Você encontra aqui conteúdos da disciplina História e Cultura Afro- Brasileira para estudos e pesquisas, como também, assuntos relacionados à Política, Religião, Saúde, Educação, Gênero e Sociedade.
Enfim assuntos sobre o passado e sobre nosso cotidiano relacionado à História do Brasil e do Mundo.








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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Filmes que valem a pena assistir...

Socializamos uma pequena filmoteca que discute apartheid, segregação, direitos e igualdade. Vale a pena assisitir...

Filme: A Busca pela Justiça
Em 1931 nove jovens negros, com idade entre 12 e 20 anos, foram retirados de um trem e presos, acusados de terem estuprado duas mulheres brancas. Após um rápido julgamento, eles foram condenados à cadeira elétrica. A notícia gerou grande polêmica, o que fez com que a Corte Suprema dos Estados Unidos resolvesse fazer um novo julgamento. É quando Samuel Leibowitz (Timothy Hutton), um advogado nova-iorquino com uma impressionante seqüência de vitórias nos tribunais, decide defender os acusados.
Título no Brasil: A Busca Pela Justiça
Título Original: Heavens Fall
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Site Oficial: http://www.heavensfallthemovie.net
Estúdio/Distrib.: Flashstar
Direção: Terry Green


Filme: A cozinha de Toto
Este filme, através da história de dois garotos, um branco, o outro negro, conta um pouco da história da região hoje conhecida como Quênia. Mwangi, um jovem rapaz da tribo Kikuyu arruma emprego na casa de um policial britânico, numa das regiões africanas dominadas pelos ingleses. O ano é precisamente 1950, quando o movimento de independência começa a ganhar apoio entre a população Kikuyu. Mwangi começa a trabalhar para a família de John Graham, apesar dos protestos de sua esposa Janet. Ele aprende o serviço de ajudante de cozinha com Mugo, um pouco mais velho do que ele. Num ambiente hostil e estranho dos brancos, o garoto faz amizade com o filho da família Graham, Edward, os dois meninos brincam e passeiam na floresta, até que vida de Mwangi se modifica por causa do movimento clandestino dos negros, que invade a casa dos Graham exigindo o apoio de todos os empregados negros...Um filme que comoveu a crítica americana por sua extrema força e beleza.
Elenco: Bob Peck, Phyllis Logan, Robert Urquhart
Direção: Harry Hook
Gênero: Drama
Ano Original: 1987

Filme: Um por Deus outro pelo Diabo

"UM POR DEUS OUTRO PELO DIABO, é um filme de western com imensas qualidades, que marca a estréia na direção de Sidney Poitier, bem como sua primeira parceria nas telas com o super-astro Harry Belafonte. Poitier estrela como Buck, um ex-sargento confederado da cavalaria que escolta escravos libertos até as fronteiras do Colorado. Junto com ele vai sua esposa e um condenado picareta com uma bíblia na mão, chamado de O Padre. Atacados por racistas caçadores de recompensa, determinados a devolvê-los à sua antiga vida têm que juntar toda coragem para continuar seu caminho e ajuda a construir o Velho Oeste."
Diretor: Sidney Poitier
Cantor/Ator/Banda: Sidney Poitier, Harry Belafonte
Duração: 102 Minutos
Gênero: Western
Sistema de Video: Widescree
Sistema/Idioma Audio: Inglês e Português
Dolby Digital 2
Distribuidora: SONY PICTURES


Filme: No calor da noite
Um figurão de uma pequena cidade do Mississipi é assassinado e as suspeitas caem sobre Virgil Tibbs (Sidney Pottier), um detetive negro de passagem pela cidade. Quando a polícia local descobre quem ele é, passa a depender de sua ajuda para solucionar o caso. Agora Virgil terá que lidar com criminosos e com o preconceito das pessoas do local. Vencedor do Oscar de Melhor Filme.
Direção: Norman Jewison
Roteiro: John Ball (romance), Stirling Silliphant (autor)
Gênero: Drama/Policial
Origem: Estados Unidos
Duração: 109 minutos
Tipo: Longa


Filme: A morte do profeta Malcolm X
Numa mistura de documentário e drama emocional, A Morte do Profeta narra os trágicos eventos que marcaram o último dia na vida do ativista negro Malcom X, em 21 de fevereiro de 1965. Malcom X (interpretado por Morgan Freeman) foi um dos maiores batalhadores pelos direitos civis da história americana, ao lado de Martin Luther King, com quem compartilhou também a morte de maneira trágica e violenta. Conheça a história de um homem que sacrificou a vida em troca de um futuro mais justo para seus irmãos e irmãs.
A Morte do Profeta consegue cativar e sensibilizar mesmo depois de passados 40 anos da morte de Malcom X. O elenco destaca a presença de Yolanda King, filha de Martin Luther King, além de depoimentos de amigos e testemunhas oculares do assassinato de Malcom X. Ossie Davis, Yuri Kochiyama e Amiri Baraka dão depoimentos emocionados, ajudando a situar a importância de Malcom X dentro da sociedade americana contemporânea e seu efeito nas próximas gerações.

Elenco: Morgan Freeman, Yoland King, Mansoor Najee-Ullah, Sam Singleton, Tommie Hicks, Yusef Iman, Sonny Jim Gaines, Kirk Kirkey, Charles Griffin, James Dejongh, Salaelo Maredi
Direção: Woody King Jr
Gênero: Drama
País: Estados Unidos
Ano Original: 1981

Filme: Agosto Negro (Black August)

A curta vida do ativista condenado George Lester Jackson (Gary Dourdan, da série CSI) se torna o estopim para uma revolução, dando início a mais sangrenta rebelião ocorrida em toda a história do presídio de San Quentin. Agosto Negro narra a jornada espiritual e a violenta fé de Jackson, desde sua condenação por roubar 71 dólares de um posto de gasolina até galvanizar a Família Black Guerrilla com seu incendiário livro, criado a partir de cartas, Soledad Brother, ou espalhar ferocidade nos corredores de San Quentin em um dia de agosto, quando seu irmão mais novo, Jonathan, chocou o país ao fazer refém toda uma corte de justiça na Califórnia, em protesto pelo julgamento de Jackson. Para o militante George Jackson, a revolução não era uma escolha... Era uma necessidade.


