatizações
•Governo Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002): Após o sucesso do plano real, FHC, como era chamado do PSDB foi eleito Presidente do Brasil já no primeiro turno com larga escala de votos e tomou posse dia 1º de Janeiro de 1995. Foi reeleito em 1998, tendo nos dois mandatos Marco Maciel, do PFL, como vice-presidente. A política de estabilidade e da continuidade do Plano Real foi o principal apelo da campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso e um dos fatores decisivos para sua reeleição em 1998, sendo reeleito no primeiro turno. FHC conseguiu sua eleição graças ao apoio do PSDB, do PFL, do Partido Progressista brasileiro (atual PP) e de parte do PMDB, e conseguiu manter uma estabilidade política durante seus oito anos de governo. No primeiro mandato FHC conseguiu a aprovação da emenda constitucional que criou a reeleição para cargos executivos. O governo de Fernando Henrique Cardoso foi marcado pela privatização de empresas estatais, como a Embraer, a Telebrás, a Vale do Rio Doce e outras estatais. Além da privatização, seu governo também houve diversas denúncias de corrupção, como a compra de parlamentares para aprovação da emenda constitucional que autorizava a reeleição e também o favorecimento de alguns grupos financeiros na aquisição de algumas estatais. No início do segundo mandato de FHC, em 1999 houve uma forte desvalorização do real, devido a crises financeiras internacionais (Rússia, México e Ásia) que levou o Brasil a maior crise financeira da história, além de aumentar os juros reais e aumentar a dívida interna brasileira. Alguns dos programas sociais criados no governo de Fernando Henrique Cardoso foram a Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e o Vale Gás. No governo de FHC entrou em vigor a lei de responsabilidade fiscal (LRF) que se caracterizava pelo rigor exigido na execução do orçamento público, que limitava o endividamento dos estados e municípios e os gastos com o funcionalismo público. Os salários dos funcionários públicos também não tiveram reajustes significativos, uma forma de evitar a inflação e controlar os gastos públicos;
•Governo Lula (2002 – 2010): Luís Inácio Lula da Silva ou simplesmente Lula, ex-operário e retirante nordestino conseguiu realizar um feito histórico na trajetória política do país. Pela primeira vez as esquerdas tomariam controle da nação. Entre as primeiras medidas tomadas, o Governo Lula anunciou um projeto social destinado à melhoria da alimentação das populações menos favorecidas, o “Fome Zero”. Essa seria um dos diversos programas sociais que marcaram o seu governo. Os outros foram o Bolsa-Família, Pro-Uni, Brasil Sorridente, Farmácia Popular, Luz Para Todos, entre outros, que beneficiaram aos pobres e miseráveis e contribuíram para melhorar a distribuição de renda. A ação assistencialista do governo se justificava pela necessidade de diminuir o problema da concentração de renda no país. Tal medida inovadora foi possível graças à continuidade dada às políticas econômicas do governo FHC. O combate à inflação, a ampliação das exportações e a contenção de despesas foram algumas das metas buscadas pelo governo. No entanto, o crescimento econômico do Brasil não foi capaz de acontecer sem a corrupção. No ano de 2005, o governo foi denunciado por realizar a venda de propinas para conseguir a aprovação de determinadas medidas. O esquema ficou conhecido como “Mensalão”. Em meio a esse clima, o governo Lula conseguiu vencer uma segunda disputa eleitoral. Durante seu segundo governo, a economia brasileira cresceu a passos largos. A inflação caiu para menos de 5% ao ano, o superávit comercial atingiu US$ 252 bilhões, as reservas internacionais líquidas passaram de US$ 16 Bilhões para US$ 285 Bilhões, o Brasil se tornou credor externo, com um saldo positivo de US$ 65 Bilhões, algo inédito na História do país, e reduziu a taxa de desemprego de 10,5% para 6,8%, pagou toda a dívida com o FMI e com o Clube de Paris e o Brasil se tornou credor do FMI, algo inédito na história do país, para quem emprestou US$ 10 Bilhões. Hoje, a dívida externa líquida é negativa em US$ 65 bilhões. Na política externa, aproximou-se dos países da África, da América Latina e do G-20. Teve participação ativa no Conselho de Segurança da ONU com o envio de tropas para a pacificação do Haiti. Conseguiu também trazer para o Brasil a Copa do Mundo da FIFA em 2014 e as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016.

Fonte: Brasil Escola