Você encontra aqui conteúdos da disciplina História e Cultura Afro- Brasileira para estudos e pesquisas, como também, assuntos relacionados à Política, Religião, Saúde, Educação, Gênero e Sociedade.
Enfim assuntos sobre o passado e sobre nosso cotidiano relacionado à História do Brasil e do Mundo.








Seguidores


Visitantes

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Cuba: território livre do analfabetismo


Triunfada a Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959 e dois anos depois proclamada como uma Revolução Socialista com o povo assumindo a liderança do poder revolucionário e organizado em batalhões de milícias, garantiam a Cuba a vitória frente numerosas organizações contra revolucionárias ministradas pelos Estados Unidos da América com objetivo de deflagrar a vitória do povo.

Frente a um novo modelo de sociedade com seus desafios particulares, as tarefas não foram fáceis para o aparato burocrático da Revolução, para o povo e seus máximos dirigentes. Como o próprio Comandante Fidel Castro disse: “a partir deste momento não pensem que tudo será mais fácil, pelo contrário, tudo será mais difícil, e não existe outra saída senão lutar”. Foi lutando que Cuba golpeou o analfabetismo que existia.

Se por um lado Cuba triunfou pela batalha das armas, por outro venceu pela batalha do lápis. O ano da Vitória de Praia Girón contra o ataque dos EUA, foi o ano da Vitória da Alfabetização.

José Martí, apóstolo, poeta, pensador e inspirador da Revolução Cubana proferiu muitos antes que uma sociedade alfabetizada é uma sociedade forte e livre e com esta sentença Fidel anunciava ao mundo da decisão de Cuba liquidar o analfabetismo em 1961.

Em 1959 o censo demográfico indicava que em Cuba a população era de 4 milhões 376 mil 529 pessoas e com 1 milhão 32 mil 859 pessoas que não sabiam ler nem escrever, que representava 23,6% de analfabetismo absoluto. Iniciava assim a grande Campanha de Alfabetização. “Foi como um relâmpago, uma luz de saberes ampliada por todo país. A grande Campanha de Alfabetização iluminou a vida de centenas de compatriotas e foi um signo irrefutável que a Revolução – com a própria linguagem de seus atos – era a única carta de triunfo”

Foram alfabetizados mais de 700 mil cubanos analfabetos e muitos outros não aprenderam a ler e escrever por diversas razões, seja por idade muito avançada ou necessidades especiais, mas que posteriormente foram atendidos através de planos especiais e forma mais individualizada. Em 1961 Cuba reduziu a taxa de analfabetismo a menos de 4%, cifra muito inferior a meta aceitada pela Organização das Nações Unidas.

Nesta grande campanha do saber, coragem e amor participaram mais de 120 mil alfabetizadores populares, 100 mil estudantes brigadistas “Conrado Benítez”, 13 mil brigadistas trabalhadores, 34 mil professores, dirigentes políticos, trabalhadores administrativos da Campanha com uma cifra que superou os 300 mil cubanos, todos voluntários e com o mesmo desejo, de outro triunfo, de declarar Cuba como território livre de analfabetismo nas Américas.

A Campanha Nacional de Alfabetização não foi interrompida em nenhuma circunstância, prosseguiu durante condições difíceis de violência contra revolucionária, de bloqueio, e agressão imperialista e o resultado foi que quatro séculos de analfabetismo foram derrubados em pouco mais de um ano de Revolução.

Conrado Benítez, trabalhador, estudante, professor humilde, amigo puro, símbolo da sociedade cubana levou a luz do ensino a aqueles que não sabiam nada de números e letras. Seu assassinato pelas mãos de contra revolucionários o converteu no primeiro mártir da alfabetização que ofereceu sua vida para o ensino. Seu exemplo iluminou de amor e esperança a todo um povo com ânsia de aprender. “Não tenho medo, o meu é a escola; por ela vivo e se tenho que morrer, morro” declarava Conrado.

Assim o ensino gratuito e público abriu brecha para o desenvolvimento do país em distintas outras esferas, como por exemplo a Saúde Pública, Cultura, e hoje, depois de 50 anos a Campanha de Alfabetização volta a ser notícia, com uma Cuba sem nenhum analfabeto e mais de um milhão de universitários.

* É sergipano, estudante de Medicina em Cuba e do Núcleo Internacional do PT

O autor adota a política do copyleft podendo este texto ser copiado e divulgado, independente de autorização.

Fonte; http://pagina13.org.br/archives/12154

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Adeus, URSS Há 20 anos caía o chamado socialismo real

Adeus, URSS Há 20 anos caía o chamado socialismo real. O colapso do projeto soviético e a abertura política e econômica do bloco comunista ficaram registrados nas lentes de cineastas russos da década de 1980

http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/adeus_urss.html

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Professores são educadores, não babás"



Vou dividir com vocês o 2º artigo mais compartilhado no Facebook em 2011, a entrevista com Ron Clark , professor americano que diz que "pais desrespeitam regras de escolas, pondo em risco o futuro dos filhos".

Ótima reflexão para que possamos iniciar 2012 em parceria: pais+escola+professores!

O artigo descreve um cenário de guerra, travada entre pais e professores. Na visão de Clark, os pais vêm transferindo suas responsabilidades para a escola, sem, contudo, aceitar que seus filhos se submetam de fato às regras da instituição. Por isso, assim que surge a primeira nota vermelha ou uma advertência, invadem a sala de aula culpando os professores – a pretexto de preservar a reputação e o orgulho de seus filhos. "Precisamos estar mais atentos à excelência acadêmica e menos preocupados com a autoestima das crianças", diz o professor, na entrevista concedida a VEJA.com e reproduzida a seguir. "Essas crianças deixam de aprender que é preciso se esforçar muito para conseguir bons resultados. No futuro, elas não terão sucesso porque, em nenhum momento, exigiu-se excelência delas." Clark conhece sua profissão. Aos 39 anos, vinte deles dedicados à carreira, o americano já lecionou na zona rural da Carolina do Norte, nos subúrbios de Nova York e atualmente comanda uma escola modelo no estado da Geórgia que oferece treinamento a educadores. Graças à função, manteve, desde 2007, contato com cerca de 10.000 educadores de diversas partes do mundo, incluindo brasileiros.

Em seu artigo, o senhor fala de um ambiente escolar em que pais e professores não se entendem mais. O que tornou a situação insustentável, como o senhor descreve?