Título no Brasil: Agosto Negro
Título Original: Black August
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 115 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Site Oficial: Estúdio/Distrib.: Warner Home
Direção: Samm Styles
Filme: Ray
Em 1932 Ray Charles (Jamie Foxx) nasce em Albany, uma pequena e pobre cidade do estado da Georgia. Ray fica cego aos 7 anos, logo após testemunhar a morte acidental de seu irmão mais novo. Inspirado por uma dedicada mãe independente, que insiste que ele deve fazer seu próprio caminho no mundo, Ray encontrou seu dom em um teclado de piano. Fazendo um circuito através do sudeste, ele ganha reputação. Sua fama explode mundialmente quando, pioneiramente, incorpora o gospel , country e jazz, gerando um estilo inimitável. Ao revolucionar o modo como as pessoas apreciam música, ele simultaneamente luta conta a segregação racial em casas noturnas que o lançaram como artista. Mas sua vida não está marcada só por conquistas, pois sua vida pessoal e profissional é afetada ao se tornar um viciado em heroína.
Título Original: Ray
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 153 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Site Oficial:
Estúdio: Universal Pictures / Baldwin Entertainment / Crusader Entertainment LLC / Unchain My Heart Louisiana LLC / Anvil Films / Bristol Bay Productions
Distribuição: Universal Pictures / UIP
Direção: Taylor Hackford

O Islam nas Raízes do Brasil

O Islam nas Raízes do Brasil




No Brasil o fenômeno do negro muçulmano é um dos fatos mais curiosos da história social brasileira, muçulmanos eram os negros Sudaneses, com aqueles oriundos de mestiçados berberes, que destruíram o império de Ghana, já no fim do século XVII os Mandingas acabaram representando sensível coeficiente no conjunto dos escravos do Brasil.

Assim os descreve Arthur Ramos em sua obra:

''Eram altos, robustos, fortes e trabalhadores. Usavam como os outros negros muçulmanos, um pequeno cavanhaque, de vida regular e austera, não se misturavam com os outros escravos.''

Eram os responsáveis pêlos movimentos de libertação do negros escravos no Brasil, eram grandes guerreiros uma herança social que carregavam com sigo, devido as batalhas pela religião Islâmica, que asseguravam na África o domínio total do Islam.

Eram denominados de Males, mas também eram conhecidos pôr Mucuim, Muxurimim, Muçulimi, Muçurumi, eram totalmente monoteístas, não eram idólatras, usavam amuletos com versículos do Alcorão Sagrado, escritos em Árabe, possuíam conselheiros ou juizes chamados de Alufas, a quem ouviam e respeitavam.

Foram responsáveis pelas revoltas de escravos negros no Brasil, em 1807, 1809, 1813, 1816, 1827 e a guerra dos Malês em 1835, os quais sabiam a língua Árabe.

Quem melhor os estudou foi Nina Rodrigues, através de seus estudos, descobriu-se que vieram da África pregadores para lhes ensinar a leitura em Árabe do Alcorão Sagrado, lutaram sempre contra os ensinamentos da igreja católica.

O chefe de polícia da época, o Visconde de São Leopoldo, afirmou que:

''A insurreição estava tramada há muito tempo, num plano superior ao que sabíamos de sua brutalidade e ignorância. Em geral, todos sabem ler e escrever em caracteres desconhecidos ( o Árabe no caso), que se assemelham ao Árabe, tinham mestres que davam lições e tratavam de organizar a insurreição na qual entravam muitos forros africanos e até ricos. Têm sido encontrados muitos livros, alguns dos quais dizem ser preceitos religiosos, tirados de misturas de seitas, principalmente do Alcorão Sagrado.''

Nina Rodrigues mandou traduzir alguns papéis encontrados entres eles, ao qual a origem Árabe é clara, os quais foram traduzidos como veremos a seguir:

''Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso ! Derrama-se a Benção de Deus sobre o nosso mestre Muhammad, sobre a sua família os seus companheiros, bem assim como a saudação.''

E a seguir:

''Obedeço a ordem do Senhor Misericordioso''

E ainda:

''Ali, Gabriel, Muhammad, José, Ismael, Salomão, Moisés, Davi e Jesus''

Em outra peça, no verso uma estrela e em cada raio a palavra ''Muhammad''.

Em um canto:

''Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso!''

Em outra peça uma Surata do Alcorão Sagrado, repetida seis vezes:

Pelo convênio dos coraixitas,
O convênio das viagens de inverno e de verão!
Que adorem o Senhor desta Casa!
Que os provê contra a fome e os salvaguarda do temor!
(Surata de nº 106 do Alcorão Sagrado, '' Os Coraixitas'')


Trecho de um documento dos malês Museu Histórico da Bahia

Manuel Quirino descreve-lhes a oração:

''Recolhiam-se os Malês cedo aos seus aposentos de dormir, pois que em geral o africano não se expõe ao sereno; as quatro horas da manhã levantavam-se para fazer sala (salat em Árabe, que significa oração), que é a oração da manhã e da noite.''

Praticavam este cerimonial deste modo:

''Sem trocar palavra com alguém, lavavam o rosto, as mãos, a planta dos pés, sentavam-se na água, vestiam camisa comprida, calças, enfiavam um gorro com borla caída, tudo de algodão bem alvo e munidos de um rosário, a teceda de cinqüenta centímetros de comprimento, tendo 99 contas de madeira, terminado pôr uma bola em vez de uma cruz, davam começo a oração de pé sobre uma pele de carneiro.

Os homens colocavam-se à frente das mulheres, quando rezavam pelas contas menores de seu rosário, conservavam-se sentados; passando as maiores, equivalente aos padre-nossos, levantavam-se.

Nessa ocasião, com as mãos abertas e tendo o corpo inclinado em demonstração de reverência, diziam:

''Ala Alla u Acubari'', em Árabe correto ''Allahu Akbar'', ''Deus é o Maior''.

Em seguida levantavam os olhos para o alto e baixavam, com um gesto de saudação; com as mãos sobre os joelhos faziam o sinal de continência com a cabeça; proferiam certas palavras e sentavam-se ao de lado, continuando a rezar pelas contas menores.