A sociedade se transformou. Hoje, vemos pais muito jovens, temos adolescentes que se veem obrigados a criar uma criança sem ao menos estarem preparados para isso. São pessoas imaturas. Por outro lado, temos famílias abastadas, em que pais trabalham fora e são bem-sucedidos profissionalmente. Pela falta de tempo para lidar com os filhos, empurram toda a responsabilidade da educação para a escola, mas querem ditar as regras da instituição. Ou seja, eles querem que a escola eduque, mas não dão autonomia a ela.

Que tipo de comportamento dos pais irrita os professores?

Acho que o ponto principal são as desculpas que os pais criam para livrar os filhos das punições que a escola prevê. Se um aluno tira nota baixa, por exemplo, ou deixa de entregar um trabalho, os pais vão à escola e descarregam todo tipo de desculpa: dizem que o filho precisava se divertir, que a escola é muito rigorosa ou que a criança está passando por um momento difícil. Ou, ainda, culpam os professores, dizendo que eles não são capazes de ensinar a matéria. Mas nunca culpam seus próprios filhos. É muito frustrante para os professores ver que os pais não querem assumir suas responsabilidades.

Problemas com notas são bastante frequentes?

Sim. Certa vez tive uma aluna que estava indo mal em matemática. A mãe dela justificou-se dizendo que, na escola em que a filha estudara antes, ela só tirava boas notas, sugerindo, assim, que o problema éramos nós, os novos professores. Infelizmente, essa ideia se instalou na nossa sociedade. Se a nota é boa, o mérito é do aluno; se é baixa, o problema está com o professor. E quando as notas ruins surgem, os pais ficam furiosos com os professores. O resultado disso é que muitos profissionais estão evitando dar nota baixa para não entrar em rota de colisão com os pais, que nos Estados Unidos chegam a levar advogados para intimidar a escola.
Os pais poupam os filhos de lidar com fracassos? Hoje, existe uma preocupação grande com a autoestima da criança. Por isso, muitas pessoas se veem obrigadas a dizer aos pequenos que eles fizeram um ótimo trabalho e que são brilhantes, mesmo quando isso não é verdade. Essas crianças deixam de aprender que é preciso se esforçar muito para conseguir bons resultados. No futuro, elas não terão sucesso porque, em nenhum momento, exigiu-se excelência delas. Precisamos estar mais atentos à excelência acadêmica e menos preocupados com a autoestima das crianças.

Que conselho o senhor dá aos professores?

É possível evitar que os pais surtem diante de notas ruins e do mau comportamento dos filhos se for construída uma relação de confiança. Em vez de só procurar os pais quando as crianças vão mal na escola, oriento que os professores conversem com os responsáveis também quando a criança vai bem. Na minha escola, procuro conhecer os pais de todos os meus alunos. Procuro encontrá-los com frequência e envio cartas a eles com boas notícias. Assim, quando tenho que dizer que a criança não está rendendo o esperado, eles me darão credibilidade e confiarão na minha avaliação.

É possível determinar quando termina a responsabilidade dos pais e começa a da escola?

As duas partes precisam trabalhar em conjunto. Os pais precisam da escola e a escola precisa do apoio da família para realizar um bom trabalho. Um conselho que sempre dou aos pais é que nunca falem mal da instituição de ensino ou do professor na frente dos filhos. Se a criança ouve os próprios pais desmerecerem seus mestres, perde o respeito por eles. O contrário também é verdadeiro. Os professores precisam respeitar os pais, porque eles são parte fundamental na educação de uma criança.

Em algumas situações a discussão sobre responsabilidades da família e da escola surge com muita força. Em casos de bullying, por exemplo, pais e professores trocam acusações. Sobre quem recai a maior parte da responsabilidade nesses casos?

A minha resposta novamente é que precisamos trabalhar em conjunto. Quando o bullying acontece na escola, é obrigação dos professores intervir imediatamente. Mas muitos não agem assim porque querem evitar conflitos com os pais. E isso é muito grave. O bullying está devastando nossas crianças. Precisamos combatê-lo. Para que os professores tenham liberdade para agir, precisam do apoio dos pais. Mas você sabe o que acontece? Muitas vezes, quando os pais são chamados na escola para serem alertados de que seu filho está praticando bullying contra um colega de classe, o que ouvimos é: "Mas qual o problema disso? Tenho certeza de que outros colegas também zombam do meu filho e ele não se sente mal por isso." Mais uma vez, vemos os pais se esquivando da responsabilidade.

A que o senhor atribui o sucesso do artigo que estourou no Facebook?

Eu escrevi o que todos os professores tinham vontade de dizer aos pais, mas não podiam dizer, porque isso os enfureceria. O que eu fiz foi dar voz a milhões de profissionais. Fiquei sabendo que muitas escolas imprimiram o texto e enviaram uma cópia a cada família. Na internet, pessoas de outros países também compartilharam a minha mensagem.

O senhor criou uma escola modelo, a Ron Clark Academy. Como é a relação de seus professores com os pais?

Procuramos estabelecer uma relação próxima. Como eu disse, estamos constantemente em contato com os pais, nos bons e nos maus momentos. Também promovemos encontros semanalmente, nos quais ofereço aos pais a oportunidade de assistir a uma aula na escola, destinada exclusivamente a eles, para que acompanhem o que está sendo ensinado a seus filhos. Ou seja, trabalhamos muito para conquistar uma relação harmônica. Não estou dizendo que é fácil lidar com os pais. Alguns deles podem ser bem malucos.

O senhor, na sua escola, recebe professores de diversas partes dos Estados Unidos e tambem de outros países, como o Brasil. Além dos problemas de relacionamento com os pais, do que mais professores de todo o mundo reclamam?

As avaliações tiram o sono dos professores. Não sei exatamente como funciona no Brasil, mas nos Estados Unidos os professores são constantemente cobrados a melhorar o desempenho de suas escolas em testes padronizados. E todo o processo educacional passa a girar em torno de algumas provas. Isso é massacrante, para os alunos e para os professores. Os professores precisam de mais diversão na sala de aula.

2012: contagem regressiva para o fim do mundo?


Dizem por aí que o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012, data em que teria terminado o ciclo de contagem do tempo do calendário Maia. Mas será esta a verdadeira interpretação da data?

Fabiano Vilaça

O Armagedon tem uma nova data. E como nas outras ocasiões em que o fim do mundo foi anunciado, surgiram inúmeras especulações sobre o trágico “espetáculo” do Juízo Final. Curiosamente, ao contrário do ano 1000 e das previsões de vários “profetas” que desfiaram um rosário de eventos apocalípticos, não se mencionou a volta do Messias, Jesus Cristo na tradição cristã. Talvez porque a tão falada profecia esteja ligada aos maias – civilização que se desenvolveu na Península de Yucatán, no sul do México, e na América Central, em regiões que hoje fazem parte da Guatemala, de El Salvador e de Honduras. Eles eram politeístas, ou seja, adoravam várias divindades, ligadas à natureza.
Mas o que está no centro das recentes especulações apocalípticas é um dos diversos elementos da cultura maia que chegaram até os nossos dias: seu método de contagem do tempo. Eles idealizaram dois calendários: o religioso, com base na Lua, chamado Tzolkim(relacionado a aspectos da vida humana), tinha 260 dias divididos em 13 meses com 20 dias (kins) cada; o outro, Haab, mais parecido com o nosso, era o calendário agrícola (que organizava as etapas do plantio e da colheita), com 365 dias repartidos em 18 meses de 20 dias. Hábeis matemáticos, criaram um complexo sistema de sincronização – a “Roda Calendárica” – desses dois calendários, nada fácil de explicar. Em linhas muito gerais, a cada 52 voltas do Haab (um ciclo de 18.980 dias) correspondia um novo século, quando era realizada a cerimônia do fogo novo.
Momento de renovação
Para os maias, o fim de um ciclo é um momento de renovação, o início de uma nova era – o que desencadeou uma onda de mitos sobre o fim do mundo. O principal diz que o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012. O dia é significativo no calendário justamente porque indica o fim de um ciclo e o início de outro, mas nenhum registro daquela civilização autoriza a afirmar que o mundo acabará naquela data, segundo Anthony F. Aveni, professor de Astronomia e Antropologia da Colgate University, de Nova York.
Outras versões dão conta de que um tal Planeta Nibiru (ou Planeta X) estaria em rota de colisão com a Terra, o que não seria possível, pois, além de não haver dados concretos sobre a sua existência, se fosse entrar em choque com a Terra no ano que vem, hoje já poderia ser visto a olho nu, segundo o astrônomo Marcelo Gleiser. O professor de Astronomia e Filosofia Natural do Dartmouth College, nos Estados Unidos, ainda desmente a suposição de que um alinhamento galáctico envolvendo o Sol, a Terra e o centro da galáxia destruirá nosso planeta. Só que esse fenômeno acontece todo mês de dezembro.
“Esse frenesi todo é irracional”, garante Marcelo Gleiser. Mas serviu, mais uma vez, de inspiração para a poderosa indústria cinematográfica norte-americana, que levou às telas “2012: o ano da profecia” (2009), uma superprodução que consumiu 200 milhões de dólares. Sucesso de bilheteria em vários países, como o Brasil, o filme mostrou que os mitos nascidos da credulidade humana ainda são generosas fontes de lucros. E, de quebra, enalteceu o esforço de reconstrução do mundo pelos Estados Unidos.

Este artigo foi publicado na RHBN 63, Profecias. Para saber mais sobre previsões antigas sobre o fim do mundo, ler o dossiê desta edição

O grande gargalo da educação básica: o Ensino Médio

Segundo pesquisa realizada pelo Ibope a carga horária do Ensino Médio está em descompasso com as necessidades do aluno e com as exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O estudo demonstra que das 4 horas aula diária que o aluno do Ensino Médio tem na escola, apenas 1h44 são aproveitados pelos alunos com aprendizagem e ensino.


Essa foi uma metodologia nova, utilizada pela primeira vez para medir a presença nas escolas, para saber como estava sendo utilizado o tempo na sala de aula e na escola.
Então, ficamos sabendo de uma notícia bastante desagradável e inesperada, pois, a legislação educacional exige uma carga horária de 800h ou 200 dias letivos anuais para a educação básica, ou seja, em todas as suas etapas de ensino; Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Com a pesquisa concentrou o seu foco no Ensino Médio, os dados apontaram que da carga horária anual de 800 horas exigidas na LDB, para o ensino médio, apenas 43%, ou 344 h/a são realmente realizadas com atividades de aprendizado. Quanto ao restante da carga horária, o estudo detectou que há duas situações; ou não há aula ou o aluno não está lá para aprender.
O Ibope utilizou 18 escolas públicas para medir a “audiência” desta etapa de ensino, um estudo inédito. A metodologia utilizada destaca como categoria de análise a audiência que surge em decorrência do resultado da soma de dois fatores, o primeiro, chamado de “oportunidade de ensinar”, foi calculado sobre as aulas efetivamente dadas e o segundo de “oportunidade de aprender” extrai do anterior o tempo em que o estudante estava em classe.
Os pesquisadores consideraram o resultado foi alarmante, pois da carga horária estabelecida pela lei metade do tempo não é utilizada com o pedagógico, ou seja, é feito qualquer outra coisa, que não aprendizado”, segundo Ana Lima, diretora-executiva do Ibope.
Para a superintendente-executiva do Instituto Unibanco, Wanda Engel é de suma importância para o governo o resultado dessa pesquisa, tendo em vista que o mesmo estuda a possibilidade de aumentar a carga horária do ensino médio no país.
Mesmo com todas as recomendações dadas pelos sistemas de que aula de 45min não adiante nada, considerando que é pouco tempo para que o professor possa pelo menos abrir a boca para falar, porque sabemos que só de chamada consome, e para cada aula o tempo médio é de 43 minutos.
Outro fator que chamou a atenção da pesquisa foi à ausência dos professores, faltaram em aproximadamente 19%, há um desperdício de oportunidade de ensinar muito visível, e a agravante de tudo isso são as faltas do professores, infelizmente.
São tantos os gargalos do Ensino Médio no Brasil, o seu currículo que não atende as necessidades dos jovens e muito menos do mercado de trabalho, o tempo na escola, a formação dos professores, o conteúdo a ser trabalhada, a metodologia, a prática pedagógica, os investimentos, os laboratórios, as tecnologias e outras vertentes que possam contribuir para o enfrentamento desses desafios.
Afinal, como precisa ser o Ensino Médio, percebe-se que com 11 anos de implantação da reforma dessa etapa de ensino, a escola até agora, não entendemos o que de fato precisa ser ensinado e aprendido no Ensino Médio. Mesmo com todas as formações realizadas, com todos os documentos produzidos e divulgados, ainda assim estamos patinando na seara da má qualidade do ensino que oferecemos aos jovens brasileiros.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Religiões de Matrizes Africana e a Intolerância Religiosa



Por Jorge Campos

Somos Um País Laíco?