Quem podia efetuava, esse exercício cinco vezes pôr dia:

1º Açuba;
2º Ali lá;
3ºAA a sari;
4º Ali mangaribá;
5º Adixá

Em Árabe correto:

1º Fajar
2º Zohar
3º Asr
4º Maghrib
5º Icha

Finalizando a oração diziam ''Aliramudolilai'' em Árabe correto ''Alhamidu Lillah'', ''Louvado Seja Deus'', sempre como se vê em Árabe corrompido, a qualquer ato que o Malê tinha que praticar antecedia-o a expressão, como fazem os Árabes, ''Bisimilá'', em Árabe correto ''Bismillah'' que significa, ''Em Nome de Deus''.

Ao fim diziam uns aos outros:

''Barica da subá'' ( Deus lhe dê um bom dia). O lugar em que se praticavam este ato chamava-se ''Maçalasi''.''

Em Árabe ''Masjid'', ''Mesquita'' em português, local de oração dos muçulmanos.



Manuel Quirino, mostra as identidades de hábitos com os negros muçulmanos, no tocante a indumentária, às cerimônias, como as do casamento e circuncisão.

As revoltas dos negros muçulmanos no Brasil eram um reflexo do ''Jihad Fi Sabilillah'', esforço pela causa de Deus, realizadas pelas sua tribos na África muçulmana.

Dos levantes que mais transtornaram os governantes do Brasil, antes da Proclamação da Independência, até o período da Proclamação da República, os designados como Revolta dos Malês, e, em especial, a de 1835, são os de maior destaque.

Muito mais do que esses fatos existe para ser resgatado da Verdade da História do Brasil e da Humanidade.

Fonte: http://groups.msn.com/ISLAMBRASIL/islambrasil.msnw

Uma breve introdução ao Islam

Estou fascinada com o Islam e as Mulheres Muçulmanas, agradeço pelas críticas das minhas leitoras Nahid e Marla por me mostrar verdadeiramente essa bela história.

Que Allah proteja todas nós!

Através da Nahid conheci a coluna Religião e Fé do Jornal Extra, então sempre estarei postando os textos do Sami Isbelle,


Para nós, muçulmanos, o Islam não é uma religião nova, e sim a mesma religião revelada por Deus a todos os seus profetas e mensageiros, dentre eles Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad (Que a bênção e a paz de Deus estejam com todos eles). Islam é uma palavra que deriva da raiz árabe “salam”, que significa “paz”, e, no sentido religioso, Islam quer dizer “submissão voluntária à vontade de Deus”. E muçulmano, por conseguinte, é todo aquele que se submete voluntariamente à vontade de Deus, sendo o nome dado para designar os que praticam e seguem o Islam.

Cabe também esclarecer que Allah não é o “Deus dos muçulmanos”. O Islam é uma religião monoteísta, e o Deus dos muçulmanos é o mesmo que o dos judeus e cristãos, por exemplo. “Allah” é a palavra árabe que designa “Deus”, assim como “God” é “Deus” em inglês. Ainda em relação a terminologias, nós não aceitamos as denominações “maometismo” para se referir ao Islam, nem “maometano” para designar seus praticantes. Deus, através do Seu último Livro revelado, que acreditamos ter sido o Alcorão, já nomeou a religião como Islam, e quem a segue como muçulmano.

(5:3)- “Hoje tenho aperfeiçoado a religião para vós; tenho-vos agraciado generosamente, e aponto o Islam por religião.”

(3:84)- “Dize: Cremos em Deus, e no que nos foi revelado, e no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos, e no que, de seu Senhor, foi concedido a Moisés, a Jesus e aos profetas; não fazemos distinção alguma entre eles, porque somos, para Ele, muçulmanos (submissos).”

O último profeta no qual os muçulmanos crêem é conhecido no Brasil como Maomé. Nós também não compartilhamos dessa designação, pois existe uma regra em tradução em que nome próprio não se traduz. Ou seja, ninguém fala João Kennedy, e sim John Kennedy, ou Paulo Mc Cartney, mas sim Paul Mc Cartney. Trata-se de uma corruptela que só é utilizada para se referir ao profeta, pois nenhuma outra pessoa que se chama Muhammad tem seu nome traduzido para Maomé. O nome correto e que deveremos utilizar para o mensageiro é, portanto, Muhammad.

O Alcorão é o último livro revelado por Deus para orientar a humanidade quanto ao caminho que Ele indicou como correto, para que pudéssemos obter o sucesso nessa vida e na outra. Deus, o Altíssimo, criou o ser humano, o dotou de razão e lhe concedeu o livre-arbítrio para que pudesse escolher o caminho que acreditasse ser o melhor. Mas Deus não nos deixou perdidos, sem um rumo. Ele nos orientou através dos profetas e dos Livros revelados para que seguíssemos o caminho que O agrada. Assim, todos nós seremos responsáveis pelas nossas escolhas.

O Islam é um sistema de vida completo, pois fornece diretrizes em todos os assuntos relevantes para o ser humano. Logo, a religião islâmica tem o seu próprio sistema político, econômico, jurídico, social, moral, etc., e está alicerçada em 6 Pilares da Crença, que são: a crença em Deus Único; a crença nos anjos; a crença nos Livros; a crença nos mensageiros; a crença no Dia do Juízo Final; a crença no Decreto Divino, seja ele bom ou mal. E também se baseia em 5 Pilares da Religião: o testemunho; a oração; o zakat; o jejum no mês de Ramadan; a peregrinação a Kaaba, em Meca.

Se Deus quiser, nos próximos textos analisaremos cada um desses pilares que resumem a crença e a prática da religião muçulmana. Até lá!

Sami Isbelle é diretor do departamento educacional e de divulgação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ - http://www.sbmrj.org.br/).

domingo, 2 de janeiro de 2011

A mulher no Islam


Enviado por Sami Isbelle -
30.6.2010
| 18h27m

Um dos maiores equívocos e distorções feitos acerca do Islam é no que se refere à condição da mulher, que é estereotipada como submissa, infeliz, sem direitos, etc. Vamos dar uma pequena pincelada no que o Islam garantiu a ela há quase 1432 anos.