Em um País onde em sua nota está escrito “DEUS SEJA LOUVADO”, onde Igrejas não pagam impostos, onde a Religião e os Dogmas Religiosos interferem nas leis, outra pergunta deveria ser feita: Onde está a Laicidade do Brasil?

Um País Laico é aquele cujo a Religião não interfere na República. Em um País Laíco, nunca um padre que nunca se quer pegou em um microscópio interferiria em uma pesquisa que leva anos, como as células troncos; nunca haveria uma estátua religiosa (Cristo Redentor) em locais públicos, a Igreja não faria leis contra o aborto, e ousaria a aprovar leis como a que proíbe estúdios de tatuagem a atuarem na cidade de São Paulo; nunca um criminoso ao alegar ser evangélico teria sua pena reduzida, ou até mesmo não ser preso.

No papel, na Constituição, somos um país laico, mas fora dele, nem de perto somos. E o Governo continua a mentir, dizendo que somos um país laico, mas será que o Governo acha que somos tão idiotas a ponto de acreditar nisso? Ou será que o Governo está mentindo para sí mesmo?

Como se sente um candomblecista, muçulmano, judeu, hindu, ateu, budista, espírita. Agnóstico; enfim, todos aqueles que não são cristãos, em uma Sociedade como a nossa? Em um País com inúmeros feriados cristãos como: Natal, Páscoa, Dia de São Jorge, Dia de “Nossa Senhora”, Corpus Christ e de inúmeros outros santos e santas? Será que ficam encabulados e/ou nervosos com a situação de nosso País? Ou será que agem hipocritamente? Já que nesses dias não precisará trabalhar e dependendo até ganhará presentes. Agora finalizo com outra pergunta:

Quando seremos um país laico?
Profª Diana Costa via Facebook:

Rede Record diante há muitas cobranças deu um salto, um pequeno avanço, pois todos nós sabemos o qnto a emissora é preconceituosa, esse vídeo remete a minha liberdade de crença e de religião, é saber que nossa luta, refiro-me a luta de todo Povo de Santo esta fazendo com que essa galera reflita, reveja conceitos e proponha um dialogo como esse. Sabemos o qnto a mídia envade nossas casas, e interfere na mente de crianças e jovens.
Respeitar o outro é importante, não devemos exigir tolerância, pois eu não preciso que tolerem minha religião, nós enquanto filhos e filhas de santo precisamos é de respeito, dessa forma viveremos em uma democracia e colocaremos a laicidade que tanto o Governo prega ter em prática.
Fundamental é o respeito de gênero, de raça/etnia, de homoafetividade e de religião. Meu tio Francisco de Oxum da Nação Ketú participa do video e suas palavras foram sábias, aliás Meu Mozão Jorge Campos excelente texto de reflexão.
Esse vídeo dá a oportunidade de nós adeptos do candomblé compartilhar em nossos murais e abrir esse debate.
Axé de luz meus irmãos!!

O Natal em África



A Africa é um continente vasto composto de 54 países e grande diversidade étnica, o natal em África, com toda a sua riqueza e tradição, é marcado por inúmeras celebrações. Neste texto apenas segue celebrações de natal em alguns lugares em África.


No Congo

No Congo na África, um grupo é designado apenas para preparar o desfile anual de Natal. Na manhã de Natal, as pessoas caminham ao redor da aldeia e cantam músicas natalinas. Nas suas casas vestem roupas de festa e levam oferendas para o serviço especial que é realizado na casa de culto, onde é celebrada o aniversário de Jesus. Após o serviço, as pessoas convidam amigos para a ceia de Natal organizadas na frente de suas casas.

Na África do Sul

No Natal na África do Sul é verão, com sol e flores a desabrochar com a graça do Natal. É tempo de férias de verão nas escolas. Nos grandes centros, há exibição especial de shows natalinos. As pessoas usam ramos de pinheiro para decoração de Natal em suas casas como arvores de natal com presentes para as crianças.

Em Gana

Em Gana, na costa oeste da África, igrejas e casas são decoradas quatro semanas antes do Natal. Época do Natal é o tempo para a colheita de cacau e, portanto, as pessoas estão prósperas e com dinheiro de sobra.Todo mundo volta para casa na véspera de Natal incluindo os agricultores e mineiros. As crianças cantam canções de Natal e marchar pelas ruas gritando: "Cristo está chegando!". Em casa se vestem com trajes indígenas ou ocidentais e vão para igreja. À noite, um serviço especial é realizado nas igrejas, que estão decoradas com árvores verdes e de palma e velas acesas. Celebrações de Natal são realizadas e as pessoas cantam canções de Natal. No 26 de dezembro é feriado um dia para relaxar.

Na Libéria

Na Libéria a festa de Natal tradicional consiste em arroz, carnes, mingau, sopa ou guisado de quiabo e cole inhame chamado fufu. Famílias e amigos próximos se reúnem na festa e compartilham presentes. Uma arvore de palma decorada com sinos é utilizado como a árvore de Natal na Libéria. Na manhã de Natal, eles acordam com canções e compartilhar itens de utilidade, como sabonetes e lápis como presentes de Natal. O jantar de Natal na Libéria é organizada ao ar livre e os pratos tradicionais são compostos de carne, arroz e biscoitos. Jogos tradicionais de Natal servem como passatempo na parte da tarde, enquanto os adventos de Cristo são celebrados na noite com fogos de artifício.

Na Etiópia

A Etiópia é um dos mais antigos países da África e um dos poucos onde o antigo calendário Juliano, de acordo com a Igreja Copta, ainda é seguida. Isso significa que aqui, o Natal é comemorado em 7 de janeiro, em vez de 25 de dezembro e a festas de Natal se refere como "Ye Ganna Bal", que significa "Nascimento de Cristo". Neste dia, freqüentar a igreja é uma estrita observância religiosa, em vez de ser apenas uma formalidade festiva. O Natal na Etiópia é uma festividade muito colorida e às vezes pode durar dias. Familiares e amigos se reúnem para saborear uma boa comida, celebrar cultos e jogos tradicionais. A Etiópia é um país vasto composto de mais de oitenta línguas e culturas, sem dúvida, então, que as tradições são muito diversas. Natal etíope é um amálgama de muitos costumes diferentes.