Ao analisarmos o momento histórico da mensagem final do Islam, através do seu último mensageiro Muhammad (que a bênção e a paz de Deus estejam sobre ele), e verificarmos como era o tratamento dado às mulheres e que direitos elas dispunham nas civilizações romana, grega, Arábia pré-islâmica, dentre outras, verificaremos o avanço que a mulher alcançou com o Islam. De uma forma geral, as mulheres nessas civilizações eram tratadas como mercadorias, praticamente não tinham direito algum, não herdavam, não podiam gerir seus bens sem a intervenção de um tutor, etc. Para começo de conversa, o Islam a inocentou de ser a responsável pelo pecado original. Na visão islâmica ambos pecaram, tanto Adão como Eva, e ao se arrependerem pediram perdão a Deus, que o concedeu. Na língua árabe, idioma em que o Alcorão foi revelado, todas as passagens relativas a este episódio estão no “dual”. No árabe existe o singular, dual e plural (três ou acima). Ou seja, ambos pecaram, ambos se arrependeram, etc. Vejamos agora alguns dos direitos garantidos pelo Islam desde a sua revelação final: • O Islam garantiu o direito à vida num período em que as filhas eram enterradas vivas na Arábia pré-islâmica; • No Islam, a busca do conhecimento e o estudo não são direitos, e sim obrigações religiosas, seja este conhecimento religioso ou secular. E isso vale para os dois, homem e mulher; • O Islam garantiu à mulher o direito de trabalhar e de receber o mesmo salário que os homens, caso exerçam a mesma função; • O Islam garantiu à mulher o direito de dispor dos seus bens sem a interferência de nenhum tutor, como pai, marido, etc; • O Islam garantiu à mulher o direito à herança; • O Islam garantiu à mulher o direito de escolher com quem quer se casar; • O Islam garantiu à mulher o direito ao prazer sexual; • O Islam garantiu à mulher o direito ao divórcio; • O Islam valorizou a mulher como um ser humano dotado de razão e personalidade, onde o que acaba sendo ressaltado é o seu caráter e a sua inteligência, e não seus atributos físicos. Um ponto que devemos estar atentos é o fato de que quando tivemos Estados islâmicos, ou seja, aqueles cujas leis eram baseadas na Sharia (jurisprudência islâmica), esses direitos foram garantidos e as mulheres eram ativas na sociedade. Tivemos na história islâmica muitas mulheres que se destacaram nos mais diversos campos do saber. Hoje, no entanto, é consenso entre os sábios muçulmanos que não temos nenhum Estado islâmico. Existem países em que a maioria da população é muçulmana, mas sua legislação é secular ou mista, ou seja, se aplica em parte a Sharia e em parte as leis seculares. Atualmente não há nenhum Estado que aplique a jurisprudência islâmica na íntegra. Logo, quando vemos em alguns destes países as mulheres muçulmanas não tendo na prática todos esses direitos garantidos, com certeza a culpa não é do Islam, e sim destes Estados e de suas leis. Por vezes vemos costumes locais se sobrepondo aos ensinamentos islâmicos, o que faz com que as pessoas entendam certas práticas como provenientes do Islam, quando na verdade são apenas culturais da região.

Sami Isbelle é o autor dos livros "Islam: a sua crença e a sua prática" e "O Estado islâmico e a sua organização" e diretor do departamento educacional e de divulgação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ - http://www.sbmrj.org.br/)

O COMPLEXO DO ÉDIPO NEGRO

Racismo um fenômeno sexual dentro dos movimentos de esquerda Com propriedade podemos falar um pouco de masculinidade negra, por nossa base teórica e principalmente por nossa vivência!

“(...) a identidade masculina está enraizada na identificação com “aquilo que funciona”, seja o pênis ou o Estado. Atualmente tornou-se necessário ao homem subordinar “aquilo que funciona” –vale dizer, as conquistas tecnológicas e político-militares- à mera preservação da espécie humana.”(Hendrik M. Ruitenbeek)

Édipo Negro nasceu órfão numa sociedade branca. A situação que lhe foi imposta fez surgir dois desejos, o de conquistar todo o poder que lhe foi negado, destronando o Senhor do engenho e o desejo de desposar o seu maior troféu: a esposa. Após matar a figura do Sr. Branco e consumar a Sra. Branca, Édipo Negro fura seus próprios olhos, pois vê no espelho que ambos projetaram nele o seu reflexo.
No conceito psicanalítico do Complexo de Édipo (o filho tem uma preferência velada pela mãe, acompanhada de uma aversão pelo pai) podem ser encontradas partes das raízes para se compreender os fenômenos psicossociais do racismo/sexismo dentro dos movimentos sociais. Para Shulamith Firestone no livro Dialética do Sexo, o fenômeno do racismo se observa como um “machismo potencializado”, ou seja, o racismo se fundamenta como derivado dos fenômenos psicossexuais do patriarcado.
Para compreender a tese dela é necessário utilizar o modelo explicativo de Freud, adaptando-o. Firestone afirma que na hierarquia patriarcal da sociedade ocidental, o homem branco representa o pai, a mulher branca representa a mãe-esposa e o homem negro representa o filho bastardo.

Como no Complexo de Édipo, o desejo dos homens negros é destronar os homens brancos, sobrando pouco espaço para as mulheres. Assim como as crianças e as mulheres, numa sociedade racista, os negros foram estigmatizados pelos seus fenótipos para justificar as estruturas desiguais de poder.

Diante dessa “organização” nuclear da sociedade, os homens negros não tem o lugar mais privilegiado e seu lugar, nesta sociedade, está vinculado a sua sexualidade de forma agressiva, fazendo com que ele se subordine a avaliação do opressor (homem branco), como exemplifica Firestone:

“ o jovem médio do gueto atua como cafetão, ou então se prostitui como de rotina, sendo seu valor como” homem” avaliado pelo modo como ele é capaz de comandar suas putas – e por quantas ele pode comandar ao mesmo tempo. Ele se torna um mestre da lábia, do papo de segundas intenções. Se é capaz de agarrar uma “gatinha” branca, esse é um ponto a mais no seu crédito – pois é um golpe direto ao homem branco (Pai).”