Se você conhece alguma celebração de Natal em África compartilhe conosco, e acrescente na lista. Muita Paz!

Hernani Francisco da Silva

sábado, 3 de dezembro de 2011

Direitos Humanos aprova inclusão de nome indígena ou africano no RG

01/12/2011 13:46


Arquivo/ Beto Oliveira
Márcio Marinho
Marinho incluiu os indígenas.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovou na quarta-feira (30) projeto que permite aos afrodescendentes e indígenas inserir em suas identidades sobrenomes de origem africana ou indígena, sejam eles familiares ou não.

A proposta altera a Lei de Registros Públicos (6.015/73), que possibilita a mudança de nome aos maiores de 18 anos.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo deputado Márcio Marinho (PRB-BA) ao Projeto de Lei 803/11, dos deputados petistas Nelson Pellegrino (BA), Edson Santos (RJ) e Luiz Alberto (BA), que originalmente beneficiava apenas os afrodescendentes.

“A regra deve também permitir ao índio o acréscimo de nome de ancestrais, a fim de resguardar sua identidade cultural e familiar, guardando simetria com o tratamento dispensado aos afrodescendentes”, justificou Marinho.

O substitutivo de Márcio Marinho também deixa claro que o sobrenome afrodescendente ou indígena será acrescentado ao nome, uma vez que os apelidos de família não podem ser prejudicados. Além disso, o registro civil poderá ser alterado em qualquer tempo, independentemente da maioridade civil.

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Noéli Nobre
Edição - Wilson Silveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara de Notícias'

íArtigo mostra a persistência do racismo no Brasil e propõe formas de superá-lo

Desconstruir o racismo e forjar uma utopia radical negra

O país cresce, se consolida na esfera internacional, redistribui renda, diminui a taxa de analfabetismo, sobe posições em seu IDH e mantém sua população negra em padrões de vida semelhantes aos países da África Subsaariana. O país vai bem, os negros vão mal.

Por Douglas Belchior e Jaime Amparo Alves*

No Ano Internacional dos Afrodescendentes, há pouco para ser comemorado sobre a situação de negros e negras no Brasil, a maior nação afrodescendente fora do continente africano. Se houve progresso nos indicadores sociais do país, a precariedade das condições de vida de negros e negras segue sendo o principal empecilho para que o Brasil passe a fazer parte do seleto grupo de nações com alto índice de desenvolvimento humano.

Se dividíssemos o país pela linha da cor e acesso às oportunidades, teríamos entre nós “dois Brasis” distintos: uma Noruega e um Congo. Isso equivale a dizer que, passados 123 anos da abolição da escravidão, a população negra continua sendo uma dor de cabeça para as elites do país. O que fazer com essa massa de gente feia, pobre e perversa que enche as favelas, polui a paisagem urbana e coloca em risco “nossa” segurança e nosso patrimônio?

Ainda assim, há uma teimosia negra que torna relevante uma outra questão: como foi possível que, apesar dos projetos raciais de embranquecimento e de extermínio da população negra, esse grupo chegue ao século XXI como a maioria do povo brasileiro? Como resolver o ‘problema’ cultural, religioso, econômico e político, representado pela presença negra no país que se quer “civilizado” e moderno? Quais os principais desafios colocados ao movimento negro e à esquerda, levando em conta os aspectos conjunturais da política brasileira?

Nem direitos, nem humanos: o que fazer com os feios, sujos e malvados?

A resposta para esta pergunta pode ser encontrada nas políticas de segurança pública que elegem o corpo negro como o depositário absoluto do mal. Ainda está para ser feita a conta de quantos negros e negras morreram (e vão morrer) nos programas de sanitarização urbana empreendidos pelos governos federais e estaduais no bojo da preparação para os mega eventos esportivos.

A importação de tecnologia israelense para a ‘pacificação’ das geografias urbanas do país dá uma dimensão do que vem por aí. Massacres, prisões em massa, demolições de favelas, desaparecimentos. Ainda assim, o espetáculo da morte negra ao vivo, pelas câmeras do jornalismo criminoso não comove nem suscita reações da chamada ‘sociedade civil’.

Entre os inúmeros exemplos, o leitor poderia fazer um paralelo entre as reações que se seguiram a morte do menino João Hélio Fernandes Vieites, arrastado por bandidos em um carro no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2007 e a banalizada morte de crianças negras como a do menino Juan Moraes, de 11 anos, em junho de 2011, por policiais militares do 20º BPM (Mesquita), na Favela Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Qual o valor da vida negra em uma sociedade que se diz anti-racista, mas insiste em produzir padrões de vulnerabilidade à morte delineados por raça e classe social? Se levarmos em conta que entre nós permanece atualizada a máxima “direitos humanos para quem é humano”, fica fácil entendermos que a morte de negras e negros não suscita comoção porque este grupo social não tem sido visto nem pela lógica dos direitos nem pela lógica do humano; em outras palavras, é um grupo que carrega um ‘defeito de cor’ que lhe anula a possibilidade de um reconhecimento como humano.

Temos insistido que é impossível entender a necro/política racial brasileira sem levar em conta o lugar do corpo negro no projeto da nação verde-amarelo. Se por um lado o corpo negro é consumido na figura da mulata tipo exportação, do homem negro hiper-sexual, do carnaval, do futebol, da favela e do candomblé com espaços do turismo exótico -, por outro ele alimenta a imaginação racista branca como sinônimo do ‘mal’: criminoso, perverso, dependente do bolsa-família, favelado, fanqueiro, promíscuo.

Haveríamos de nos perguntar então como é possível uma sociedade não-racista, como nos quer fazer crer a grande mídia brasileira, capitaneada pela Rede Globo e pela Revista Veja, providencialmente coordenadas por uma intelectualidade treinada a partir das lições de Ali Kamel, Demétrio Magnoli e sua turma encastelada nas universidades brasileiras, conviver com tamanho paradoxo: ao mesmo tempo em que é impossível saber quem é negro e quem é branco no Brasil, negros são as principais vítimas da violência homicida, a maioria dos que apodrecem nas prisões, os alvos prediletos do terror policial e a maioria entre os empobrecidos e analfabetos.

Em outras palavras, se os cínicos insistem em negar a existência do racismo no país, com um pouco de sensibilidade política não nos parece ser difícil localizar onde estão os negros na hierarquia social brasileira. Os encontros mortais dos negros com o aparato policial por si só deixam nu o argumento de que é impossível saber quem é negro e quem não é no país da democracia racial. A incrível capacidade da polícia em identificar o corpo negro nas invasões de favelas e a insidiosa disparidade nos números de homicídios entre a população jovem de ambas as raças, requer no mínimo que o discurso que nega a existência do racismo se sofistique.

Racismo em números

Todos os indicadores sociais apontam para um padrão consistente de vulnerabilidade social de negras e negros, seja no mercado de trabalho, no acesso à educação formal, no acesso à moradia urbana, à terra ou à justiça. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego é de 105 entre negros e 8% entre os brancos.

O Relatório Global sobre a Igualdade no Trabalho, de 2011, aponta que, embora seja 45,5% da população ativa, a participação de negros na população desempregada total é de 50,5%. Outro importante indicador, o perfil das 500 maiores empresas do país, traçado pelo Instituto Ethos, mostra que quanto maior o nível hierárquico, menor a probabilidade de negros no quadro de direção. Em 2010, os negros representavam 5% dos executivos e 13% dos gerentes das 500 maiores empresas.

A mulher negra segue sendo, para usar a expressão de Sueli Carneiro, “a última da fila depois de ninguém”. Elas simplesmente não existem, representam apenas 0,5% dos cargos de chefia ou gerência (3). No geral, as mulheres negras ganham em média 70% menos do que ganha o homem branco e a metade do que ganha o homem negro. Para a pergunta “qual o lugar da mulher negra na força de trabalho?”, a resposta é relativamente simples: o mesmo lugar que ocupava em 1888 quando da abolição da escravidão, ou seja, a cozinha.

No que diz respeito ao acesso à educação formal, embora tenha havido uma expansão universal do ensino básico e médio, de acordo com o IBGE os negros representam 70% dos cerca de 14 milhões de analfabetos do país. No ensino superior não é diferente: em 2007, entre a população branca com mais de 16 anos, 5,6% frequentavam o ensino superior, enquanto entre os negros esse percentual era 2,8%. As universidades públicas brasileiras têm feito pouco para mudar este abismo; apesar das políticas afirmativas, entre 1997 e 2007 o ingresso de negros com mais de 16 anos aumentou apenas 1,8% (de 1 para os atuais 2,8%).

O aumento na matrícula de jovens negros no ensino superior deveria não ofuscar um aspecto importante aqui: as iniciativas negras autônomas, como os pré-vestibulares comunitários, que têm preparado jovens para o seleto vestibular. À revelia da comunidade acadêmica, tais organizações têm pressionado o governo e os gestores universitários a adotarem políticas de inclusão e começarem a mudar a configuração monocromática das universidades públicas.

Ainda assim, e apesar da luta, um menino pobre, negro, morador do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, ou na favela da Maré, no Rio de Janeiro tem pouquíssimas chances de entrar na USP ou na UFRJ, as universidades-símbolo da exclusão educacional no país. Ambas insistem em protelar o debate sobre as ações afirmativas e seguem imbatíveis, ferindo o principio republicano da igualdade de oportunidades e de direitos que supostamente defendem.

O acesso à terra continua sendo uma prerrogativa dos senhores brancos. A chamada bancada ruralista, no Congresso Nacional, representada por figuras como Ronaldo Calhado e Kátia Abreu é o principal, embora não o único, entrave ao processo de afirmação dos direitos das comunidades quilombolas.

No lado oposto da trincheira estão as populações tradicionais quilombolas organizadas através da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas. O acesso à terra urbana também continua inalterável. A oferta de credito imobiliário, uma política dos governos Lula/Dilma, desvirtuou a questão transformando o solo urbano em mais uma fronteira para a contenção emergencial da crise financeira. São as construtoras, e a emergente classe média branca, as principais beneficiárias do Programa Minha Casa Minha Vida. Por outro lado, a população negra segue vivendo majoritariamente em áreas urbanas desprovidas de infraestrutura básica.

De acordo com a ONU-HABITAT, o Brasil possui 28,9% da sua população urbana vivendo em favelas (2). Com os mega eventos esportivos surgem no país agora uma nova categoria de vítimas: os refugiados internos. São os moradores expulsos do entorno de áreas nobres das cidades-sede da copa do mundo de 2014 e das olimpíadas de 2016. São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, se tornaram lugares comuns de incêndios inexplicáveis de favelas localizadas em pontos estratégicos da cidade.

Assim como as políticas de ‘pacificação’ das “geografias problemas”, os incêndios aparecem como uma ótima oportunidade para ‘resolver’ a questão política inadiável: abrir a cidade para a circulação de mercadorias e de capital.

O Genocídio da Juventude Negra

Talvez a morte prematura da juventude negra seja a face mais visível e mais cruel do racismo Brasil. Qual seria a reação se os papéis se invertessem e a vitimização de jovens brancos entre 15 e 24 anos fosse três vezes maior do que entre jovens negros vivendo sob a mesma bandeira nacional?

Jovens negros são as principais vítimas não apenas das políticas oficiais de extermínio, como também da violência homicida em geral. Nos últimos dez anos, o país registrou 522 mil homicídios, o que equivale a cinco guerras no Iraque. Os pesquisadores da violência urbana têm identificado um padrão persistente de vítimas: jovens, moradores de áreas urbanas precárias, negros.

Se o quadro já é assustador com o país ocupando a sexta posição mundial no ranking de homicídios entre jovens, não seria exagero afirmar que nenhuma outra nação fora do continente africano assassina tantos negros. Em alguns estados brasileiros, o padrão de vitimização de jovens negros chega a quase 2000% em relação aos jovens brancos na mesma faixa etária, como mostram os exemplos da Paraíba (1.971,2%), Alagoas (1.304,0%) e Bahia (798,5%), os estados líderes no assassinato de jovens negros (3).

Os dados do Ministério da Justiça revelam que, em 2002, em cada grupo de 100 mil negros, 30 foram assassinados. Esse número saltou para 33,6 em 2008; enquanto entre os brancos, o número de mortos por homicídio, que era de 20,6 por 100 mil, caiu para 15,9.

Em 2002, morriam proporcionalmente 46% mais negros que brancos. Esse percentual cresce de forma preocupante uma vez que salta de 67% para 103%. Constata-se que o grau de vitimização da população negra é alarmante: 103,4% maiores as chances de morrer uma pessoa negra, se comparada a uma branca; sendo 127,6% a probabilidade de morte de um jovem negro [de 15 a 25 anos] à de um branco da mesma faixa etária.