Infelizmente a lógica de opressão sexual, não está à parte dos movimentos sociais de raça e classe. O homem branco de esquerda e o homem negro – infelizmente para as mulheres negras – não estão preocupados com igualdade e sim com poder MASCULINO. A retórica bem estabelecida sobre justiça e igualdade é a forma camuflada de expressar esse desejo de poder masculino.


“Ser reverenciada não é ter liberdade, pois o culto se passa na cabeça do outro e essa cabeça é do homem”
É comum observarmos dentro dos movimentos sociais, militantes negros e de esquerda, buscarem a legitimação de poder através da sexualidade. Uma estratégia bastante comum entre militantes (que muitas mulheres não tem percebido), é a aproximação com uma falsa camaradagem. Muitas vezes estes homens sentem-se irritados com nossas reações e indignações, e para nos deixar mais acessíveis, manipulam suas próprias formas de comportamento tentando agradar-nos, nos dando uma ilusão de poder, que será útil a eles sexualmente e dentro do jogo de poder que constitui a identidade masculina, oposta do homem branco. Alguns pseudo-revolucionários (maioria) optaram por “aquilo que funciona”, ou seja, o poder masculino e o poder político dentro do Estado, e não sua destruição total, embora gritem sempre o inverso.



É evidente que os militantes negros estão exercendo sua sexualidade conforme o modelo existente (patriarcal). A mulher negra converte o seu papel dentro da sociedade sexista do capital, de prostituta para “Adorada-Rainha-Negra-Mãe-de-Meus- Filhos”. Com a exaltação da instituição familiar patriarcal, o homem negro muitas vezes passa a atuar dentro do espaço de luta e da comunidade como opressor. Almejando colocar esse poder (de pai) para além desses espaços, atingindo uma instância maior (Estado). Pois diferente do que os homens pensam:
“Ser reverenciada não é ter liberdade, pois o culto se passa na cabeça do outro e essa cabeça é do homem”

TEXTO: Patrick Monteiro

Breve introdução para um estudo religioso do aborto

O texto abaixo foi produzido por Beto Quintas, do blog Racunhos de um Pagão - leitor antigo do blog Maçãs Podres - e servirá de introdução para um estudo que publicaremos sobre religiões e a questão do aborto. Por direito, ele expressa suas opiniões e luta , que não podem ser "ipsi literis" iguias as nossas, por sermos um grupo feminista ateu, porém, sua colaboração, é de grande valia.

A Mulher e as Religiões

http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Gaia
"Dentro do tema do meu blog, as religiões e culturas dos povos da Antiguidade, a dita civilização clássica foi a principal fonte da misoginia que se alastrou pela Idade Média, pelas vias da doutrina da Igreja.
Felizmente, nem todos os povos antigos foram assim. Os Etruscos forma conhecidos não apenas pelo estado de urbanização e cultura avançada, mas pela igualdade de gênero. Entre os Bretões [e povos Celtas em geral] a mulher assumia cargos de importância social como rainhas, sacerdotisas e guerreiras. Ao contrário das civilizações clássicas [Gregos e Romanos] as Deusas eram tão senão mais adoradas que os Deuses. Os mitos demonstram uma equivalência de poder e força entre Deuses e Deusas.
No Oriente Médio temos as grandes civilizações dos Hititas, dos Filisteus, dos Cananeus, dos Frígios, dos Assírios, dos Acadianos e Sumerianos, de onde se originaram o culto à Deusa-Mãe.
Na África, temos a civilização dos Egípcios onde a história ainda se lembra das mulheres-faraó que reinaram e deixaram sua marca de beleza na arte, como Nefertiti, Hashepsut, Cleópatra.
Em suma, das civilizações antigas, apenas a dos Gregos e a do Romanos a condição da mulher estava abaixo da condição de um escravo. Riane Eisler declara que os antigos Gregos adultos mantinham um relacionamento com garotos exatamente porque desprezavam a mulher. Os Romanos consideravam a mulher uma propriedade do pater-familias, para ser trocada ou negociada em algum casamento, sem contar ser comum a manutenção de cortesãs ou mesmo preferir deitar-se com uma serva do que com a esposa.
Tanto em Roma quanto em Atenas era comum haver hieródulos, templos onde existiam a prostituição sagrada. A única exceção são as vestais, mulheres que se tornam sacerdotisas de Vesta, a sociedade romana tinha tão alta estima por estas sacerdotisas que elas é quem consagravam os Césares.
O pouco que sabemos dos mitos da civilização clássica foi feita em um período tardio, quando o poder estava nas mãos do patriarcado e isto refletiu nas obras de Hesíodo - Teogonia - bem como em obras posteriores. Tornou-se comum para as elites dominantes demonizar as divindades primordiais e diminuir a influência das Deusas, ressaltando e sustentando o modo de dominação patriarcal.
As três grandes religiões mundiais - monoteístas - refletem bem esse aspecto social, político e religioso onde a mulher é vista como a grande culpada [pecadora] pela queda da humanidade e pelo sofrimento advindo de nossa condição carnal.
Felizmente a humanidade cresceu e adquiriu conhecimento. Veio o Renascentismo, as revoluções, a indústria. A Igreja começou a perder o poder. A autoridade da elite patriarcal começou a ser contestada. Alternativas de Estado, de Regime, de Espiritualidade, de Crença, surgiram.
No inicio da década de 60 (1954) estes eventos deram condição para a humanidade começar a se libertar da autocracia dos regimes ditatoriais e teocráticos. Junto com a Contracultura e a Revolução Sexual surgiu e cresceu o Neopaganismo, onde as mulheres estão reencontrando seu espaço e sua expressão, retomando o lugar que também lhes pertence por direito, encontrando meios para se ressacralizar e reconduzir a humanidade a redescobrir que ambos os gêneros possuem alma e espírito, ambos os gêneros são igualmente divinos e sagrados, ambos os gêneros são igualmente competentes para exercer o sacerdócio, ambos os gêneros são igualmente capazes para cargos políticos.
Oxalá em alguns anos a humanidade possa reestabelecer a Deusa no trono do mundo."