Ao publicar os dados do governo federal, de certa forma, também já admite a sua cumplicidade com a matança. Um estudo conjunto entre a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, a UNICEF e o Observatório de Favelas revelam que 33,5 mil jovens serão executados no Brasil entre 2006 a 2012. Os estudos apontam que os jovens negros têm risco quase três vezes maior de serem executados em comparação aos brancos. Se distribuída a chacina no tempo, os números equivalem a 400 mortes por mês. É como se todo mês dois aviões Air Bus, lotados de jovens de até 18 anos, caíssem em algum lugar do Brasil, sem nenhum sobrevivente.

Embora a polícia em si não seja a única força letal contra a juventude negra, ela é certamente uma das mais incisivas. Apesar de ser visto como exagero pelos setores conservadores da sociedade, a política programada de eliminação de negros pelas forças policiais já é admitido por parte imprensa nacional, a exemplo do jornal Correio Braziliense, que após cruzar dados de mortalidade por força policial do Ministério da Saúde e das ocorrências registradas nas secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e São Paulo, revelou que uma pessoa é morta no Brasil pela polícia a cada cinco horas e que 141 assassinatos são realizados por agentes do Estado a cada mês. Ainda segundo o estudo, Rio de Janeiro e São Paulo concentram 80% dos assassinatos cometidos por policiais no Brasil.

Segundo a Human Rights Watch, entre 2005 e 2009, as forças policiais de São Paulo e Rio de Janeiro assassinaram 11.000 pessoas sob a justificação legal de ‘resistência seguida de morte’ ou ‘autos de resistência’. Nos últimos cinco anos, a polícia paulista assassinou mais pessoas (2176) do que toda a polícia sul-africana (1623). Embora os números do terror policial sejam inconsistentes e não-confiáveis, o assassinato de jovens negros pela polícia já faz parte do senso-comum.

Poupemos o leitor com a ladainha de sempre, afinal os últimos desdobramentos dos programas de ‘pacificação’ urbana, as imagens (não reveladas) de corpos negros lançados aos porcos, a política do ‘estribucha até morrer’, ou ainda os desaparecimentos cada vez mais comuns de pessoas ‘com passagem pela policia’ falam por si só.

Progresso racial? Um passo a frente e dois passos atrás

“Você não pode enfiar uma faca de nove polegadas nas costas de uma pessoa, puxar seis polegadas para fora, e chamar isso de progresso!”. A frase ao lado, de Malcolm x, expressa nosso ceticismo quanto à ideia de progresso racial vendido à exaustão na propaganda política do governo federal e ecoado em alguns setores do movimento negro. O acesso da população negra a direitos básicos de cidadania é mais uma conquista da luta organizada do que uma concessão do Estado.

Dado o lugar histórico de não-cidadãos ou cidadãos de terceira categoria que os negros ocupam no nosso ‘regime racializado de cidadania’ (4), ainda estamos há kilômetros dos primeiros passos consistentes rumo à correção das injustiças raciais. A cidadania incompleta reflete a abolição inconclusa, uma vez que os direitos básicos de cidadania do pós-abolição não são reparação nem podem mudar, como um passe de mágica, a estrutura perversa da sociedade brasileira.

O racismo cotidiano a que estão submetidos negros e negras poderia ser entendido aqui a partir da imagem de uma bola de aço amarrada no calcanhar de alguém que desesperadamente tenta fugir de um leão faminto. O país cresce, se consolida na esfera internacional, redistribui renda, diminui a taxa de analfabetismo, sobe posições em seu IDH e mantém sua população negra em padrões de vida semelhantes aos países da África Subsaariana. O país vai bem, os negros vão mal.

Talvez o exemplo mais ilustrativo para o leitor entender nosso pessimismo quanto a um suposto progresso negro seja o processo que levou à aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, o qual sugestivamente chamamos de “Estatuto da Democracia Racial”. Apresentado pelo senador Paulo Paim (PT-RG), o PL do Estatuto da Igualdade Racial tramitou no Congresso Nacional por sete anos até ser aprovado pelo presidente Lula em 2010.

A proposta animou a esperança de o Estado brasileiro finalmente iniciar um processo de reparação aos descendentes da escravidão no Brasil. No entanto, nos difíceis anos de debate e enfrentamento aos que resistiam à sua aprovação, a proposta original sofreu alterações que esvaziaram o seu sentido reparatório. Ainda em 2009, alterações feitas na Câmara Federal rebaixaram o Estatuto para uma condição “autorizativa”, além de não garantir recursos para sua execução. Com isso, os gestores públicos já não seriam obrigados a colocá-lo em prática.

Ao sancionar o Estatuto da Igualdade Racial Lula inadvertidamente (ou ironicamente orientado por uma parcela do movimento negro seduzida pelo Planalto) deu novo combustível ao mito da democracia racial brasileira. Fruto de um acordo espúrio entre setores do governo e o DEM, representado pelo senador Demóstenes Torres, relator do projeto e presidente da CCJ no senado, com o Estatuto demos um passo adiante (se o leitor não quiser ser tão pessimista) e dois passos atrás. Vazio de conteúdos, o documento selou um acordo de cavalheiros em que ganhou o governo – sem obrigação de implementá-lo – e ganhou a oposição, defendendo a ordem branca atual.

O acordo que possibilitou a aprovação do Estatuto simplesmente enterrou as reivindicações históricas e esvaziou a já fragmentada mobilização política do povo negro. O texto aprovado excluiu as cotas para negros nas universidades, nos partidos e nos serviços públicos; excluiu a garantia do direito a titulação das terras quilombolas; excluiu a defesa e o direito a liberdade de prática das religiões de matriz africanas e não fez referência a necessidade de atenção do

Estado ao genocídio cometido pelas políticas que vitimam a juventude negra. Com a bobagem do “melhor um estatuto imperfeito do que um estatuto perfeito engavetado”, representantes de uma ala do movimento negro governista impôs a todos nós uma derrota ainda por ser digerida pela militância negra radical e ainda por ser estudada pelas ciências sociais interessadas em entender os processos de cooptação e subordinação política negra no Brasil da era Lula. Ta aí, de mão beijada, um tópico de pesquisa que o leitor de Caros Amigos bem poderia abraçar.

À esquerda de Karl Marx?