Por Beto Quintas, para o blog Maçãs Podres

Origem do Patriarcado - A IDEOLOGIA DAS DIFERENÇAS ENTRE OS SEXOS 4

Questões materiais sobre uso do corpo humano
e o papel dos homens de co-produtores
De um modo geral, o processo de desenvolvimento anatômico humano foi determinado por nosso trabalho com a madeira, as pedras e os ossos. Mas a grande transformação social organizada da realidade material humana, só ocorreu mesmo após a Revolução Neolítica.
Resumidamente, o modo de produção sexual estava dividido entre as mulheres que desenvolviam a agricultura e os homens que pastoravam os animais.
Toda via entendermos que o cerne da questão aqui não é a biologia dos corpos, mas o planejamento e organização do projeto social humano capaz de promover a transcendência das condições de completa submissão ao simples estado natural.
Assim, não foi a biologia de nossos corpos o fator que determinou quais atividades transformadoras seriam desenvolvidas pelos diferentes sexos, mas foram os diferentes sexos que se organizaram em volta de atividades capazes de promover nossa transformação. Não é a biologia quem define as ações sociais, mas foram as ações sociais que, por necessidade ou conveniência, definiram de que modo usar nossa biologia.
Ao trabalhar e se organizar, construindo o mundo para si, a humanidade conseguiu construir a si mesma, com todos os conflitos e contradições que significam sermos o que somos hoje. O que não nos impede, e nem impediu, de novas transcendências.

O trabalho que mudou a consciência humana
Nas regiões desérticas da Palestina, por exemplo, em épocas de seca, os pastores de animais eram obrigados a subir as diversas cadeias de montanhas rochosas, em busca de alimentar o gado e, assim, garantir parte da sobrevivência das tribos seminômades.
Com os sucessivos partos que a natureza exigia das mulheres, a agricultura se constituía, racionalmente, como o trabalho a ser desenvolvido pelas fêmeas de nossa espécie, pois nela não ocorriam os mesmo deslocamentos geográficos exigidos no pastoreio.
É fato que a maternidade sempre existiu. É fato que o trabalho agrícola nunca foi mais ou menos pesado que o pastoreio. Como também é fato que as mulheres poderiam sim subir montanhas, da mesma maneira que fugiam grávidas de seus predadores naturais, em épocas mais primitivas. Se o pastoreio fosse feminino, os seres da época estariam negando seu potencial humano de desenvolvimento, racionalidade, adaptação e transcendência.

A intensa reprodução animal
Sabemos que os animais se reproduzem com muito mais velocidade que nós, e por isso é que são o que são: apenas animais. Por tal foi se tornando cada vez mais necessário que mais pessoas cuidassem do gado.
Porém graças ao equilíbrio alimentar, ocorreu o crescimento populacional, não por reprodução intensiva humana, mas pela diminuição da alta mortalidade natural. Isso gerou um problema de habitação e as novas populações passaram a ocupar os terrenos ao redor das tribos.
Como o fenômeno da reprodução não ocorre nas plantações do mesmo modo que com os animais e o alimento que se produz para uma tribo, não pode jamais alimentar toda uma vila, foi necessário ampliar as terras cultiváveis.
Uma reorganização na divisão dos bens produzidos ocorreu. Logo, a endogamia (relações sexuais entre membros da mesma comunidade) foi substituída e as terras deixaram de pertencer a toda a comunidade, sendo direcionadas para as linhagens parentais maternas.


O papel dos homens de co-reprodutores animais
Só devido a primeira divisão sexual do trabalho que, ao serem afastados uns dos outros por jornadas tempo maiores, tanto mulheres quanto homens perceberam a diminuição da freqüência da gravidez. E isso foi um grande avanço de conhecimento sobre seus corpos.
Devido “o tempo livre” que existia no andamento do pastoreio, foi possível aos homens observar os animais copulando nos pastos. E desta observação “ociosa” surgiu à percepção e a consciência do papel co-reprodutivo masculino e, logicamente, com tal ciência, ajudou a quebrar o paradigma que induzia ao culto da fertilidade feminina, pois tal conhecimento não mudou apenas os homens, mas mudou também a consciência das mulheres.
Dada a dinâmica de interdependência social humana, os resultados de milhares de anos de trabalho e a descoberta do funcionamento biologia reprodutiva, mudanças nas relações pessoais e coletiva ocorram, dando a origem da família sindiásmica, ou seja, protopatriarcal.
As relações consanguíneas de linha materna passam por uma transformação e agora ao lado da mãe, existia o pai biológico. Cresce a importância da propriedade familiar e a exigência da monogamia é instituída como forma de garantir os recursos alimentares dentro do núcleo social restrito biológico. Eis a passagem do matriarcado para o patriarcado.
O papel social paterno
Foi nas localidades onde a água e a produção de alimentos era mais escassa, onde existiam muito mais condições geográficas impedindo que as tribos pudessem garantir sua sobrevivência, onde vales férteis surgiam em menor número e em meio a longos desertos, onde a geografia não operava com tanto empecilho para o distanciamento das tribos que a dominação de territórios tornou-se uma necessidade ainda mais imediata para os povos.
A concentração privada dos meios de produção dentro das famílias sindiásmicas produziu a animalização do corpo feminino. Induzidas a posição de objeto de simples reprodução, como toda coisa, nós mulheres fomos tornadas um bem material (re)produtivo.
Esta condição seria “confirmada” com as guerras de dominação territorial, pois se antes os sobreviventes de disputas eram introduzidos nos seios das comunidades e adotados como “irmãos”, relacionando-se sexualmente como os membros da comunidade, para poderem elaborar os trabalhos que garantiam a sobrevivência de toda a tribo, agora introduzir qualquer “macho estranho” no seio familiar significava um perigo para o crescente reconhecimento do poder masculino.
Por estarem cientes do seu papel de co-reprodutores, os machos, com apoio da comunidade, afastam as mulheres do espaço público, agora ocupadas pelos escravos.
Em Atenas, por exemplo, onde o culto ao masculino permitia a relação sexual entre “iguais” (homens), um dos parâmetros que temos sobre a debilidade física se encontra na obra Econômico, de Xenofonte (IV a.C.).