Tomamos emprestado a Carole Boyce Davies (5), o título acima para uma última questão ainda pouco explorada sobre o movimento negro e a esquerda brasileira. Por que a esquerda brasileira continua refratária a incorporar a dimensão racial como estrutura fundante das desigualdades sociais no país?

Também, ao passo em que reconhecemos o terror estatal do período militar e nos colocamos como participantes na luta pela Comissão da Verdade, questionamos: por que as vítimas da ditadura militar - e não o estado de exceção permanente em que vivem os negros nas favelas brasileiras – tem sido o paradigma da luta pelos direitos humanos no Brasil?

Hipóteses: a)Talvez porque, ao contrário das vítimas da ditadura militar, o assassinato de negras e negros não é suficientemente ‘político’ para uma luta coletiva contra a violência estatal e para a unificação de bandeiras contra a opressão. b) Porque a morte negra é tão banal que ela não pode ser vista como tragédia. Afinal, o que é a ditadura para quem a lei está em permanente estado de suspensão? c) Porque a condição negra é vista, nos olhos da esquerda, como uma consequência/derivativa, ao invés de parte fundante, do capitalismo racial brasileiro?

As questões acima parecem díspares, mas não são. Elas apontam para uma dificuldade histórica da esquerda em entender a condição estrutural dos negros na sociedade brasileira. A dificuldade em relacionar a questão racial à interpretação dos antagonismos de classes parece ser uma “virtude” do campo progressista, afinal, temos razões para acreditar que as elites sempre perceberam e atuaram a partir da ideia de que a classe trabalhadora no Brasil se caracteriza pela matriz étnico-racial e que, para mantê-la dominada, seria necessária a construção de um mito que convencesse o ‘povo brasileiro’ da sua cordialidade.

Não seria este mesmo discurso reatualizado na acusação de que movimento negro fragmenta a luta de classes no Brasil? Aqui esta o calcanhar de Aquiles da ‘nossa esquerda’: ela é refém de um discurso homogeneizante produzido pela Casa Grande.

Para esvaziar a luta política pela emancipação radical numa sociedade estruturada a partir das desigualdades de raça, gênero e classe, foi preciso uma mentalidade que conformasse a população em uma nação imaginada como una, uma mentalidade que, apesar de explicitamente condenar determinado grupo ao subjugo, construísse em torno dessa realidade um aspecto positivo, negasse a especificidade da experiência negra, reforçasse a boa convivência, a fraternidade e a compaixão, enfim, um ambiente de democracia racial. Afinal, o que é o povo brasileiro senão esta deliciosa mistura? O que é a classe trabalhadora senão esta massa de indivíduos sem rosto, sem sexo, sem gênero e sem raça?

Ao negar a existência do conflito entre brancos e negros, as elites brasileiras negam também o antagonismo entre as classes. Inversamente, a resposta da esquerda à direita tem sido negar o antagonismo racial, como se o resgate da identidade negra não fosse um elemento revolucionário, na medida em que a negritude está relacionada a pobreza e à opressão.

Na medida em que há um reconhecimento e um resgate dessa identidade racial, ela está carregada também de uma identidade de classe no tripé preto/a-pobre-trabalhador/a. Uma vez que as esquerdas brasileiras hesitam em assumir a questão racial – ou a assumem como uma consequência da dominação de classe – acaba ficando para nós, as vítimas do racismo, a tarefa de oferecer um projeto radical de transformação da sociedade que incorpore como suas matrizes as dimensões de classe, gênero, sexualidade e raça.

A condição negra – os últimos da fila depois de ninguém – pode(ria) ser o ‘lugar’ de onde gestar um projeto de sociedade que questione não apenas o modelo capitalista de organização social, mas também o modelo de resistência a ele porque tal modelo tem deixado de fora das suas prioridades as bandeiras de lutas da nossa gente.

Refundar a esquerda brasileira implicaria, a partir da nossa lógica, colocar em perspectiva histórica e política o lugar do corpo negro como o ponto de partida para entender onde estamos e onde queremos chegar. Estaria o movimento negro brasileiro à altura de tal desafio?

A relação de setores do movimento negro com o Estado na era Lula/Dilma e o incômodo onguismo que cada vez mais substitui as iniciativas negras lançam dúvidas sobre isso. O 20 de novembro pode ser uma data importante para o movimento negro - em sua multiplicidade – resgatar a utopia negra, uma utopia que resignifique a luta e incorpore as dimensões de classe, gênero, sexualidade e raça como convergentes.

Resgatar identidade racial negra é provocar, em conjunto, o resgate e a releitura de uma identidade de classe explosiva e revolucionária. Eis aí o temor das elites brasileiras assombrada com a experiência transgressora do povo preto do Haiti. Aí repousa a justificativa para a violência programada contra negras e negros brasileiros. E repousa aí também a oportunidade de, ao refletir e fazer a autocrítica necessária às organizações e a nossa postura, fazer nascer uma nova forma de provocar a organização da classe trabalhadora no Brasil

Que os detratores das ações afirmativas não nos ouçam, mas seria trágico se o movimento negro sucumbisse a uma agenda que tivesse como fim último a inclusão de negras e negros no modelo de sociedade que aí esta. Isso implicaria aceitar o status subalterno negro que o capitalismo racial requer. Faz-se imperativo que enquanto lutamos pragmaticamente pelo direito à existência, pelos direitos de cidadania e pela afirmação de nossa identidade, não capitulemos de uma utopia revolucionaria negra. A luta pela liberdade humana é incompatível com o modelo de sociedade que aí está.

*Jaime Amparo Alves é jornalista e antropólogo e Douglas Belchior é historiador. Ambos são membros da Uneafro-Brasil.

(1) Instituto Ethos, O Perfil Social, Racial e de Gênero 2010.
(2) Ver ONU-HABITAT, Indicadores Urbanos. Disponível em: http://www.unhabitat.org/stats/Default.aspx.
(3) Waiselfisz, Julio Jacob. Mapa da Violência 2011: os jovens do Brasil. Instituto Sangari, Brasília.
(4) Vargas, Joao e Amparo Alves, Jaime. Geographies of Violence: an intersectional approach on police violence in Sao Paulo.
(5) Davies, Carol Boyce. Left of Karl Marx: The Political Life of Black Communist Claudia Jones. Duke University Press, Durham, 2008.


Fonte:

http://carosamigos.terra.com.br/index2/index.php/noticias/2146-artigo-mostra-a-persistencia-do-racismo-no-brasil-e-propoe-formas-de-supera-lo