No livro o autor fala a Sócrates como o marido Iscomaco instruiu sua esposa para cuidar do lar, mostrando-lhe os motivos do casamento e as tarefas do marido e da mulher, para também descrever os motivos pelos quais os trabalhos designados para as mulheres seriam “degradantes” (para ler, click nas fotos ao lado).
No serviço doméstico, muitos trabalhos pesados eram realizados por mulheres escravas, sob a vigilância e orientação da senhora da casa, como esmagar e moer os grãos, cozinhar o pão, fiar, tecer, bordar. Alguns desses escravos participavam da vida familiar mais de perto, como as amas.
Assim, o parto passa a ser função das esposas dos donos de gado e terras, a fim de perpetuarem não apenas a espécie, mas o patriarcado como um todo.
Dominar pessoas significará então a libertação masculina dos árduos serviços transformadores da natureza, não por simples psicologia de dominação, mas por possibilitar uma exploração humana maior capaz de gerar cada vez mais produção e acúmulo de poder, ou seja, de poder patriarcal.
É exatamente aí que se instituí a doutrina do Famullus (ou seja, o pátrio poder). Direito que designa ao homem dominante por guerras o poder de morte sobre qualquer membro que componha seu Famullus (núcleo social formado pelo dono das terras e do gado, pela mulher/esposa, filhos e escravos).
O fato é que a transformação da guerra em trabalho masculino resultou em um aprofundamento das contradições de gênero e numa nova divisão social do trabalho. Que tomou proporções de exclusão sexual das mulheres. Então era o poder econômico quem determina o direito patriarcal sobre os corpos e o produto de seu trabalho. E a vigilância constante e a violência mantinham sobre controle os comportamentos dissidentes ao patriarcado.
Estabelecem-se aqui os padrões de comportamento que replicam ideologicamente quem são os dominantes e os dominados. E a principal oposição para determinar quem deve ser o outro é o modelo da fragilidade física surgida do afastamento da atividade agrícola e do desgaste da maternidade intensiva. A xenofobia, o racismo e a homofobia surgem a partir deste padrão, pois também buscam na diferença biológica e social as justificativas para a exploração alheia.

Os homens como segregadores e produtores de violência coesiva

Nas guerras de expansão estuprar mulheres passou a significava a confirmação da dominação dos territórios. E assim também confirmar o poder masculino, o poder do povo dominador, do acúmulo de propriedades privadas, o poder de um homem sobre outro, o poder sobre os escravos, ou seja, o poder nascido do patriarcado. A institucionalização do estupro como arma de guerra (que ocorria inclusive em sociedade onde ainda não havia repressão sobre a homossexualidade), ajudou a nortear ainda mais a proibição do comportamento sexual entre homens.
Sabemos que a violência institucional é um instrumento coesivo do Estado patriarcal. Que sempre foi/é política de diferentes governos promoverem esterilização, clitorectomia e apedrejamento em mulheres. Que o estupro é uma arma de guerra. Que a violência sexual é comum dentro das famílias nucleares patriarcais. Que o tráfico sexual atinge mulheres excluídas socialmente, etc.
Precisamos muitas vezes nos questionar o quê é ou não violência? Violência é ter todo um aparato de Estado que pode usar quando bem quer sua força em nome da ordem instutuida pelo proprio Estado? Sim. Violência é se defender das desigualdades sociais que em silêncio minguam milhares de vidas pregando uma insurreição feminista? Não. Violência é sofrer agressões do Estado e ter que pedir repação ao próprio violentador? Com certeza. Violento foi/é o modo como o patriarcado se mantém as custas de negros sequestrados pela escravidão que hoje moram sobre as grades ou sobre mocambos, ou o tráfico de brancas da Polônia e o estupro de nativas e negras que embranqueceram as etnias aculturando-as, ou saber que a miséria é um produto social que desperdiça alimentos, prende mães e pais pobres em garantia das propriedades privadas produtoras de trangênicos. Violênta é a escravidão de nosso corpo, no máximo reagir a isso é um impulso vivo de revolta ou legitima defesa.
Viva o Movimento Feminista!

Patrick Monteiro e Ana Clara Marques
(Grupo Revolucionário de Intervenção Feminista Maçãs Podres)

POSSE DA 1ª PRESIDENTA DO BRASIL DILMA ROUSSEF







A presidente Dilma Rousseff recebeu neste sábado (1°), no Palácio do Planalto, cumprimentos dos chefes de Estado e autoridades convidados para a cerimônia de posse.

A presidente Dilma Rousseff recebeu os cumprimentos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. A presidente e Hillary conversaram por cerca de um minuto durante os cumprimentos. O primeiro chefe de Estado a falar com Dilma foi o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Também cumprimentaram Dilma os presidentes de El Salvador, Peru, Uruguai, Guatemala, Chile, Bolívia, Paraguai, Suriname, Guiné-Bissau e República da Guiné.

Dilma recebeu ainda os cumprimentos de chefes de governo de Portugal, Senegal, Coreia do Sul, Qatar, Bulgária, Haiti, Marrocos, Sri Lanka, São Tomé e Príncipe, Jamaica e Japão. O príncipe de Astúrias, Felipe de Bourbon, representou a Espanha na cerimônia.

Durante a cerimônia, os chefes de estado conversaram e trocaram cumprimentos. Entre eles, estavam a secretaria de Estado americana, Hillary Clinton, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

POSSE DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEF


A cerimônia de posse de Dilma Rousseff ainda não havia nem sido concluída e grandes veículos de comunicação internacionais já repercutiam o fato de o Brasil ter uma nova governante, neste sábado.

O site da emissora americana CNN disse que a primeira mulher presidente do Brasil assumiu o cargo em meio a aplausos e lágrimas de seus simpatizantes, "muitos dos quais seguiram sua ascensão de defensora da liberdade brutalmente perseguida nos anos 60 a líder de seu País". Além disso, o veículo afirmou que Dilma discursou que sentia o peso histórico de sua gestão, que chega quase 41 anos depois de ter sido presa e torturada durante a ditadura.

Enquanto isso, a versão online do jornal Wall Street Journal afirmou que Dilma tem um currículo extenso, que inclui "guerrilheira de esquerda, prisioneira política e sobrevivente de câncer", apesar de ter sido a primeira vez que concorreu em uma eleição. O veículo disse ainda que a nova presidente tem muitos desafios pela frente, incluindo a valorização recente do real diante do dólar, o que prejudica as exportações e torna os produtos importados mais competitivos.

Já o jornal argentino El Clarín disse que Dilma foi peça fundamental do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e se tornou a primeira mulher presidente no País, ao receber a faixa presidencial de seu antecessor, que "sai de cena com uma popularidades sem precedentes".

Na Europa, o periódico francês Le Monde afirmou que a petista foi "escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo" e que conquistou os brasileiros com promesas de continuidade política, diplomática, econômica e social.

O espanhol El País, por sua vez, disse que havia muita especulação entre o público presente sobre como a posse se desenrolaria e que Dilma não se esqueceu de falar sobre os menos favorecidos. "A ex-guerrilheira, que fez alusão a sua biografia, não se esqueceu dos 'menos favorecidos', nos quais se centrará boa parte de sua ação de governo, nem de seu antecessor e mentor político, o popular Luiz Inácio Lula da Silva, cuja apenas a menção arrancou aplausos enérgicos na Câmara", afirmou.

Na Bulgária, a agência Novinite destacou, mais uma vez, que Dilma é filha de imigrante búlgaro, afirmando que a "chuva torrencial" em Brasília não conseguiu abalar a cerimônia de posse, enquanto "milhares de pessoas" se exaltaram com a chegada da presidente eleita.

A origem das férias


A palavra "férias" surgiu das palavras latinas feria ou feriae, que designavam um dia de descanso entre os romanos e, mais tarde, foram ligadas aos feriados de ordem religiosa. No século III d. C., Constantino considerou os dias da semana em seu calendário como Prima Feria, Secunda Feria, Tertia Feria, Quarta Feria, Quinta Feria, Sexta Feria e Septima Feria.
No século IV, o primeiro dia da semanda mudou para Dominicus Die (Dia do Senhor) e o sétimo dia da semana se tornou sabbatu, dia em que os primeiros judeus cristãos se reuniam para orar. A língua portuguesa foi a única que manteve feria (no nosso caso, feira) nos dias da semana. O direito de férias foi conquistado no Brasil no início do século XX. Desde então, todo trabalhador tem direito a 30 dias de descanso após 12 meses de trabalho. As férias escolares podem chegar a 120 dias, distribuídos entre os meses de janeiro, julho e dezembro.

Post retirado do blog: História Pensante

Estudante da Rede Estadual tem reunião agendada com Michelle Obama

Breno Oliveira de Jesus, 16, estudante do Colégio Estadual Thales de Azevedo, em Salvador, viaja para São Paulo no dia 5 de janeiro, de onde segue rumo aos Estados Unidos. O adolescente é um dos 36 estudantes brasileiros vencedores da 9ª edição do Programa Intercâmbio Cultural Jovens Embaixadores, que registrou mais de seis mil inscrições em todo o país. Um dos compromissos de Breno durante a viagem de três semanas é a reunião com a primeira-dama norte-americana, Michelle Obama.

A visita à Casa Branca, em Washington, já desperta no estudante, que nunca saiu do Brasil, algumas curiosidades. “Eu gostaria de entender porque o Governo Bush não se interessou muito em aproximar Estados Unidos e Brasil, desde quando somos um país emergente. Estive pensando em perguntar a Michelle o que ela pensa sobre isso”, revela Breno.

Além de participarem da reunião na Casa Branca, durante a semana em que permanecerão na capital estadunidense, os 36 jovens embaixadores brasileiros visitarão monumentos históricos, museus e outras organizações. Nas duas semanas seguintes, o grupo será dividido e cada subgrupo irá para um estado (Carolina do Norte, Montana, Oklahoma Washington e Ohio) para conviver com uma família que os hospedará voluntariamente.

Lá, eles frequentarão aulas em uma escola de ensino médio (high school), quando terão a oportunidade de apresentar o Brasil aos novos colegas. Sobre a rotina como estudante nos Estados Unidos, Breno acredita que descobrirá semelhanças em relação ao Brasil. “Será interessante fazer uma ponte entre o cotidiano dos dois países. Acho que encontrarei coisas semelhantes, inclusive problemas comuns. Também quero aprender mais sobre a cultura deles e desenvolver minhas habilidades, o meu olhar crítico para as questões sociais”, planeja.
Voluntário – Para ser um jovem embaixador é necessário que o candidato esteja a par das questões e problemas sociais e exerça algum trabalho voluntário há pelo menos 1 ano. Breno dá aulas de empoderamento espiritual, causas morais e virtudes, para crianças de 6 a 10 anos, moradoras do bairro do Candeal, em Salvador.

Ele explica que os ensinamentos que transmite são baseados na Fé Bahá’í, uma religião mundial e independente que surgiu na Pérsia, atual Irã, em 1844, e que não possui dogmas, rituais, cleros ou sacerdócio. “O caminho mais rápido para aprender é ensinar”, afirma o adolescente. Segundo Breno, o movimento de conhecimento em suas aulas é recíproco. “As crianças também me ensinam. Eu me desenvolvo junto com elas”, diz o jovem embaixador da Bahia, que passou, ainda, por avaliação oral e escrita de conhecimentos até vencer o Programa.

Além de Breno Oliveira de Jesus, Ramon da Silva Sampaio, 18, estudante do Instituto Federal da Bahia (Ifba), também está entre os vencedores da 9ª edição do programa Jovens Embaixadores. Ramon está envolvido em pesquisa e projeto de sustentabilidade e reciclagem.

O Programa - O Jovens Embaixadores é uma iniciativa de responsabilidade social da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, desenvolvida em parceria com o Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed), Ministério da Educação (MEC) e a rede de centros binacionais Brasil - Estados Unidos.
Desde a sua criação em 2003, o programa já beneficiou 212 jovens brasileiros. A lista com os nomes dos estudantes vencedores está disponível no site da Embaixada dos EUA (www.embaixadaamericana.org.br) e também do Consed (www.consed.org.br).

CONTATO
Breno Oliveira de Jesus – (71) 9211-4273/ 8838-3965